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Archive for the ‘Linguística’ Category

O que é o ser humano? Quando temos que definir palavras (palavras-conceitos) às vezes as coisas não são tão simples quanto imaginamos. Por exemplo: O que é uma caneta?

s. f., pequeno tubo a que se adapta um aparo e que serve para escrever ou desenhar;

Essa é a definição do dicionário, mas se a caneta não é pequena? Se eu uso a caneta para matar alguém, e não para escrever ou desenhar? Daí você muda a definição e diz “instrumento que tem tinta ou líquido parecido” então uma “injeção” é caneta? Não! Uma caneta sem tinta, é uma caneta? Esses são problemas linguísticos e filosóficos. Mas voltando a primeira pergunta – o que é um ser humano? -, eu vou escrever aqui sobre o ponto de vista existencialista. O problema da caneta é um problema de semântica, diferente do que eu vou falar agora, que é estritamente filosófico.

A filosofia conhecida como existencialismo tem suas raízes no século 19, mas a maioria dos seus textos apareceram no século 20. Existencialistas preferem responder à essa pergunta com outra pergunta, “o que significa existir como um ser humano?” Eles procuram a condição única do ser humano, contrastando com a existência que caracteriza objetos não humanos. A visão existencialista típica é refletida no slogan “existência precede essência”. Entender essa frase é a chave para entender existencialismo, especialmente no trabalho do Sartre. Nós precisamos então, primeiro entender o que ele quer dizer com essa frase (lembrando que isso é um blog, eu recomendo, para quem não o leu, ler seus livros que são muito bons).

É uma visão antiga da filosofia que a essência de algo é o conjunto de propriedades que fazem a coisa ser o que ela é. Objetos não podem perder essas propriedades sem se tornarem objetos diferentes ou tipos diferentes de objetos. A essência de uma árvore de cereja, por exemplo, consiste na sua estrutura firme, estrutura da raiz, construção genética e as flores que ela da uma certa época do ano. Se uma árvore de cerejas é cortada e/ou queimada, ela não é mais uma árvore de cerejas. Ela perdeu a sua essência como uma árvore de cerejas. É claro que nem todas as propriedades exibidas numa árvore de cerejas são essenciais. Sua cor, por exemplo, poderia ser diferente, mas ainda seria a mesma árvore. Sua essência não muda simplesmente por que ela está com outro tom ou uma mudança mínima na sua forma. Porém, a parte importante é que se nós conseguíssemos especificar todas as propriedades essenciais de uma árvore de cerejas (toda sua essência) nós entenderíamos sua existência através da sua essência.

Muitos filósofos dizem que nossa essência pode ser explicada de uma forma análoga da árvore de cerejas. Existencialistas discutem, porém, que nenhuma propriedade essência caracteriza o ser humano, e logo “natureza humana” não pode ser compreendida. Essa visão é avançada em alguns trabalhos existencialistas (e.g., Ortega y Gasset) onde é dito que humanos não tem natureza, mas só história. Em outras palavras, seres humanos fazem suas vidas através da sua capacidade de controlar e moldar sua existência. Árvores e pedras não tem tal capacidade, e em contraste – como Ortega paradoxalmente expressa – um humano é “uma entidade o qual o ser consiste não no que é ‘já’, mas no que não é ainda, um ser que consiste em ainda-não-ser…O homem é um ente que se constrói.” De acordo com ele , dizer que existência precede essência para humanos é dizer que qualquer propriedade que é importante em nos definir é um produto da nossa própria escolha.

Segundo Sartre, essa escolha é feita através da capacidade humana para liberdade absoluta. Porque não existe determinadas propriedades fixadas, Sartre calcula que os humanos são simplesmente livres; mas “homem é a liberdade”. Com essa frase Sartre quer dizer que a realidade humana não pode realmente ser entendida exceto em termos de atos humanos e livre arbítrio. Seria paradoxal mas mesmo assim correto, dizer que para o Sartre a única propriedade essencial dos humanos é seu livre arbítrio.

Seres humanos não são primeiramente entidades “presas” que depois de uma maneira encontram liberdade. “O ser do homem” Sartre diz que é “ser livre”. Uma implicação importante nessa doutrina para todos os existencialistas é que não há nenhuma lei moral objetiva ou standards que os seres humanos devem observar exceto aqueles que ele próprio escolhe. Nós criamos nossa própria moral. Qualquer coisa que nós nos tornamos, então, é um resultado da nossa própria escolha; nós somos responsáveis por qualquer propriedade que nós possuímos precisamente por que eles são produtos da nossa natureza ou da escolha de outra pessoa. Nós somos então deixados sem desculpas pelo  que nós somos. Resumindo, a resposta do Sartre para pergunta “O que é o ser humano?” é que ser humano é fazer suas características através de liberdade e assumir responsabilidade pelo o que é criado.

