Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Literatura’ Category

Uma crônica que demonstra a questão do biopoder é a EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA de Fernando Veríssimo. De forma bem humorada, ele relata as nossas necessidades ao longo do dia que devem ser supridas para que a vida continue saudável e estável.

O termo Biopoder foi criado pelo filósofo francês Michel Foucault para referir-se à prática dos Estados modernos quanto a regulação dos que a ele estão sujeitos por meio de “uma explosão de técnicas numerosas e diversas para obter a submissão dos corpos e o controle de populações”.

Consequentemente se buscamos seguir a risca todas essas exigências do nosso dia-dia, teriamos severos problemas com o nosso corpo e bem-estar como o próprio Veríssimo ironiza abaixo:

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.

E uma banana pelo potássio.

E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.

Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.

Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia…

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo – e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher… na sua cama.

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.

É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.

E já que vou, levo um jornal… Tchau!

Viva a vida com bom humor!!!

Read Full Post »

Ao acordar naquela manhã de sonhos perturbadores, Gregor Samsa viu-se transformado…

É assim que começa um dos maiores romances do século XX, A metamorfose. Nesse cenário os personagens do escritor Kafka vivenciam um mundo de pesadelos no qual não podem acordar, pois tudo aquilo é o real.

Franz Kafka nasceu em Praga em 1883. Apesar de ser ter permanecido completamente desconhecido durante a vida, foi considerado um dos maiores escritores do séc. XX. Escrito originalmente na Alemanha em 1915 A metamorfose é considerado sua obra-prima.

A narrativa desse romance pode ser avaliada sobre diversas perspectivas simbólicas como a fantasia, a burocratização, alienação e agora,  através das pinceladas de Peter Kuper.


Utilizando-se de uma fusão do expressionismo alemão com os quadrinhos norte-americanos Peter Kuper, fez uma sombria, porém fiel adaptação desse clássico universal.

A admiração de Peter Kuper por entomologia (parte da zoologia que cuida de insetos) começou com os seus cinco anos, porém foi superado pelo seu interesse pelos quadrinhos. Mas graças a Kafka, agora ele não é mais obrigado a escolher entre suas duas paixões.

Uma brilhante adaptação ilustrada do famoso conto de Franz Kafka. É uma leitura extremante prazerosa, no qual todos serão capazes de reconhecer o drama existencial e o inigualável senso de humor do texto original (Susan Bernstein, professora de literatura de estudos germânicos).

Logo nas primeiras páginas, Peter Kuper dedica sua obra a todos os Gregor Samsa do mundo. E isso porque, através de uma rotina sufocante imposta pela modernidade, qualquer um pode se ver ao acordar, se não no corpo de um inseto, ao menos diante de um mundo absurdo.

Read Full Post »

Dostoiévski foi considerado por muitos como o maior escritor de todos os tempos. O autor teve uma vida complicada, repleta de perdas e rupturas. Sua biografia chega a ser espantosa, quase que surreal.

Fiodor Dostoiévski nasceu em 1831 em um hospital para indigentes em Moscou. Após a morte de sua mãe, vítima da tuberculose, ingressa na Escola de Engenharia Militar em São Petersburgo. No ano seguinte o seu pai é assassinado pelos servos de sua propriedade rural. Dostoiévski teve diversas perdas, entre elas: sua primeira mulher, o seu irmão e o seu filho de três anos.

Só e sem recursos, abandona a carreira militar e resolve ser escritor. O seu primeiro livro foi Gente pobre, considerado o primeiro romance social da Rússia. A partir desse época, Dostoiévski começa a ter violentos ataques de epilepsia

Em função desse seu envolvimento político, o autor foi condenado à morte após ser acusado de conspirar contra o Czar. No último momento antes de ser fuzilado, o Czar volta atrás e modifica a pena. Dostoiévski é condenado a quatro anos de trabalhos forçados em uma prisão da Sibéria. Essa terrível experiência foi retratada em seu livro, Recordação da Casa dos mortos.

Entre outros problemas estava o seu vício com os jogos de azar. Por culpa desse inconveniente, Dostoiévski acabou adquirindo uma enorme dívida e teve que fugir da Rússia por alguns anos. Esse epísodio rendeu um livro chamado Um jogador.

Outro destaque é Crime e Castigo. Esse romance narra a história de Raskólnikov, um jovem estudante de direito que comete o assassinato de uma velha agiota e se vê perseguido pela incapacidade de continuar sua vida após o delito. Esse livro é recomendado para quem quer iniciar uma primeira leitura do autor russo.

