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Archive for the ‘Filosofia’ Category

O que é o ser humano? Quando temos que definir palavras (palavras-conceitos) às vezes as coisas não são tão simples quanto imaginamos. Por exemplo: O que é uma caneta?

s. f., pequeno tubo a que se adapta um aparo e que serve para escrever ou desenhar;

Essa é a definição do dicionário, mas se a caneta não é pequena? Se eu uso a caneta para matar alguém, e não para escrever ou desenhar? Daí você muda a definição e diz “instrumento que tem tinta ou líquido parecido” então uma “injeção” é caneta? Não! Uma caneta sem tinta, é uma caneta? Esses são problemas linguísticos e filosóficos. Mas voltando a primeira pergunta – o que é um ser humano? -, eu vou escrever aqui sobre o ponto de vista existencialista. O problema da caneta é um problema de semântica, diferente do que eu vou falar agora, que é estritamente filosófico.

A filosofia conhecida como existencialismo tem suas raízes no século 19, mas a maioria dos seus textos apareceram no século 20. Existencialistas preferem responder à essa pergunta com outra pergunta, “o que significa existir como um ser humano?” Eles procuram a condição única do ser humano, contrastando com a existência que caracteriza objetos não humanos. A visão existencialista típica é refletida no slogan “existência precede essência”. Entender essa frase é a chave para entender existencialismo, especialmente no trabalho do Sartre. Nós precisamos então, primeiro entender o que ele quer dizer com essa frase (lembrando que isso é um blog, eu recomendo, para quem não o leu, ler seus livros que são muito bons).

É uma visão antiga da filosofia que a essência de algo é o conjunto de propriedades que fazem a coisa ser o que ela é. Objetos não podem perder essas propriedades sem se tornarem objetos diferentes ou tipos diferentes de objetos. A essência de uma árvore de cereja, por exemplo, consiste na sua estrutura firme, estrutura da raiz, construção genética e as flores que ela da uma certa época do ano. Se uma árvore de cerejas é cortada e/ou queimada, ela não é mais uma árvore de cerejas. Ela perdeu a sua essência como uma árvore de cerejas. É claro que nem todas as propriedades exibidas numa árvore de cerejas são essenciais. Sua cor, por exemplo, poderia ser diferente, mas ainda seria a mesma árvore. Sua essência não muda simplesmente por que ela está com outro tom ou uma mudança mínima na sua forma. Porém, a parte importante é que se nós conseguíssemos especificar todas as propriedades essenciais de uma árvore de cerejas (toda sua essência) nós entenderíamos sua existência através da sua essência.

Muitos filósofos dizem que nossa essência pode ser explicada de uma forma análoga da árvore de cerejas. Existencialistas discutem, porém, que nenhuma propriedade essência caracteriza o ser humano, e logo “natureza humana” não pode ser compreendida. Essa visão é avançada em alguns trabalhos existencialistas (e.g., Ortega y Gasset) onde é dito que humanos não tem natureza, mas só história. Em outras palavras, seres humanos fazem suas vidas através da sua capacidade de controlar e moldar sua existência. Árvores e pedras não tem tal capacidade, e em contraste – como Ortega paradoxalmente expressa – um humano é “uma entidade o qual o ser consiste não no que é ‘já’, mas no que não é ainda, um ser que consiste em ainda-não-ser…O homem é um ente que se constrói.” De acordo com ele , dizer que existência precede essência para humanos é dizer que qualquer propriedade que é importante em nos definir é um produto da nossa própria escolha.

Segundo Sartre, essa escolha é feita através da capacidade humana para liberdade absoluta. Porque não existe determinadas propriedades fixadas, Sartre calcula que os humanos são simplesmente livres; mas “homem é a liberdade”. Com essa frase Sartre quer dizer que a realidade humana não pode realmente ser entendida exceto em termos de atos humanos e livre arbítrio. Seria paradoxal mas mesmo assim correto, dizer que para o Sartre a única propriedade essencial dos humanos é seu livre arbítrio.

Seres humanos não são primeiramente entidades “presas” que depois de uma maneira encontram liberdade. “O ser do homem” Sartre diz que é “ser livre”. Uma implicação importante nessa doutrina para todos os existencialistas é que não há nenhuma lei moral objetiva ou standards que os seres humanos devem observar exceto aqueles que ele próprio escolhe. Nós criamos nossa própria moral. Qualquer coisa que nós nos tornamos, então, é um resultado da nossa própria escolha; nós somos responsáveis por qualquer propriedade que nós possuímos precisamente por que eles são produtos da nossa natureza ou da escolha de outra pessoa. Nós somos então deixados sem desculpas pelo  que nós somos. Resumindo, a resposta do Sartre para pergunta “O que é o ser humano?” é que ser humano é fazer suas características através de liberdade e assumir responsabilidade pelo o que é criado.

Sartre também enfatiza a importância do ateísmo para a filosofia dos seres humanos. Sua visão nesse sentido o difere da visão religiosa sobre o que é ser humano. Sartre conecta essa visão ateísta com o slogan “existência precede essência”. Ele acredita que a visão religiosa da criação humana implica que Deus imagina a essência do homem (como uma ideia na sua mente) antes da atual existência dos humanos. Uma razão pela qual Sartre discute contra teísmo é para mostrar que não pode haver nenhuma essência precedente sobre o ser humano pois não há um Deus para ter uma concepção antes dele (ser humano). Logo, Sartre posa um humanismo antiteísta como a única filosofia ética viável.