Sartre também enfatiza a importância do ateísmo para a filosofia dos seres humanos. Sua visão nesse sentido o difere da visão religiosa sobre o que é ser humano. Sartre conecta essa visão ateísta com o slogan “existência precede essência”. Ele acredita que a visão religiosa da criação humana implica que Deus imagina a essência do homem (como uma ideia na sua mente) antes da atual existência dos humanos. Uma razão pela qual Sartre discute contra teísmo é para mostrar que não pode haver nenhuma essência precedente sobre o ser humano pois não há um Deus para ter uma concepção antes dele (ser humano). Logo, Sartre posa um humanismo antiteísta como a única filosofia ética viável.

Como um amante de filosofia, eu espero ter feito esse texto acessível a todos, mesmo os que não tem nenhum conhecimento anterior de Sartre, Camus, de Beauvoir etc. Muitos não gostam de filosofia, ou por que acham nonsense, ou por que alguns escritores e tradutores brasileiros/portugueses tendem a utilizar uma linguagem mais complexa do que é necessária, como eu leio em inglês eu escrevo a “tradução” da minha cabeça, com a minha língua, que é quase coloquial. Essência precede existência não precisa de palavras rebuscadas e arcaicas como eu vejo em alguns sites que tentam esclarecer filosofia; na maioria das vezes me deixando mais confusa do que no começo. Sejamos, como diria o Nietzsche, pensadores livres. 

Fonte: http://letrasdespidas.wordpress.com/2008/02/16/o-que-e-o-ser-humano-existencialismo/

Escrito por Bia Moreira

Fontes de inspiração: Filosofia e a Condição Humana, Existencialismo (Sartre), Introdução à linguística.

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Partindo do princípio do que se convencionou chamar virada lingüística e, de igual modo, de uma crítica ao positivismo, Michel Foucault (França – Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 25 de junho de 1984) lança as bases de sua teorização, que se concentra em torno de uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso, além de ser um pensador da relação entre poder e governo. A partir de 1946 vai estudar na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty.

“Foucault preferia ser chamado de ‘arqueólogo’, dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura – arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses, 1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber)”.

Numa perspectiva de virada cultural, para o pensador, o papel da ciência começa a ser questionado quanto a sua superioridade em relação ao conhecimento do “nativo”, e nisto observa-se também a crítica de que a ciência não é necessariamente conhecimento objetivo, antes ela se insere, faz parte, de uma cultura, isto é, ela é um produto cultural e, também, está contextualizada em dado grupo e determinada época. Não se trata então, de acordo com tal perspectiva, de pensar a ciência como aquela produtora do conhecimento que será aplicado na sociedade, porém a questão agora é pensá-la em relação com o conhecimento produzido na sociedade, em outros termos, no senso comum.

Para ele, a linguagem é autônoma e, por isso, a sociologia deve se preocupar com ela. Nisto ele afirma que a constituição de um indivíduo acontece a partir do discurso, ou seja, se trata de uma constituição discursiva. Tratarei desse ponto mais adiante. O argumento central dessa perspectiva que podemos chamar de hermenêutica, é a concepção que tem da cultura e, também, onde reside a crítica ao positivismo ao afirmar que todo conhecimento passa pela cultura, não sendo, portanto – o conhecimento científico – objetivo, como postulava o credo positivista. O conhecimento então é também interpretação, quer dizer, a ciência interpreta a cultura para explicá-la. Outro aspecto importante é a concepção estética e, nesse ponto, ele recupera Nietzche: “a ciência é uma espécie de cultura, ela deve se concentrar na valorização do ser humano”. E nisto consiste esta concepção estética, que critica a ciência, posto ver a ciência esmagando os seres humanos.

O problema da hermenêutica, rejeitada por Marx, reside em definir como papel da ciência a defesa da cultura, das especificidades, o que denota claramente uma visão de pluralidade. Para essa visão, na medida em que se buscam universalidades, está assim destruindo culturas.

