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Posts Tagged ‘vida’

Engolindo sapos

Engolir sapos pela vida afora é uma coisa muito comum para a maioria das pessoas.

Engolimos dos pequenos aos grandes sapos e todos, de uma forma ou de outra, descem e fica por isso mesmo.

Todo mundo cria seus sapos.

Hospitais, restaurantes, bancos (um dos maiores criadores), seguradoras, escolas, operadoras de cartão de crédito, empresas de transporte, igrejas, supermercados, táxis, empresas de telefonia, lojas, empresas em geral, governo (o maior criador; cria também elefantes e rinocerontes), amigos, família, etc.

sapos-amor-sociedade
Engolindo sapos-imagem-google:limonadabrasileira.blogspot.com
 
O amor é outro grande criador de sapos.

Pode não ser o maior criador, mas é o mais habituado em fazer com que as pessoas engulam seus sapos.

Tem gente que se engasga, esperneia, chia, chora, se esconde, some, mas, do nada, estão de volta com outro sapão esperneando na boca.

Engolem e ficam macios como seda.

O último sapo que engoli?

Só pra variar, foi do amor.

A última companheira que tive me disse na lata:

Você?, você não tem futuro como homem!

O sapão desceu rasgando, lágrimas nos olhos, e a criadora de sapos…

Nem aí!

Não é uma merda?

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Pois é pensamento

Estás aí caído

Tentando disfarçar

A dor do peito

Da inútil jactância

Pérfida, corrosiva, voraz

Acorda dessa medonha

Disfarçatez imbecil

Enche esse peito

De dignidade e nobreza

Inclina essa serviz

Liberta-te dessa fatídica

Existência de mediocridade

De piedade e arrogância

Olha a tua volta

E se renda a verdade

Da beleza do outro

Da delicatez simplória

Invista-se, permita-se, desloque-se

Ao menos na tentativa

De enxergar, ver, olhar

Esbraveja logo tudo

É inevitável a queda

Mas sossega, sim

No movimento da vida

Não há justo, injusto

Apenas susto, assusto

Nada mais que fluxo, refluxo

Acontece, esquece

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Me pego demasiadamente introspectivo. Nenhuma clareza de momento quanto ao querer, quanto ao fazer, quanto até mesmo ao sentir. Sinto estar tomado por um estado de espírito demoníaco. Talvez o demônio seja o mais sensível dos seres. Talvez por saber da falta de sentido disso tudo aqui. Quero dizer, a vida.

Imbuído nesse emaranhado de sensações, envolto numa teia de significados e, estranhando-os, sentindo-me atônito na recusa de uma postura disciplinada, é na figura do demônio que me identifico. Este ser relegado, condenado às profundezas por atender aos instintos que lhes foram dados pelo Criador, como nos conta a história. Oras, que mal teria ele feito então, se meu raciocínio é correto? Que pecado cometeu se em sua constituição estava impresso a vaidade? Por que cargas d’água um ser perfeito, pleno em bondade, misericórdia, amor, justiça e verdade, criaria um ser capaz de querer usurpar seu trono e dominar em seu lugar, saindo assim da condição de dominado, subserviente? E por que o ser de sua criação seria culpado e acusado de nele estar todo o mal possível? Oras, não fora ele gerado pelas mãos e querer do Criador perfeito?

É com o diabo que me sinto próximo agora. Me achegando à ele vejo refletida as minhas características, as quais resumo na palavra vaidade. Nela está contido o que eu diria ser a essência partilhada entre eu e o diabo. Antipático a idéia de essência, por entender sermos muito mais construção do que natureza/essência, contudo tendente a enxergar tal semelhança entre eu e ele. Tal aproximação até me faz compreender a ira do Criador para com os humanos e a dos próprios humanos para com seus pares. Talvez eu esteja concordando com Sartre, quando disse que o inferno são os outros. Não estou certo disso. Mas estou certo que concordo em muito com o homem que matou Deus – Nieztsche – quando afirmou que ele mesmo não era um homem, mas um campo de batalhas.

Não sei… Não sei… Apenas sinto-me unido ao diabo agora. Sinto com ele partilhar as agruras dessa existência caótica, ausente de sentido claro. Sinto com ele vagar pelos vales e montes, em seus momentos de glória e de lama. Sinto nele compreender-me em pequenez, em feiúra, em bagunça, em nada, em humanidade.

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– Pensei em você, hoje!

Pensando na vida…

– Pensei em como vive, ama, dorme, se diverte!

– Em como você trabalha!

– Em como você sobrevive, se alimenta, sorri… existe!

– Pensei em você como gente, pessoa… humano!

– Pensei nos seus olhos vivos, nos seus desejos secretos, na sua alma, no seu sorriso bonito.

– Pensei na sua mulher querida, nos seus filhos saudáveis, no seu pai que é tão bacana, na sua mãe tão amada, nos seus irmãos tão amigos, nos seus amigos tão irmãos, na sua presença no mundo, no seu dia-a-dia.

– Pensei no lugar em que mora, no lugar em que trabalha, onde seus filhos estudam, no restaurante onde come, na igreja onde agradece, na comunidade em que vive.