Como um amante de filosofia, eu espero ter feito esse texto acessível a todos, mesmo os que não tem nenhum conhecimento anterior de Sartre, Camus, de Beauvoir etc. Muitos não gostam de filosofia, ou por que acham nonsense, ou por que alguns escritores e tradutores brasileiros/portugueses tendem a utilizar uma linguagem mais complexa do que é necessária, como eu leio em inglês eu escrevo a “tradução” da minha cabeça, com a minha língua, que é quase coloquial. Essência precede existência não precisa de palavras rebuscadas e arcaicas como eu vejo em alguns sites que tentam esclarecer filosofia; na maioria das vezes me deixando mais confusa do que no começo. Sejamos, como diria o Nietzsche, pensadores livres. 

Fonte: http://letrasdespidas.wordpress.com/2008/02/16/o-que-e-o-ser-humano-existencialismo/

Escrito por Bia Moreira

Fontes de inspiração: Filosofia e a Condição Humana, Existencialismo (Sartre), Introdução à linguística.

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Muitos dizem que em breve o mundo vai crescer de uma maneira tão vertiginosa que faltara espaço e alimento. Talvez nesse ponto seja preciso controlar a natalidade populacional. Mas será que isso realmente é um fato social? O homem tem o direito de interferir no processo de criação?

O espectro da superpopulação volta à tona em 2008 em função da baixa passageira de estoque de alimentos da aceleração da degradação do ambiente. Dar uma olhada nos números não é nada confortante: 80 milhões de pessoas a mais no mundo por ano.

Porém, a humanidade não esperou o início do séc. XXI para se preocupar com a superpopulação. Platão e Aristóteles recomendavam aos Estados uma estrita regulamentação da natalidade, o que leva a questão da superpopulação mais como uma questão cultural do que de números. Desde o crescei-vos e multiplicai-vos bíblico vemos o confronto entre natalistas e simpatizantes do controle de natalidade.

Durante muito tempo não se dispôs de estatística – Como não era possível se apoiar em dados, o debate era filosófico, político e religioso. Mas ainda hoje, mesmo com a massa de dados disponíveis a uma forte tendência para um debate apaixonado – e por milhares de anos temeu-se um número muito baixo de nascimento.

Há quarenta mil anos atrás, com meio milhão de habitantes sobre a terra, essa ameaça parecia estar bastante distante. Porém os caçadores necessitavam de um espaço vital que assegurasse a disponibilidade de alimento através da caça. Portanto, a superpopulação é uma noção de geometria variável. Mesmo assim, o imaginário do que é uma superpopulação, continua sendo a de pessoas comprimidas em um ambiente diminuto como em uma lata de sardinhas.

Já na Grécia Antiga, o relevo impunha uma compartimentação: cada bacia se organizava como cidade independente, em dimensões reduzidas. Dessa forma, Platão define uma população ótima em função do espaço e dos recursos disponíveis, e descreve os métodos de organização e funcionamento social. Aristóteles segue o mesmo caminho: De todo modo um número muito grande não pode admitir a ordem. O pensamento democrático grego já coloca os termos do debate tal como encontramos no período contemporâneo: ele é eugenista, malthusiano e xenófobo.

Com extensão do mundo romano, muda-se a escala mais não a mentalidade. A política dos governos é mais natalista. Que constitui uma novidade e um fracasso, pois a natalidade romana continua baixa se comparada a de outros povos.

Com a chegada do cristianismo, a questão passava do mundo cívico e político para o registro religioso e moral. Um intenso debate se estabeleceu em torno dos méritos respectivos da virgindade. Porém o velho testamento não traz nenhuma ambigüidade: Crescei-vos e multiplicai-vos. Com isso na Idade Media houve um crescimento populacional significativo.

Assim seguiu o mundo ocidental até o início do séc. XIX. Ora o povo era visto como um flagelo, ora como uma riqueza. Todos desenvolveram suas explicações e formularam suas recomendações, embora a ferramenta estatística continuasse muito deficiente.

Com isso, a obra de Thomas Malthus é um divisor de águas na história demográficas. A população afirma o economista e pastor britânico, aumenta mais rápido que a produção de alimentos, o que inevitavelmente conduzirá à superpopulação e à fome em grande escala. Se deixarmos assim, as conseqüências serão brutais e dolorosas, com a natureza encarregando-se de eliminar o excedente humano; ou então realizamos o controle de natalidade. Segundo Malthus a rápida disseminação da miséria é um risco para toda a humanidade.

Contrapondo Malthus, Pierre-Prouhon respondeu que não havia problema de superpopulação. Se a miséria se propaga, é por causa do sistema ofensivo de propriedade que confere a alguns um poder injusto sobre os outros. Karl Marx pouco interessado na questão demográfica em si, considerava Malthus um inimigo da classe trabalhadora, referindo-se a ele como um insolente a serviço da classe dirigente, culpado do pecado contra a ciência e da difamação da raça humana.

Há somente um homem excedente na Terra: Malthus (Pierre-joseph Proudhon).

Esses debates prosseguiram até meados do século XX, quando a humanidade entra em um crescimento desenfreado: três bilhões de pessoas em 1950, 6 bilhões em 2000. Os demógrafos, filósofos, políticos e religiosos ficam dividido quanto à interpretação do fenômeno.