Retomando a questão da virada lingüística nas Ciências Sociais, o que passa a ser objeto de estudo é a própria linguagem, em lugar da cultura. Nesse momento, um grande e importante pensador dessa concepção de virada lingüística, é  Wittgnstein (Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, Viena, 26 de Abril de 1889 — Cambridge, 29 de Abril de 1951 – filósofo austríaco, naturalizado britânico, um dos principais autores da virada lingüística na filosofia do séc. XX). Para ele, a linguagem é algo constitutivo do mundo. Ele compara a linguagem à cidades, onde da mesma forma que o mundo está dividido em cidades, assim também o mundo está dividido em linguagens diversas, onde não há uma mais objetiva que a outra. Este conceito se tornou fundamental nas Ciências Sociais, posto que a sociologia, a partir de então, se torna uma análise da linguagem. Têm-se aqui uma análise textual e semi-ótica – ligada aos símbolos e imagens. Observa-se neste ponto uma mudança quanto ao objeto da sociologia – em relação aos clássicos da sociologia: Marx, Durkeim e Weber.

Para Foucault, a constituição do sujeito acontece a partir do discurso, sendo uma constituição discursiva. Segundo ele, a linguagem é um retrato da realidade, e cada realidade tem uma linguagem diferente. No tocante a isto, ele apresenta a questão dos sistemas de poder, que para ele é exatamente desta forma que está dividida a sociedade na contemporaneidade/modernidade, acrescendo que não se entende o desenvolvimento do conhecimento moderno como instrumento de emancipação, pelo contrário, é de sujeição. Tais sistemas de poder são os aparelhos do Estado e suas instituições, onde se localiza o centro de poder para Foucault, haja vista estarmos numa sociedade da linguagem, o poder se desloca do Estado – como o via Hobbes – para as suas instituições na sociedade civil. E o exercício do poder é constituído de uma materialidade que penetra a estrutura dos corpos e, nestes mecanismos corporais e em seus atos, se encontra o biopoder, como uma autônoma política do corpo, em cuja base estão os processos de disciplinamento corporal.

De acordo com Foucault, o poder está no discurso, e este se torna um aparelho de autodisciplina do sujeito – esta tem relação com sua concepção de subjetivação. Desta forma, ele quer mostrar que todo conhecimento é relativo e depende do sistema de poder, isto é, dos códigos lingüísticos, haja vista que todo conhecimento passa pela linguagem e é linguagem. Então, para ele, o mundo moderno desenvolveu um aparelho de poder específico que incitou, por exemplo, as pessoas a falarem e pensarem sobre sexo, o que provoca o discurso numa esfera de autodisciplina, onde o indivíduo é absorvido nesse mecanismo de dominação. Como para ele a linguagem é uma instituição, e toda instituição é um sistema de poder, o falar sobre sexo, por exemplo, não é um ato emancipatório, pois a característica central é o discurso e este está imbuído de poder.

No que se refere à temática do sexo, Foucault dirá que através dela pode-se bem perceber o biopoder. Sendo este – o biopoder -, um poder sistêmico porque desenvolvimento de um poder político, tendo o Estado como condicionador do comportamento e conduta do sujeito, exercendo um tipo de poder que ele chama de poder pastoral (bem no sentido religioso cristão que enxerga as pessoas como rebanho), é ele, em última instância, que fornece e cria o desejo nas pessoas. Daí ele não enxergar como prática emancipatória o falar sobre sexo. (Apenas fazendo um adendo, é sempre importante contextualizar o autor em sua época para enxergar suas contribuições e seus limites). É importante lembrar que Foucault, em meados da década de 1970, se aborrece com a proposta de Cauguilhem de tornar a sexualidade um tema de investigação filosófica. Quanto a este episódio, ele responde com uma pergunta que dá bem o tom de antipatia à ideia de Cauguilhem: “por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral?”. Tal indagação “desarma a ‘naturalidade’ da questão, já deixa de ser óbvio que o sexo é um problema moral: está claro que alguém, alguma instituição, um poder necessita que o sexo seja supervisionado pela moral”.