Mas sua grande obra-prima foi Irmãos Karamazov. Esse romance é único, alcançando as profundezas e os mistérios da alma humana. Nele encontramos estórias ligadas ao assassinato, guerra, miséria, suicido, loucura, religião e ateísmo. Todos esses elementos são encontrados em algum momento em livros como: Humilhados e ofendidos, O idiota, Memórias do subsolo, Demônios entre outros…

O escritor influenciou todo o pensamento ocidental, além de grandes pensadores como Nieztche, Camus, Sartre, Freud e escritores de todo o mundo.

Read Full Post »

O realismo mágico é uma escola literária, também conhecida por realismo fantástico, ou realismo maravilhoso. Entre seus principais nomes estão o colombiano Gabriel García Márquez, o argentino Borges e Julio Cortázar, mas muitos chamam o venezuelano Arturo Uslar Pietri de pai do realismo mágico. No Brasil, um importante representante foi  foi José J. Veiga.

Apesar desse estilo líterario ter ganhado força a partir do século XX, observo que ele tem algumas semelhanças quanto à antiga escrita bíblica.

Esse estilo líterario, lida com situações sobrenaturais e irreais, coisa que encontramos na própria biblía e outros “livros sagrados”. Na religião essas estorias costumam vir através de um tom punitivo invocando pragas, mandamentos, castigos, maldições, milagres, simpatias, demônios e anjos caídos. Tudo isso , dependendo do ponto de vista, pode ser muito divertido e até mesmo sugestivo.

Na literatura, o conteúdo de elementos fantásticos é percebido como parte da “normalidade” do personagem, algo que também encontramos nas histórias bíblicas de Davi e Golias, José e Maria, Jesus e Madalena, Sansão e Dalila.

Em função disso, eu sempre gostei dessa brincadeira de faz-de-conta, isso vem desde a época da infância quando eu jogava Dungeons and Dragons ou Vampiro Idade das Trevas (jogos de RPG) com meus amigos. Esses épicos são relativamente importantes. Os mitos e lendas são metáforas poderosíssimas ou pelo menos servem como uma distração diante do tédio existencial.

Dessa forma, eu “acredito” tanto nas obras dos crônistas sobre Deus, quanto nas obras de Charles Perrault sobre o Gato de botas.

Porém, não sejamos ingênuos. No realismo mágico, muitas vezes, existe uma crítica a própria religião, além de que muitas obras retratam aspectos sociais como: a ditadura, os rituais, as guerras, e o lado sombrio do relacionamento humano.

Inquestionavelmente, eu tenho mais preferência pelas histórias nostálgicas da isolada aldeia de Macondo em Cem anos de Solidão (Gabriel García Marques), do que pelas andanças intermináveis de Jesus Cristo junto a seus apóstolos.

Read Full Post »

Edgar Alan Poe (Boston, 19 de janeiro de 1809 — Baltimore, 7 de outubro de 1849) foi o mestre dos contos policiais e precursor da ficção científica moderna ao lado de Júlio Verne.

Suas histórias são repletas de terror e mistério no qual o sobrenatural e a loucura, misturam-se com a realidade através de delírios, doenças, assassinatos e suicídio. Algumas das suas novelas são The Murders in the Rue Morgue (Os Crimes da Rua Morgue), The Purloined Letter (A Carta Roubada) e The Mystery of Marie Roget (O Mistério de Maria Roget).  Poe tem um sombrio e magistral poema chamado The Crow (O corvo), traduzido para o português por ninguém menos que o poeta Fernando Pessoa.

Allan Poe teve uma vida marginal, sendo constantemente envolvido com doenças, não durava em seus empregos e tinha severos problemas com o álcool.

Esse escritor influenciou grandes nomes da literatura como Donan Doyle, Agtha Cristie, G.K Chestertan, Bioy Casares, J.L Borges e Dostoiévski. Para se ter uma idéia, mais de 125 adaptações para o cinema foram inspiradas a partir de suas obras.

O motivo da morte do escritor causou diversas polêmicas. Entre suas principais versões está a de que ele morreu de tuberculose ou que foi vítima de uma congestão cerebral (lesão no cérebro), talvez complicada por inflamação intestinal, um coração enfraquecido e diabetes. Entretanto , todos os críticos concordam que Allan Poe  após ser encontrado morto, foi recolhido de uma sarjeta, numa rua malvista, na cidade de Baltimore.

Entre suas novelas, eu selecionei duas animações adaptadas diretamente dos seus contos.

A primeira animação, O gato preto, possui características do Expressionismo Alemão como intertítulos, músicas fúnebres e cenários góticos. A história é de um homem alcoólatra que após matar seu animal de estimação, começa a presenciar fatos estranhos em torno de sua vida.