Mas na virada do século os antimalthusianos buscam tranqüilizar, apoiando-se nos fenômenos de transição demográfica em curso: as taxas de fecundidade estão desmoronando em todos os lugares, inclusive em países muito pobres. Assim a população se estabilizaria em torno dos nove bilhões em 2050 e 10 bilhões por volta de 20150. Dado que esse planeta garante a maioria dos demógrafos, seria capaz de alimentar ainda 10 bilhões de pessoas.

Mas é desejável atingir esse número? Afinal o empilhamento de 10 bilhões de pessoas, mesmo que fossem bem alimentadas, continua sendo um empilhamento de gente.

No início de 2012, espera-se a chegada do sétimo bilionésimo cidadão do mundo. Esse pequeno tem sete chances em dez de nascer em um país pobre, em uma família desfavorecida. Devemos enviar-lhe uma carta de boas-vindas ou uma carta de desculpas?

Resumo do artigo: Um planeta muito populoso, de George Minois (demógrafo) escrito para o Le Monde Diplomatique Brasil.

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Para Karl Marx, grande crítico do sistema capitalista, o trabalho não era algo a ser abolido, sendo um problema maior a exploração em si. Para o autor, a atividade do trabalho é uma condição da existência humana, independente de qual seja a fórmula da sociedade, sendo a mesma uma necessidade entre o homem e a natureza. Hannah Arendt também defende uma postura semelhante, dividindo a condição humana entre ação, labor e trabalho.

Porém, atualmente, no capitalismo o trabalho tem adquirido proporções esquizofrênicas, invadindo o âmbito do lazer e do consumo.

Horário de trabalho
O momento de folga para muitos, não representa necessariamente o de lazer. O ócio vai ficando para trás. Mesmo quando não se está no trabalho, os consumidores passam a maior parte do seu tempo em atividades domésticas.

Muitas vezes trabalhando de ‘graça’ para determinadas empresas, o consumidor reserva suas passagens, vai ao supermercado, enche seu carrinho, enfrenta enormes filas, instala seus próprios programas no computador ou conserta algum objeto danificado.

Mas essas funções são tidas como uma opção do trabalhador. É lógico que essas horas extras não são pagas diariamente, mas pelo menos se economiza o salário. O melhor de tudo é que os trabalhos nas horas vagas não tem perigo de levar ao desemprego A princípio tudo isso gera um mal-estar para o consumidor-trabalhador; mas logo suas tarefas passam a ser considerado um ato-heroico e de livre escolha.

Enquanto uma automação dos serviços prestados ao consumidor não se torna eficiente, resta a ele ser atendido por um serviço obsoleto, como é o caso de muitos telemarketings que após uma longa e tediosa espera o saúda com um “obrigado por sua preferência”.

Inevitavelmente, dentro desse sistema de panes, o consumidor se torna cada vez mais trabalhador, afastando-se das suas horas de descanso, sendo empurrado e obrigado a fazer diversas atividades por conta própria, adquirindo assim, o lazer de trabalhar.

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Partindo do princípio do que se convencionou chamar virada lingüística e, de igual modo, de uma crítica ao positivismo, Michel Foucault (França – Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 25 de junho de 1984) lança as bases de sua teorização, que se concentra em torno de uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso, além de ser um pensador da relação entre poder e governo. A partir de 1946 vai estudar na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty.

“Foucault preferia ser chamado de ‘arqueólogo’, dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura – arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses, 1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber)”.

Numa perspectiva de virada cultural, para o pensador, o papel da ciência começa a ser questionado quanto a sua superioridade em relação ao conhecimento do “nativo”, e nisto observa-se também a crítica de que a ciência não é necessariamente conhecimento objetivo, antes ela se insere, faz parte, de uma cultura, isto é, ela é um produto cultural e, também, está contextualizada em dado grupo e determinada época. Não se trata então, de acordo com tal perspectiva, de pensar a ciência como aquela produtora do conhecimento que será aplicado na sociedade, porém a questão agora é pensá-la em relação com o conhecimento produzido na sociedade, em outros termos, no senso comum.

Para ele, a linguagem é autônoma e, por isso, a sociologia deve se preocupar com ela. Nisto ele afirma que a constituição de um indivíduo acontece a partir do discurso, ou seja, se trata de uma constituição discursiva. Tratarei desse ponto mais adiante. O argumento central dessa perspectiva que podemos chamar de hermenêutica, é a concepção que tem da cultura e, também, onde reside a crítica ao positivismo ao afirmar que todo conhecimento passa pela cultura, não sendo, portanto – o conhecimento científico – objetivo, como postulava o credo positivista. O conhecimento então é também interpretação, quer dizer, a ciência interpreta a cultura para explicá-la. Outro aspecto importante é a concepção estética e, nesse ponto, ele recupera Nietzche: “a ciência é uma espécie de cultura, ela deve se concentrar na valorização do ser humano”. E nisto consiste esta concepção estética, que critica a ciência, posto ver a ciência esmagando os seres humanos.

O problema da hermenêutica, rejeitada por Marx, reside em definir como papel da ciência a defesa da cultura, das especificidades, o que denota claramente uma visão de pluralidade. Para essa visão, na medida em que se buscam universalidades, está assim destruindo culturas.