Ao mesmo tempo que Foucault coloca como sendo central para as Ciências Sociais a linguagem por esta ser autônoma, ele também diz que a linguagem instituída, no exemplo do falar sobre sexo, não se trata de prática emancipatória, visto que a instituição linguagem é perpassada pelo poder que, para ele, pressupõe dominação. Seria isto uma contradição no pensamento foucaultiano? A meu ver, se bem entendi o que o autor quis dizer quanto a esta questão, há o que chamaria de paradoxo. Na medida em que a linguagem se torna institucionalizada nos aparatos do Estado, ela perde seu caráter autônomo e passa a estar imbuída pelo discurso que este ente – separado da sociedade civil – define como padrão e/ou correto, condicionando assim as situações de fala – para usar termo habermasiano. Nisto, se não me equivoco, não me parece ser uma contradição no pensamento de Foucault, antes ele está apontando para um sutil problema, a saber, o da linguagem se tornar discurso de dominação que, como vimos, sendo a constituição de um indivíduo realizada através do discurso, daí ele afirmar, no exemplo do falar sobre sexo, não se tratar de prática emancipatória. Essa a minha hipótese, e apenas hipótese. Eis aqui uma boa questão, em Foucault, para pensarmos.

Dado o explicitado aqui, podemos observar e inferir que, para Foucault, a ciência é um tipo de instrumento de dominação, o que permitirá ele entender, como papel do sociólogo, ficar ao lado do conhecimento “desqualificado” para requalificá-lo, aquele que está no mundo, isto é, no interior da sociedade. Sintomática sua proposta quanto a isso, pois tendo em vista a hipótese que lancei acima – o conhecimento, o discurso, no limite, a linguagem própria ao campo científico estar ligada aos aparatos do Estado -, Foucault afirmar que, em muitos casos, a fala não se realizar como prática emancipatória. Também nos é perceptível a total mudança, para Foucault, do objeto das Ciências Sociais, como não sendo mais as relações sociais em seu aspecto material, tendo o trabalho como categoria central de análise. Categoria esta cara aos clássicos da Sociologia (Marx, Durkheim e Weber).

Fonte (biográfica):

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio2.pdf

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio1.pdf

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– Muitas pessoas reclamam da linguagem utilizada na internet.

– Reclamam sobre o uso do internetês, ao invés da linguagem normal.

GAROTO-NA-INTERNET
Praticando o internetês

– Não escrevo internetês. Nem sei. Mas vou abrir uma exceção para me sentir por dentro do assunto.
——-
– Digo:

– Também prefiro a linguagem kulta, mas acho q c olharmos através dos tempos vamos verifikar q:

– a língua é dinâmika, n~ é morta (nem a dos velhos é); ela vai c adequando ao seu tempo, metamorfoseando-c, kontinuamente, tomando novas formas, eskrevendo novas regras.

– Também acho q a internet, a tv & a telefonia celular forçam (forçaram) a kriação d 1 nova linguagem muito mais viva: o áudio, o vídeo, os textos kurtos – rápidos; 1 linguagem mais adequada aos novos tempos & muito mais fácil d usar (as regras da língua kulta s~ muito rígidas), porque hoje em dia:

– komunikar-c é 1 ato karo
– komunikar-c deve ser 1 ato fácil
– komunikar-c deve ser 1 ato rápido
– komunicar-c é o q a juventude faz.

– Além disso, a globalização é 1 fato konsumado (gostemos ou n~).

– Por isso, acho q kada sociedade kria sua própria simbologia (porque as línguas s~ diferentes) & entendo q tanto os países do 1º mundo, komo os subdesenvolvidos, vivem o mesmo processo d mutação na sua linguagem.

– N~ acho q isto sejam traços só d domínio kultural, na onda da globalização.

– Desvirtuar a língua mãe, d verdade, fika por konta dos grandes bancos, d grandes empresas & das agências d publicidade kom seus estrangeiramos & nomes d produtos batizados kom palavras d outras línguas.

– Acho, também, q livros, jornais, revistas & dokumentos, no momento, são realidades diferentes, mas temos q konsiderar q o internauta d hoje é quem vai, amanhã, zelar pela língua, fazer literatura, eskrever jornais, revistas & dokumentos.

– Teremos 1 intelektualidade da nova guarda.

– Vamos ver, então, komo fika a língua.

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Ao longo da vida, por diversos motivos, somos obrigados a lidar com todo tipo de provocações e insultos. Apesar de toda cautela, muitas vezes, acabamos nos descontrolando por causa de uma ofensa e geralmente no momento em que menos gostaríamos. O resultado nem sempre é agradável!

Em função disso o filosofo alemão, Artur Schopenhauer escreveu uma obra chamada A arte de insultar (Ed. Martins Fontes).

O livro é dividido em duas partes: Na primeira (Um alfabeto de insolências) a mais interessante, o ensaista e comentador Franco Volpi demonstra como utilizar o insulto ao seu favor e as melhores maneiras de lidar com esse tipo de situação.