A segunda animação, Coração delator, foi criada em 1953 e é a história de um louco que planeja matar um ancião, invadindo então sua morada.

Confira abaixo:

Read Full Post »

A morte de Ivan Ilitch do russo Leon Tolstoi é um livro pertubador e de uma narrativa magistral poucas vezes alcançada na literatura mundial. Esse pequeno novel (85 páginas) difere de um conto devido unicamente ao seu tamanho e, de um romance, pela trama focar apenas na personagem principal.

A obra retrata a vida do burocrata Ivan Ilitch e sua agonia diante da sua atroz doença terminal. Ilitch teme a morte mais que tudo, pois percebe que sua vida deveria ter sido mais proveitosa, sincera e menos fútil.

A narrativa começa no velório. Em seguida, retrata o casamento com sua esposa (época em que ainda eram felizes junto aos seus dois filhos). À medida que Ivan Ilitch vai subindo de cargo, a burocracia, inconscientemente vai tornando sua vida insatisfatória e desprovida de qualquer significado especial.

Com o tempo Ilitch torna-se um juiz respeitado e recebe uma oferta para morar em outra cidade. Logo compra uma casa e começa a fazer sua decoração. Enquanto trabalhava nesta, Ivan Ilitch leva uma queda da escada, batendo a região do seu rim. Eis, então, o início de seu infortúnio.

Além da doença, tudo piora a partir do momento em que as brigas com sua esposa ficam mais constantes e conforme suas dores começam a se agravar. Ilitch usa seu emprego como válvula de escape.

Conforme suas dores tornam-se insuportáveis, a realidade crua é exposta a personagem. Ilitch percebe que sua vida quanto mais afastada de sua infância, mais vazia foi ficando. Família, emprego, amizades… tudo não passa de uma ilusão. Exceto, talvez, os momentos em que passava junto ao seu criado, que realmente se preocupava com Ilitch durante os momentos de sofrimento.

De certa forma, o livro é um soco no estômago. O ato de morrer é desprovido de qualquer significado ou explicação, o niilismo,  a nadificação, o vazio existencial.

Conforme a leitura se aprofunda, encaramos na morte da personagem o reflexo da nossa própria existência que se esvai gradativamente. A agonia de Ivan Ilicht é terrível, a sua falta de respostas,  sua angústia, sua vontade de viver, o seu medo e o sofrimento acabam encravados  em nossa alma.

Leon Tolstoi (Yasnaya Polyana, 9 de setembro de 1828 - Astapovo, 20 de novembro de 1910)

O livro é uma autobiografia do autor, o qual dizia que levava uma vida desregrada por viver constantemente envolvido com jogatinas, bebidas, prostitutas… Desregramento apenas contido pela sua busca espiritual e fé, porém constantemente abalada por crises existenciais ao longo de sua vida. O próprio Tolstoi dizia: ” não passei um dia em minha vida sem pensar na morte”.

Em vista de tudo isso, A Morte de Ivan Ilitch está entre as obras consideradas universais, pois suas inquietações e angústias pertencem a vida de qualquer ser humano seja qual for sua época. Ajuda-nos, portanto, a refletir sobre a nossa frágil condição humana e sobre o momento final que encerra nossa existência.

Read Full Post »

O diretor russo Alexandr Petrov em 2000 levou o oscar com seu curta animação O velho e o mar.

De maneira artesanal, Petrov pinta os quadros da animação utilizando os seus próprios dedos como pinceis e isso ele faz quadro a quadro. O resultado acaba sendo uma experiência diferenciada para aqueles que assiste.

A animação é uma adaptação do consagrado romance de Ernest Hemingway que foi premiado com o Nobel em 1954.

A história é sobre um velho pescador cubano que foi castigado com uma maré de azar e não conseguiu pegar nenhum peixe em 84 dias. Desanimado o velho fica em sua cama, porém, acaba sendo animado pelo seu nobre amigo, no caso um menino.

A partir de então o veterano decide encarar mais uma vez os perigos do mar e acaba entrando em combate contra um gigante espardate pelas correntes do golfo.

A narrativa tem um tom fantástico. O velho relata seus feitos de maneira épica e tudo caminha para a luta do homem contra si mesmo e contra a fúria da natureza.

Caso você conheça o livro vai se encantar. Se você não o leu, como é o meu caso, certamente vai querer conhecer para saber o que motivou o diretor a fazer essa obra-prima.

A duração do vídeo (infelizmente eu só consegui achar em inglês) é de 20 minutos, acompanhe:

Read Full Post »

Older Posts »

%d blogueiros gostam disto: