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Devaneio Noturno

Perdi-me durante um tempo enquanto voltava pra casa. As casas não me pareciam familiares, eu estava no meio de uma rua deserta, meus medos então surgiram, vieram como uma torrente. Uma estranha sensação de impotência servia como um manto que me cobria por inteiro.

na-madrugada

Meus pés quase paralisaram diante da possibilidade de encontrar um estranho por ali, as casas pareciam me vigiar, o chão era cada vez mais escuro… Mesmo carregado de pavor, segui.

Fechei os olhos por um instante, quis imaginar-me em outra cena, na verdade, não queria enfrentar o desconhecido. A noite sempre me causou medo, é nela que se comete os piores atos, onde o absurdo se instala e não nos deixa saída.

Aquele momento parecia não ter um tempo preciso pra acabar; de súbito, segurei uma pedra a fim de me defender de algo que me fosse hostil. Eu não sabia que toda a hostilidade era apenas uma mera construção de minha mente, após ouvir tantos casos que acontecem à noite com um homem perdido. Até me imaginei em alguma nota de jornal do dia seguinte, onde este relatava sobre o assassinato de um homem ainda não identificado.

Minha vida, então, terminaria em uma nota de imprensa. Eu seria apenas um número que, por ventura, foi sorteado no acaso das tragédias diárias.

Mesmo assim

Mesma causa,
Mesma rotina,
Mesma corrupção,
Mesma repetição,
Mesma idéia!

Mesma luta,
Mesma guerra,
Mesma morte,
Mesma ignorância,
Mesma mesmice de sempre!

Paranóia moderna

As coisas não andam nada bem!
Tudo isso vai acabar em merda!
Essa poluição atroz me sufoca!

O caos está instaurado!
A cidade está prestes a explodir!
O cerco já começou!
Todos estão tremendo atrás dos muros,
Dentro de suas moradas…

Esse lugar é um galinheiro
Eu que não vou para a panela!
Logo vou abandonar a rotina da vida.
Estou juntando dinheiro,
Estou estocando comida no porão,
Pode ser que fique por anos trancafiado lá embaixo.

Paranoia

Para piorar tem essa pandemia.
Não posso esquecer das máscaras de gás
E do manual de sobrevivência.
Mas e se a comida estiver contaminada?
Um pouco de sorte também ajuda!
Devo me afastar dos amigos e familiares,
O destino de todos já está traçado…

A câmeras espalhadas por todos os lados
Estão me vigiando!
Chegou o dia do grande irmão!
Estarei preparado para o pior…
Resta apenas esperar,
Estou sabendo que eles vão me buscar!

Você acha que estou sendo paranóico?
Não assiste as tragédias no noticiário?
Celebridades estão morrendo!
Eu sou realista, meu caro!
O mundo vai arder em chamas
Eu dançarei sobre os cadáveres.
Sobre seus cadáveres!

Deus fechou o comércio e foi embora.
A humanidade em prantos aguarda sua destruição.
Ansiosamente espero…
Convoque sua maldita caçada,
Vamos ver quantos eu levo,
Gritando junto comigo para o inferno.

Um conformista

Sempre evitei me expor sobre qualquer circunstância. Digo a vocês que talvez isso ocorra por causa de traumas na infância, solidão, em função de super proteção, ou seja lá que diabo for…

isolado

Minha opinião pouco importa, manda quem fala mais alto… e eu apavorado, abaixo a cabeça e acato!

A parte que eu mais sofro é no meu subemprego. O lamentável é que eu tenho ótimos cursos e diplomas, porém o carrasco que é meu chefe, fez questão de me colocar em uma função muito abaixo de minhas expectativas. Fico o dia inteiro trancafiado em uma sala abafada, fazendo intermináveis cadastros enquanto na sala vizinha todos estão sempre felizes, dando gargalhadas. Mas covarde que sou, aceito de bom grado.

Mantenho esse ritual a mais de duas longas décadas. Nunca tive um aumento salarial ou desempenhei outra função.

A pior parte, todos vocês já perceberam. Sou completamente lúcido quanto a minha patética situação e não faço absolutamente nada para buscar uma solução.

Tenho medo de esboçar uma reação. Tudo isso é ridículo! Trabalho de domingo a domingo… algumas vezes de madrugada! Tenho tédio, tendinite, mas… chega de lamentações, preciso voltar ao trabalho…

No entanto sem reclamar, basta sorrir perante o fatalismo da vida e aceitar…

E aceito da mesma maneira que um gado indo para o matadouro. Aceito essa condição da mesma maneira que uma nação injustiçada permanece apática e sem reação. Aceito de bom coração, essa minha frágil condição de que através da inércia, nada mais sou do que uma pessoa conformada em busca de aprovação.

Semente da moral

Aquele sentimento nasceu, como nasce uma flor espinhosa em uma terra erma e obscura. Naquela ocasião, minhas propriedades intelectuais, não serviram de nada.

Rosa de sangue

Senhores, na vida eu tive muitas realizações. Tive uma infância tranquila, fui um funcionário público bem sucedido e na medida do possível politizado, procurando sempre entender e lutar contra meus preconceitos.

Na mesa de bar, lugar que gosto de expor minha vaidade, condeno a postura dos meus amigos em um relacionamento amoroso. Explico a eles que a traição não existe, a mulher não pode ser tratada como se fosse uma propriedade privada do homem. Puro machismo! Porém, fiz exatamente tudo o que recriminei…

A minha capacidade de racionalização acabou quando entrou em jogo a emoção. E essa puxou as rédeas da razão e em seguida chicoteou minha frágil concepção.

Aquela mulher, linda e bem resolvida, conseguia fazer eu perder o controle com uma facilidade incrível. Sim, não falei pra vocês, o nome dela é Mariana, sendo ela uma advogada prestígiada e portadora de uma beleza rara e um sorriso capaz de derrubar navios.

Naquele dia em que Mariana sorriu e me disse que estava se relacionando com outras pessoas, uma pequena dor brotou em meu peito. De uma forma covarde, não tirei sua razão e concordei com suas escolhas. Calado comecei a me fechar…

Deitado em minha cama, ficava me remoendo pelos motivos mais fúteis. Aquele incomodo foi aumentando, aumentando, aumentando… basta!

Lutei de todas as formas possíveis. Tentei me afastar de Mariana, refletir, mostrar para mim mesmo o quanto sou ridículo e limitado. Porém levei uma surra de minha consciência. A quem estou enganando esse tempo todo? Esse sentimento vil, me condena, é mais forte do que eu. Ou será que ele sempre existiu ?

Estava confuso, um dia… um dia aquilo explodiu. E posso dizer a vocês que não foi nada agradável. Não, não foi uma daquelas brigas que um sai quebrando tudo e o outro vem atrás vomitando ofensas.

Foi o assassinato da minha moral. Fui eu na minha forma mais crúa. Nesse instante, parei de me importar com o que as pessoas pensavam ao meu respeito. Foi quando matei por amor.

E gozei!

Aquele sentimento nasceu em mim, como nasce uma flor espinhosa em uma terra erma e obscura.Naquela ocasião, minhas propriedades intelectuais, não serviram de nada. Foi dor de corno!Senhores, na vida eu tive muitas realizações financeiras. Fui um empresário bem sucedido epolitizado. Procurando sempre entender e lutar contra meus preconceitos. Na mesa de bar,lugar que gosto de expor minha vaidade, condeno a postura dos meus amigos em umrelacionamento amoroso. Explico a eles que a traição não existe, a mulher não pode sertratada como se fosse uma propriedade privada do homem. Puro machismo! Porém fiz tudo o querecriminei…

A capacidade de racionalização acaba quando entra em jogo sua emoção. E essa puxa as rédeas

da razão e em seguida a açoita, deixando cada um de nós com uma reação um tanto quanto

inesperada.

Aquela mulher, linda e bem resolvida, conseguia fazer eu perder o controle com facilidade.

Sim, não falei para vocês, o nome dela é Mariana, sendo ela uma advogada prestígiada e

portadora de uma beleza rara e um sorriso de derrubar navios cargueiros.

Naquele dia em que Mariana sorriu e me disse que estava se relacionando com outras pessoas,

uma pequena dor brotou em meu peito. De uma forma covarde, não tirei sua razão e concordei

com suas escolhas. Calado comecei a me fechar…

Deitado em minha cama, ficava me remoendo pelos motivos mais fúteis. Aquele incomodo foi

aumentando, aumentando, aumentando… basta!

Lutei de todas as formas possíveis. Tentei me afastar de Mariana, refletir, mostrar para

mim mesmo o quanto sou ridículo e limitado. Porém levei uma surra de minha consciência. A

quem estou enganando esse tempo todo? Esse sentimento vil, me condena, é mais forte do que

eu. Ou será que ele sempre existiu ?

Estava confuso, um dia… Um dia aquilo explodiu. E posso dizer a vocês que não foi nada

agradável. Não, não foi uma daquelas brigas de novela que um sai quebrando tudo e o outro

vem atrás vomitando ofensas.

Foi o assassinato da minha moral, fui eu na minha forma mais crúa. Foi quando eu parei de

se importar com o que as pessoas pensam de mim. Foi quando matei por amor.

E gozei!

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