– Pensei nas suas viagens, na sua cobertura fantástica, no seu carro de mil cavalos, no seu celular da hora, no seu relógio de ouro, nas suas roupas de marca.

– Pensei no seu som importado, no seu computador de mil gigas, na sua poupança gorda, na sua digital incrível, no seu home theater enorme, no seu dvd prateado, na sua tv de plasma, nos seus controles remotos.

– Pensei na sua existência árdua, no tempo que lhe falta para curtir tanta coisa, para ser feliz com isso.

– Pensei em como foi difícil juntar tanta coisa cara, pagar tanta coisa inútil, sobreviver à feroz ansiedade de comprar cada coisa nova que o mundo oferece aos tolos.

– Pensei no seu coração, na sua hipertensão que avança, no seu stress doloroso que lhe mata pouco a pouco.

– Pensei naquelas suas noites em que a cama é feita de espinhos.

– Pensei em como você, às vezes, fica tão deprimido, em como você, às vezes, está alegre e fica triste.

– Pensei em você, hoje!, e também pensei em mim.

– Também acontece comigo. Eu também acho que sou esperto, importante, que tenho tudo na vida.

– E daí que o emprego me mata, que as obrigações me infernizam, e daí que sustento o monstro pra ele ficar de pé!

– E daí que chupam meu sangue, que eu não tenho tempo pra nada, e daí que a empresa consome tudo o que tenho na vida!

– E daí que os meus neurônios estão se transformando em chips!

– E daí que eu sou um idiota e não enxergo isto!

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A respeito de navios

Meu canto, amada,
passeia pela cidade sem alma
e descansa no porto.

A fome, embrutecida mulher,
discursa calma na periferia do porto
e espalha com pressa
sua doce mentira.

O trigo não alimenta
ele abastece de ouro
o estômago dos navios
e derrama o suor salgado do homem
no oceano de sal.

Ao longe, amada,
os guindastes transportam
o sofrimento humano
em pesadas cargas.

Os navios, criaturas pré-históricas,
chegam e partem
trazendo e levando em cada saco
em cada container
um pedaço de alma
um pedaço de corpo
um pedaço de vida.

E ninguém se importa.
Ninguém percebe o sofrimento duro
que os navios transportam.

Os homens procuram comida
(uns nos bares, outros nos lixos)
e comem suas feridas estampadas no bife
e no pão amanhecido.

Estou apreensivo, amada,
amargurado e pensativo
sentado no cais infinito.

Não penso em navios
nem em trigo
nem em feridas.

Penso na alma dos homens
suas vidas tristes
seus olhos sem ritmo
seus corpos anfíbios.

Penso neles, amada,
e no espelho das águas,
à beira do cais,
sou um deles
a vigiar navios.

Ah, amada,
como sou patético
a contar navios e navios
de sofrimento humano
como quem conta estrelas.

E o que importa isso?
Nada os detêm.
Nada os interceptam.

Longe, agora pequeninos,
eles avançam nas águas
carregados de dores
e sem qualquer importância
caem um a um
no abismo azul e profundo
do horizonte sem fim.

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Sonho

Na tristeza de um pensamento perdido
na cena de uma vida sem sentido
vejo um mundo sem ser vivido
pelo meu ser, por ti erguido
quando sonhava com a ilusão da vida.

Olho para meu confuso consciente
ainda inerte na profusão da mente
e tento comunicar a essa gente
a razão por que estou crente
crente na obsessão da verdade
de que uma noite serei eternidade.

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Quando nasci, no momento da dor, do rompimento do meu elo com a minha mãe, no momento do tapa, do choro… eu me perguntei:

Autor: Adriano Cardoso

Nascer é somente isto?

E lá na frente, quando sozinho me vi na escola, sem o apoio da minha mãe, do meu pai, os colegas infernizando… eu me perguntei:

Sentir-se sozinho é somente isto?

E depois, na formatura da universidade, no meio da festa, da euforia, eu me olhei no espelho, e segurando o diploma bonito… eu me perguntei:

Sentir-se realizado é somente isto?

E quando arrumei um emprego, o salário dos sonhos, poder, futuro garantido, olhando da janela para o topo da cidade sem fim… eu me perguntei:

Ser alguém na vida é somente isto?

E, um dia, diante do mar, o verde, o ir e vir, a espuma branca no fundo dos meus olhos, sentindo a alma vibrar… eu me perguntei:

A beleza é somente isto?

E quando o meu amor me deixou, eu, por meses, desesperado, pensei que fosse morrer, mas quando não morri, sentindo meu coração que sofria… eu me perguntei:

O amor é somente isto?

E quando no desemprego, na queda do topo do mundo, eu me vi no chão da cidade dura, com os meus pés no chão, olhando minhas roupas rotas… eu me perguntei:

O fracasso é somente isto?

Doente, sem meios de curar a dor, a dor lancinante que comia o meu corpo, dilacerava minha alma, quando me vi numa cama… eu me perguntei:

A dor é somente isto?

E um dia, os olhos fechando, a vida se esvaindo aos poucos, um som rouco na garganta, sentindo o coração que parava… eu me perguntei:

A morte é somente isto?

A vida é somente isto?

E eu sou somente isto?

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