Retomando a questão da virada lingüística nas Ciências Sociais, o que passa a ser objeto de estudo é a própria linguagem, em lugar da cultura. Nesse momento, um grande e importante pensador dessa concepção de virada lingüística, é  Wittgnstein (Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, Viena, 26 de Abril de 1889 — Cambridge, 29 de Abril de 1951 – filósofo austríaco, naturalizado britânico, um dos principais autores da virada lingüística na filosofia do séc. XX). Para ele, a linguagem é algo constitutivo do mundo. Ele compara a linguagem à cidades, onde da mesma forma que o mundo está dividido em cidades, assim também o mundo está dividido em linguagens diversas, onde não há uma mais objetiva que a outra. Este conceito se tornou fundamental nas Ciências Sociais, posto que a sociologia, a partir de então, se torna uma análise da linguagem. Têm-se aqui uma análise textual e semi-ótica – ligada aos símbolos e imagens. Observa-se neste ponto uma mudança quanto ao objeto da sociologia – em relação aos clássicos da sociologia: Marx, Durkeim e Weber.

Para Foucault, a constituição do sujeito acontece a partir do discurso, sendo uma constituição discursiva. Segundo ele, a linguagem é um retrato da realidade, e cada realidade tem uma linguagem diferente. No tocante a isto, ele apresenta a questão dos sistemas de poder, que para ele é exatamente desta forma que está dividida a sociedade na contemporaneidade/modernidade, acrescendo que não se entende o desenvolvimento do conhecimento moderno como instrumento de emancipação, pelo contrário, é de sujeição. Tais sistemas de poder são os aparelhos do Estado e suas instituições, onde se localiza o centro de poder para Foucault, haja vista estarmos numa sociedade da linguagem, o poder se desloca do Estado – como o via Hobbes – para as suas instituições na sociedade civil. E o exercício do poder é constituído de uma materialidade que penetra a estrutura dos corpos e, nestes mecanismos corporais e em seus atos, se encontra o biopoder, como uma autônoma política do corpo, em cuja base estão os processos de disciplinamento corporal.

De acordo com Foucault, o poder está no discurso, e este se torna um aparelho de autodisciplina do sujeito – esta tem relação com sua concepção de subjetivação. Desta forma, ele quer mostrar que todo conhecimento é relativo e depende do sistema de poder, isto é, dos códigos lingüísticos, haja vista que todo conhecimento passa pela linguagem e é linguagem. Então, para ele, o mundo moderno desenvolveu um aparelho de poder específico que incitou, por exemplo, as pessoas a falarem e pensarem sobre sexo, o que provoca o discurso numa esfera de autodisciplina, onde o indivíduo é absorvido nesse mecanismo de dominação. Como para ele a linguagem é uma instituição, e toda instituição é um sistema de poder, o falar sobre sexo, por exemplo, não é um ato emancipatório, pois a característica central é o discurso e este está imbuído de poder.

No que se refere à temática do sexo, Foucault dirá que através dela pode-se bem perceber o biopoder. Sendo este – o biopoder -, um poder sistêmico porque desenvolvimento de um poder político, tendo o Estado como condicionador do comportamento e conduta do sujeito, exercendo um tipo de poder que ele chama de poder pastoral (bem no sentido religioso cristão que enxerga as pessoas como rebanho), é ele, em última instância, que fornece e cria o desejo nas pessoas. Daí ele não enxergar como prática emancipatória o falar sobre sexo. (Apenas fazendo um adendo, é sempre importante contextualizar o autor em sua época para enxergar suas contribuições e seus limites). É importante lembrar que Foucault, em meados da década de 1970, se aborrece com a proposta de Cauguilhem de tornar a sexualidade um tema de investigação filosófica. Quanto a este episódio, ele responde com uma pergunta que dá bem o tom de antipatia à ideia de Cauguilhem: “por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral?”. Tal indagação “desarma a ‘naturalidade’ da questão, já deixa de ser óbvio que o sexo é um problema moral: está claro que alguém, alguma instituição, um poder necessita que o sexo seja supervisionado pela moral”.

Ao mesmo tempo que Foucault coloca como sendo central para as Ciências Sociais a linguagem por esta ser autônoma, ele também diz que a linguagem instituída, no exemplo do falar sobre sexo, não se trata de prática emancipatória, visto que a instituição linguagem é perpassada pelo poder que, para ele, pressupõe dominação. Seria isto uma contradição no pensamento foucaultiano? A meu ver, se bem entendi o que o autor quis dizer quanto a esta questão, há o que chamaria de paradoxo. Na medida em que a linguagem se torna institucionalizada nos aparatos do Estado, ela perde seu caráter autônomo e passa a estar imbuída pelo discurso que este ente – separado da sociedade civil – define como padrão e/ou correto, condicionando assim as situações de fala – para usar termo habermasiano. Nisto, se não me equivoco, não me parece ser uma contradição no pensamento de Foucault, antes ele está apontando para um sutil problema, a saber, o da linguagem se tornar discurso de dominação que, como vimos, sendo a constituição de um indivíduo realizada através do discurso, daí ele afirmar, no exemplo do falar sobre sexo, não se tratar de prática emancipatória. Essa a minha hipótese, e apenas hipótese. Eis aqui uma boa questão, em Foucault, para pensarmos.

Dado o explicitado aqui, podemos observar e inferir que, para Foucault, a ciência é um tipo de instrumento de dominação, o que permitirá ele entender, como papel do sociólogo, ficar ao lado do conhecimento “desqualificado” para requalificá-lo, aquele que está no mundo, isto é, no interior da sociedade. Sintomática sua proposta quanto a isso, pois tendo em vista a hipótese que lancei acima – o conhecimento, o discurso, no limite, a linguagem própria ao campo científico estar ligada aos aparatos do Estado -, Foucault afirmar que, em muitos casos, a fala não se realizar como prática emancipatória. Também nos é perceptível a total mudança, para Foucault, do objeto das Ciências Sociais, como não sendo mais as relações sociais em seu aspecto material, tendo o trabalho como categoria central de análise. Categoria esta cara aos clássicos da Sociologia (Marx, Durkheim e Weber).

Fonte (biográfica):

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio2.pdf

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio1.pdf

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Neste artigo, tentarei apresentar as propostas de Karl Raimund Popper (Viena, 28 de Julho de 1902 — Londres, 17 de Setembro de 1994, foi um filósofo da ciência austríaco naturalizado britânico. É considerado por muitos como o filósofo mais influente do séc. XX a tematizar a ciência. Foi também um filósofo social e político de estatura considerável, um grande defensor da democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo) no que tange o critério de falsificabilidade como critério de demarcação nas ciências empíricas, isto é, entre o discurso científico e outros tipos de conhecimento, na tentativa de estabelecer um critério que permita distinguir uma teoria científica da metafísica. Para tanto, faz-se oportuno e fundamental refletir sobre as seguintes questões: Como demarcar uma teoria científica? Quais são os critérios necessários?

O autor, em sua obra A Lógica da Pesquisa Científica, inicia fazendo uma crítica a proposição empirista que, como critério de demarcação para separar o que é ciência do que é metafísica, propunham o critério do verificacionismo, caracterizada pelo fato de empregarem os chamados “métodos indutivos”, critério segundo o qual uma proposição é significativa se, e apenas se, puder ser verificada empiricamente, isto é, se houver um método empírico para decidir se é verdadeira ou falsa. Segundo o processo de indução, o sentido cognitivo de uma frase é o seu método de verificação – Moritz Schilick e F. Waismann – e se chega a leis universais através da indução, onde o enunciado só é comprovado a partir de sua verificação, sendo, portanto uma generalização. A partir do momento que certas condições sejam satisfatórias, é legítimo generalizar de observações singulares para uma lei universal. Popper contrapõe-se ao critério adotado pelos indutivistas que, por sua vez, pelo método da lógica indutiva, ambicionavam demarcar aquilo que poderia ser legítimo ou não em ciência. Com isto, o autor não pretende voltar ao ideal positivista de instituir critérios de sentido que excluam ou marginalizem qualquer tipo de saber (especialmente o metafísico), fazendo com que a Ciência estivesse protegida de toda e qualquer “tentação” metafísica.

A preocupação do nosso autor é diferenciar a ciência da pseudo-ciência.  Para ele, as questões que se colocam são do tipo: Quando deve ser considerada científica uma teoria? Qual o critério que determina o status científico de uma teoria? A resposta à essas questões que ele conhecia dizia que “a ciência distingue-se da pseudo-ciência – ou da metafísica – pelo seu método empírico, que é essencialmente indutivo, isto é, que parte da observação ou da experimentação”, resposta essa que não o convencia. No raciocínio indutivo passamos de um caso (isto é, de um juízo particular) para todos os casos (isto é, para um juízo universal). Para Popper, este critério possui uma complicação, qual seja: se os juízos da experiência são sempre particulares e contingentes (isto é, a relação que neles se estabelece entre o sujeito e o predicado é particular e contingente), como se pode formular um juízo universal e necessário que legitime as pretensões das ciências de possuírem leis com um caráter universal e necessário? Para ele, a conclusão de um argumento, não poderia ter mais alcance do que suas próprias premissas. É errôneo uma proposição científica de caráter universal se fundamentar em premissas que consistem num conjunto finito de proposições singulares. Desse modo, o positivismo difundiu uma concepção amplamente aceita, tornando-se paradigma (nas ciências naturais, posteriormente tentando estendê-lo ao âmbito das ciências em geral), que identifica a ciência como uma atividade estritamente indutiva que, a partir de umas tantas observações e experiências, avança hipóteses e formula leis sobre os fenômenos, procedendo depois à sua generalização e verificação.

Popper então propõe que, ao contrário do que se dizia, o trabalho do cientista consiste em elaborar teorias e pô-las à prova. Eis o princípio fundamental do seu falsificacionismo a partir do qual se poderia determinar a cientificidade de uma proposição: uma proposição só pode considerar-se científica, se dela for possível deduzir um conjunto de enunciados de observação que possam falsificá-la, ainda que não a falsifiquem necessariamente. Para ele, o que certifica e determina a cientificidade de uma teoria, é o fato dela ser falsificável, pois permite avaliar o seu grau de verossimilhança e, desse modo, afastá-la e demarcá-la de teorias pseudo-científicas.

Podemos tentar resumir os critérios propostos por Popper para determinar o estatuto científico de uma teoria, aos seguintes princípios:

* Uma teoria que não é susceptível de refutação não é considerada científica. A irrefutabilidade não é uma virtude, mas sim um erro;

* Todo o teste ou contrastação é uma tentativa para refutar uma teoria. Neste sentido, quanto mais à prova a teoria for exposta equivale à refutabilidade. Algumas teorias são mais testáveis e, por isso, estão mais expostas à refutação;

* A descoberta de novos fatos que estão de acordo com as predições de uma teoria, não confirmam por si só a teoria, mas única e exclusivamente a corroboram. Uma teoria que é corroborada, quando passa em um teste ou contrastação com outras teorias, isto é, quando uma observação cujo resultado poderia eventualmente refutar a teoria não se confirma, robustece a própria teoria sem, no entanto a confirmar.

É importante ressaltar, que o critério de falsificabilidade proposto por Popper, não consiste num critério de sentido ou significação, mas sim no traçar de uma linha divisória entre o discurso científico e outros tipos de conhecimento. As afirmações de caráter metafísico não possuem estatuto científico na medida em que não são susceptíveis de serem falsificadas; o seu caráter de sentido ou significação não é posto em causa; é este fato que nos permite diferenciar Popper das posições assumidas pelos autores do positivismo lógico.

Entendamos melhor este critério de falsificabilidade.

Popper estabelece quatro diferentes linhas ao longo das quais se podem submeter à prova uma teoria:

1º- “[…] comparação lógica das conclusões umas às outras, com o que se põe à prova a coerência interna do sistema”.

2º- “[…] investigação da forma lógica da teoria, com o objetivo de determinar se ela apresenta o caráter de uma teoria empírica ou científica, ou se é, por exemplo, tautológica”.

3º- “[…] comparação com outras teorias, com o objetivo de ordem científica, no caso de passar satisfatoriamente as várias provas”.

4º- “[…] comprovação da teoria por meio de aplicações empíricas das conclusões que dela se possam deduzir”.

Isto é o que o autor chama de Prova Dedutiva de Teorias, dado que, uma vez propostas, as teorias terão que ser comprovadas rigorosa e implacavelmente pela observação e a experimentação. As teorias que não superam as provas observáveis e experimentais devem ser eliminadas e substituídas por outras conjecturas. A ciência progride graças ao ensaio e ao erro, às conjecturas e refutações. O método da ciência é o método de conjecturas audazes e engenhosas seguidas de tentativas rigorosas de falseá-las. Só sobrevivem as teorias mais aptas, em outras palavras, àquelas que forem mais resistentes às provas. Nunca se pode dizer, portanto, que uma teoria é verdadeira, pode-se dizer com otimismo que é a melhor disponível, que é melhor que qualquer das que existiam antes. Segundo as palavras do próprio autor:

“Importa acentuar que uma decisão positiva só pode proporcionar alicerce temporário à teoria, pois subsequentes decisões negativas sempre poderão constituir-se em motivo para rejeitá-la. Na medida em que a teoria resista a provas pormenorizadas e severas, e não seja suplantada por outra, no curso do progresso científico, poderemos dizer que ela ‘comprovou sua qualidade’ ou foi ‘corroborada’ pela experiência passada”.

Segundo o falsificacionismo, pode-se demonstrar que algumas teorias são falsas recorrendo aos resultados da observação e da experimentação. Por outro lado é possível efetuar deduções lógicas, partindo de enunciados observáveis singulares como premissas, e chegar à falsificação de teorias e leis universais mediante uma dedução lógica. Utilizando um exemplo dado pelo próprio Popper: num determinado lugar e num determinado tempo, observou-se um corvo que não era negro. A conclusão a que se chega é a de que nem todos os corvos são negros. Assim, podemos dizer que se trata de uma dedução logicamente válida.

Seguindo o método popperiano, o que se explora ao máximo é a questão lógica. Considera-se aqui que a ciência é um conjunto de hipóteses que se propõem a modo de ensaio com o propósito de descobrir ou explicar de um modo preciso o comportamento de algum aspecto do mundo ou universo. No entanto, nem todas as hipóteses o conseguem. Há uma condição fundamental para que qualquer hipótese tenha o estatuto de teoria científica ou lei científica, essa hipótese tem de ser falsificável. E uma hipótese é falsificada se existe um enunciado observável ou um conjunto de enunciados logicamente possíveis que sejam incompatíveis com ela, isto é, que em caso de serem estabelecidos como verdadeiros, falsificariam a hipótese. A idéia é a seguinte: para que uma teoria possua um conteúdo informativo, terá que correr o risco de ser falsificada.

Então, uma boa teoria ou lei científica é falsificada justamente porque faz afirmações definidas acerca do mundo. Toda boa teoria será aquela que faz afirmações de amplo alcance acerca do mundo e que, ao ser testada, resista à falsificação. As teorias que tenham sido falsificadas devem, por conseguinte, ser rejeitadas, visto que, como afirma Popper, ao descobrirmos que a nossa conjectura era falsa, aprendemos muito sobre a verdade e chegaremos mais perto dela. Aprendemos com os nossos erros. “A ciência progride mediante o ensaio e o erro”.

O progresso da ciência, tal como o vê o falsificacionista, poderá resumir-se da seguinte forma:

* a ciência começa com problemas, problemas que estão associados à explicação do comportamento de alguns aspectos do mundo;

* o cientista propõe hipóteses falsificáveis para solucionar os problemas;

* as hipóteses são criticadas e comprovadas, algumas são eliminadas rapidamente, outras podem ter mais êxito;

* estas devem submeter-se a críticas e provas mais rigorosas;

* quando finalmente se falsifica uma hipótese que tenha superado com sucesso uma grande variedade de testes, surge um novo problema, que é a invenção de novas hipóteses, seguidas de novas críticas e provas.

Este processo continua indefinidamente. Por isso nunca se pode afirmar que uma teoria é verdadeira, por muitas provas rigorosas que tenha superado, somente podemos afirmar que a teoria em vigor é superior às suas predecessoras, no sentido de que foi capaz de superar testes que falsificaram as teorias anteriores. No dizer de Popper “(…) só há um caminho para a ciência: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte nos separe – a não ser que obtenhamos uma solução. Mas, mesmo que obtenhamos uma solução, poderemos então descobrir, para nosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderemos trabalhar, com um sentido, até ao fim dos nossos dias”.

Fonte: K., Popper, A Lógica da Pesquisa Científica, São Paulo, editora Cultrix.

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Na famosa passagem de Platão (República) conhecida como Mito da Caverna de Platão, o filósofo coloca sua visão da condição humana e principalmente do conhecimento humano em relação a realidade como um todo.

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Imagine, uma enorme caverna, ligada ao mundo exterior por uma passagem longa o bastante para impedir que qualquer luz do dia penetre na própria caverna. Olhando para a parede do fundo com as costas voltadas para a entrada está uma fila de prisioneiros. Não só os seus membros estão acorrentados como também têm seus pescoços presos, de uma maneira que não conseguem mover suas cabeças, e portanto não conseguem olhar um para o outro, e não podem ver nenhuma parte de si mesmos. Tudo que podem ver é a parede à sua frente. Têm estado nessa situação por toda existência.

Na caverna, atrás deles, há uma grande fogueira. Por causa da luz e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, e suas experiências seria incompreensível para aquelas pessoas cuja a linguagem só teria sombras e ecos como referências.

Tudo que podem ver é a parede a sua frente. (Platão)

O modo de começar a ver essa alegoria é ver a nós, como aprisionados em nossos próprios corpos, tendo como companhia outros prisioneiros igual a nós., e todos nós, somos incapazes de discenir os seres reais um do outro, ou ao menos nosso próprio ser real. Nossa experiência direta não é a própria realidade, mas do que está em nossas mentes.

Essa alegoria foi retomada por muitos teóricos do cinema desde 1920. A caverna platônica é as vezes comparada com a camera escura, descrita como uma peça cuja a único abertura é um buraco mínusculo em uma das suas paredes.

sala-escura-de-cinemaSobre a parede oposta desenha-se a reprodução exata, mas invertida daquilo que se poderia ver do lado de fora. A caverna de Platão também foi comparada com uma sala de cinema: os espectadores sendo os prisioneiros acorrentados e as imagens na tela, as sombras projetadas sobre os muros da gruta.

O Mito da Caverna também foi muito utilizado por filósofos como Karl Marx quando vai analisar a ideologia. É nessa tradição que diversos autores começaram  teorizar os “dispostivos” do cinema a partir da déca de 70.

Fonte: História da Filosofia – Bryan Magee

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“Explicações místicas são consideradas profundas. Mas a verdade é que elas não são sequer superficiais.”
Friedrich Nietzsche

“Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias.”
– Camus

A fé, mesmo quando é profunda, nunca é completa.
– Jean-Paul Sartre

“Há algo débil e um pouco desprezível no homem que não consegue de encarar as adversidades da vida sem a ajuda de mitos confortáveis.”
— Bertrand Russell

“Qualquer indivíduo que realmente acredite que seres supra-humanos concederam à nossa raça informações sobre os objetivos de sua existência e do mundo ainda está em sua infância. Não há outra revelação senão os pensamentos dos sábios — e mesmo esses pensamentos estão sujeitos a erros, como é a sina de tudo o que é humano.”
— Arthur Schopenhauer

“A religião católica é uma instrução para mendigar o céu, que seria muito difícil merecer. Os padres são os intermediários dessa mendicância.”
— Arthur Schopenhauer

“O homem faz a religião, mas a religião não faz o homem.”
– Karl Marx

“Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”
— Friedrich Nietzsche

“Uma visita ao hospício mostra que a fé não prova nada.”
— Friedrich Nietzsche

“As características que foram dadas ao “Ser verdadeiro” das coisas são características do não-Ser, do Nada. Construiu-se o “mundo verdadeiro” a partir da contradição com o mundo efetivo: de fato, o mundo verdadeiro é um mundo aparente, à medida que não passa de uma ilusão ótica de ordem moral.”
— Friedrich Nietzsche

“Por simples bom senso, não acredito em Deus. Em nenhum.”
— Charles Chaplin

“Enquanto o padre, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão for aceito como uma variedade de homem superior, não poderá haver resposta à pergunta: Que é a verdade? A verdade já foi posta de cabeça para baixo quando o advogado do nada foi confundido com o representante da verdade.”
— Friedrich Nietzsche

“Sou ateu porque não há evidência para a existência de Deus. Isso deve ser tudo que se precisa dizer sobre isso: sem evidência, sem crença.”
— Dan Barker