O próprio Schopenhauer confirma: Quando perceber que o adversário é superior e a partida está perdida, seja ultrajante e ofensivo. Uma só grosseria supera qualquer argumento.

Na verdade o autor era contra esse tipo de recurso, sendo que ele deveria ser utilizado somente em último caso.

Já a segunda parte (A arte de insultar) serve mais como uma curiosidade a respeito dos insultos que Schopenhauer desferiu ao longo de sua carreira filosófica. Entre essas ofensas, algumas são engraçadas, outras bem preconceituosas, mas no geral extremamente críticas.

Conseqüentemente o livro demonstra que insultar requer treino, sendo uma ciência a ser praticada, consideradas por muito como uma verdadeira arte.

Abaixo vou colocar alguns dos insultos que velho e rabugento Schopenhauer lançou sem dó nem piedade contra a humanidade:

Amigos

Os amigos se dizem sincero, os inimigos o são.

Bem-aventurança

Existe apenas um único erro inato, que é o de acreditarmos que vivemos para sermos felizes.

Cérebro

O cérebro é parasita ou pensionista do corpo inteiro.

Os aperfeiçoadores do mundo

Quem veio ao mundo para instruí-lo seriamente e nas coisas importantes, pode dizer-se felizardo quando consegue salvar sua própria pele.

Deus como pessoa

Quando se estuda o budismo desde as suas origens, ilumina-se a mente; nele não existe aquele discurso estúpido do mundo criado a partir do nada, nem do sujeito inesperado que o criou. Que horror essa sujeira toda!

A morte

Se, numa discussão, um dos muitos que gostariam de saber tudo, mas se recusam a aprender qualquer coisa, nos perguntar a respeito da continuação da vida após a morte, a resposta mais adequada e mais correta é: “Após a morte você será o que era antes de nascer”.

Casamento

Casar-se apenas “por amor” é não ter de se arrepender muito cedo. Casar-se de maneira geral significa colocar a mão dentro de um saco sem ver o que há dentro dele e esperar tirar uma enguia de um emaranhado de serpentes.

Monogamia

No que concerne o relacionamento sexual, nenhum continente é tão imoral quanto a Europa, em conseqüência da monogamia que vai contra a natureza.

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Dentre os diversos preconceitos presentes em nossa sociedade, considero o  linguístico como um dos mais fortes e que não vem sido visto no sentido de eliminá-lo, mas geralmente é formentado por progamas de tv, livros didáticos, revistas e a gramática normativa que pretende estabelecer por meio da norma culta o que é ‘correto’ e  o que é ‘errado’ em nossa língua. Todos esses, claro, não levam em consideração a grande diversidade e variabilidade que a língua assume.

Um livro interessante pra refletir sobre essa questão é Preconceito Linguistico (o que é, como se faz) do linguista Marcos Bagno. O autor, numa obra de linguagem simples e esclarecedora, desenvolve argumentos que ajudam a desconstruir certas falácias a respeito da língua portuguesa falada no Brasil.

Se levarmos em conta que língua é algo vivo, que as pessoas estão sempre construindo e que esta se desenvolve num processo histórico próprio e que antende às necessidades dos indivíduos que a utilizam, não seria adequado atribuir uma variedade mais ‘correta’ que outras, como é o caso do mito de ‘que no Maranhão se fala o português mais correto’.

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Segundo o Wikipédia, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica ou emotiva, mas não validade lógica.

Pegando o gancho de um post do Adriano no blog Letras Despidas, eu resolvi criar o meu próprio dicionário de falácias. Essa lista foi criada através de um netbook chamado Entre a fé e o Niilismo (Mateus Davi) e também através da obra A Arte de ter razão (Artur Schopenhauer).

Mito da pobreza
É a falácia que assume que alguém pobre é mais integro e virtuoso que alguém rico.
Ex: É mais provável que os monges descubram o significado da vida, pois abdicaram da distração que o dinheiro possibilita.

Mito da riqueza
Oposta da pobreza.

Mito do antigo
Essa é a falácia de afirmar que algo é verdadeiro ou bom só porque é antigo ou sempre foi assim.

Você também
É após ser criticado, dizer: você também!

Ataque a crença
O oponente utiliza a crença do indivíduo como forma de ganhar o argumento.
Ex: Oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.

Homem de palha
Consiste em criar idéias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.
Ex: “Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.” Ou ainda, “Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo radical, e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece.”

Argumentação de números
Consiste em afirmar que quanto mais pessoas concordam ou acreditam numa certa proposição mais provavelmente ela estará correta.
Ex: A grande maioria das pessoas desse país acredita que a punição capital é bastante eficiente na diminuição de delitos. Negar isso em face de tantas evidencias é ridículo.

Argumento de misericórdia
É apelo a piedade, também conhecido como suplica especial. A falácia é cometida quando alguém apela à compaixão para convencer através de uma conclusão.
Ex: Eu não assassinei os meus pais com um machado! Por favor, não me acusem, não vê que já estou sofrendo o bastante por ter me tornado órfão.

Generalização grosseira
Ela ocorre quando se cria uma regra geral examinado poucos casos específicos que não representam todos os possíveis.
Ex: Baker foi um cristão pérfido, logo todos os cristãos são.

Apelo ao natural

Falácia comum em argumentos políticos. Uma versão consiste em estabelecer a analogia entre uma conclusão em particular e algum aspecto do mundo natural dizendo então que é algo inevitável.
Ex: O mundo natural é caracterizado pela competição, animais lutam uns contra os outros pela posse de recursos naturais limitados. O capitalismo luta pela posse de capital – é simplesmente um aspecto inevitável da natureza humana.

Concretista
Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como concreto.
Ex: Você descreveu uma pessoa como maldosa. Mas onde fica sua maldade? No cérebro? Cadê? Você não pode nem demonstrar o que diz, suas afirmações são infundadas.

Declínio escorregadio
Consiste em dizer que a ocorrência de um evento acarretará conseqüências daninhas, mas sem apresentar provas para sustentar tal afirmação.
Ex: Se legalizarmos a maconha, então mais pessoas começarão a usar crack e heroína e teríamos que legaliza-la também. Não levara muito tempo até que o país se transforme numa nação de viciados. Logo não se deve legalizar a maconha.

Ataque ao homem
Comete-se quando se ataca a pessoa ao invés do argumento.
Ex: Todos nós sabemos que o nobre deputado é um mentiroso e trapaceiro, portanto como poderemos concordar com sua idéia de redução de impostos.

Argumento circular
A conclusão que se estabelece é usada como premissa ou como suporte de premissa.
Ex: Deus existe porque isso é dito na bíblia. E é claro que a bíblia é um livro totalmente verdadeiro, porque é a palavra de Deus.

Desvio de assunto
Tira-se o foco principal para cair numa outra conclusão que não se relaciona com o presépio.
Ex: Não se deve proibir o fumo em locais fechados. Todos queremos melhorar o ar, mas não é justo proibir os fumantes se há outros problemas mais graves, como a poluição de carros.

Questão complexa
Coloca-se uma questão que não importa a resposta, compromete o opositor.
Ex: Você já parou de bater na sua mulher? Se a resposta for não, é porque ainda bate. E se a resposta for sim, é porque já bateu. Em nenhum dos casos se considera o caso de nunca ter batido.

Falácia da falácia
É quando acusa o outro de estar cometendo uma falácia, sendo que o acusado ainda pode apresentar uma conclusão.

Falácia da tradição
Justifica-se a aceitação de um argumento, baseado no fato de que sempre foi assim.
Ex: Nesta empresa nunca foi permitido que as mulheres ascendessem à posição de diretoria, sempre foi assim e não vai ser agora que isso vai ser possível de acontecer.

Apelo à ignorância
Conclui-se que algo é verdadeiro só porque não pode ser provado como falso.
Ex: Como ninguém prova que fantasmas não existem, eles devem existir.

Apelo à autoridade
Procura-se sustentar um argumento usando a declaração de que muitas vezes especula fora de sua especialidade.
Ex: Você deve tomar 10g de vitamina C por dia, pois isso foi recomendado por Sartre, um grande filósofo existencialista.

Falso dilema
Propõe um número limitado de alternativas, tendendo a tornar uma delas verdadeira.
Ex: Se você não for a favor, então está contra mim.

Argumentação de repetição
A pessoa repete algo até a exaustão.
Ex: Porque vocês são gente fina, eu gosto de vocês e por causa dessa profunda admiração eu…

Apelo ao povo
Comete-se essa falácia quando tenta conquistar a aceitação de uma proposição apelando a um grande número de pessoas.
Ex: A pornografia deve ser banida. Ela é uma violência contra as mulheres.

Simplista
Essa falácia ocorre quando alguém exige uma resposta simplista a uma questão complexa.
Ex: Alto imposto impedem o negócio. Sim ou não?

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