“Fé” significa não querer saber o que é a verdade.”
— Friedrich Nietzsche

“Penso que só há um caminho para a ciência ou para a filosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-se por ele; casar e viver feliz com ele até que a morte vos separe — a não ser que encontrem outro problema ainda mais fascinante, ou, evidentemente, a não ser que obtenham uma solução. Mas, mesmo que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para vosso deleite, a existência de toda uma família de problemas-filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim dos vossos dias.”
— Karl Popper

“Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados — em vez de os dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um bule de chá chinês girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o bule é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal bule fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade.”
— Bertrand Russell

“… [a religião é] um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável e que, por outro lado, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustrações que tenha experimentado aqui. O homem comum só pode imaginar essa Providência sob a figura de um pai ilimitadamente engrandecido. Apenas um ser desse tipo pode compreender as necessidades dos filhos dos homens, enternecer-se com suas preces e aplacar-se com os sinais de seu remorso. Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida. Mais humilhante ainda é descobrir como é vasto o número de pessoas de hoje que não podem deixar de perceber que essa religião é insustentável e, não obstante isso, tentam defendê-la, item por item, numa série de lamentáveis atos retrógrados.”
— Sigmund Freud

“As pessoas dirão que, sem os consolos da religião, elas seriam intoleravelmente infelizes. Tanto quanto este argumento é verdadeiro, também é covarde. Ninguém senão um covarde escolheria conscientemente viver no paraíso dos tolos. Quando um homem suspeita da infidelidade de sua esposa, não lhe dizem que é melhor fechar os olhos à evidência. Não consigo ver a razão pela qual ignorar as evidências deveria ser desprezível em um caso e admirável no outro.”
— Bertrand Russell

“No cristianismo, nem a moral nem a religião têm qualquer ponto de contado com a realidade. São oferecidas causas puramente imaginárias (“Deus”, “alma”, “eu”, “espírito”, “livre arbítrio” — ou mesmo o “não-livre”) e efeitos puramente imaginários (“pecado”, “salvação”, “graça”, “punição”, “remissão dos pecados”). Um intercurso entre seres imaginários (“Deus”, “espíritos”, “almas”); uma história natural imaginária (antropocêntrica; uma negação total do conceito de causas naturais); uma psicologia imaginária (mal-entendidos sobre si, interpretações equivocadas de sentimentos gerais agradáveis ou desagradáveis, por exemplo, os estados do nervus sympathicus com a ajuda da linguagem simbólica da idiossincrasia moral-religiosa — “arrependimento”, “peso na consciência”, “tentação do demônio”, “a presença de Deus”); uma teleologia imaginária (o “reino de Deus”, “o juízo final”, a “vida eterna”). — Esse mundo puramente fictício, com muita desvantagem, se distingue do mundo dos sonhos; o último ao menos reflete a realidade, enquanto aquele falsifica, desvaloriza e nega a realidade. Após o conceito de “natureza” ter sido usado como oposto ao conceito de “Deus”, a palavra “natural” forçosamente tomou o significado de “abominável” — todo esse mundo fictício tem sua origem no ódio contra o natural (— a realidade! —), é evidência de um profundo mal-estar com a efetividade… Isso explica tudo. Quem tem motivos para fugir da realidade? Quem sofre com ela. Mas sofrer com a realidade significa uma existência malograda… A preponderância do sofrimento sobre o prazer é a causa dessa moral e religião fictícias: mas tal preponderância, no entanto, também fornece a fórmula para a décadence…”
— Friedrich Nietzsche

“O cristão comum. — Se o cristianismo tivesse razão em suas teses acerca de um Deus vingador, da pecaminosidade universal, da predestinação e do perigo de uma danação eterna, seria um indício de imbecilidade e falta de caráter não se tornar padre, apóstolo ou eremita e trabalhar, com temor e tremor, unicamente pela própria salvação; pois seria absurdo perder assim o benefício eterno, em troca da comodidade temporal. Supondo que se creia realmente nessas coisas, o cristão comum é uma figura deplorável, um ser que não sabe contar até três, e que, justamente por sua incapacidade mental, não mereceria ser punido tão duramente quanto promete o cristianismo.”
— Friedrich Nietzsche

“Se papai Noel existe, e acreditamos nele, no natal ele entrará pela nossa chaminé para colocar presentes debaixo da árvore. Se papai Noel existe, e não acreditamos nele, ficamos sem presentes. Se papai Noel não existe, e acreditamos nele, nada perdemos. Se papai Noel não existe, e não acreditamos nele, nada ganhamos. Portanto, a opção mais vantajosa é acreditarmos no papai Noel.”
— André Cancian

“Deus está morto.”

— Friedrich Nietzsche

“O crédulo — A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilógica na ocorrência do improvável. Ela contém um sabor platônico; extrapola o processo intelectual normal e atravessa o viscoso domínio da metafísica transcendental. O homem de fé é aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista. Não que ele seja uma mula; é, na realidade, um doente. Pior ainda, é incurável, porque o desapontamento, sendo essencialmente um fenômeno objetivo, não consegue afetar sua enfermidade subjetiva. Sua fé se apodera da virulência de uma infecção crônica. O que ele diz, em suma, é: “Vamos confiar em Deus, Aquele que sempre nos tapeou no passado”.”
— Henry L. Mencken

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