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Archive for the ‘Poesias’ Category

Pois é pensamento

Estás aí caído

Tentando disfarçar

A dor do peito

Da inútil jactância

Pérfida, corrosiva, voraz

Acorda dessa medonha

Disfarçatez imbecil

Enche esse peito

De dignidade e nobreza

Inclina essa serviz

Liberta-te dessa fatídica

Existência de mediocridade

De piedade e arrogância

Olha a tua volta

E se renda a verdade

Da beleza do outro

Da delicatez simplória

Invista-se, permita-se, desloque-se

Ao menos na tentativa

De enxergar, ver, olhar

Esbraveja logo tudo

É inevitável a queda

Mas sossega, sim

No movimento da vida

Não há justo, injusto

Apenas susto, assusto

Nada mais que fluxo, refluxo

Acontece, esquece

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À Hora da Noite

A noite se vai e continuo a querê-la

Que aos montantes me traz

Vontade e fome de tantos vocês

Vocês que me habitam

Coexistem comigo na vida

Solicitam-me no escuro

Repousam na hora do sol

Quietos permanecem assistindo

O movimento, o barulho, a pressa

E na noite despertar escolhem

Despertando-me com vocês

Para em meio a eles, juntos

Pensamentos, sentimentos, ideias

Refletirmos às imagens

Sensações e impressões

Traduzir o que possível for

Codificar sem aprisionar

Ciente de não poder conter

Essa vastidão de vocês

Deixar sentir, escutar, ser levado

Por vocês que apenas têm

Essa ingovernável necessidade

De comunicar o que sente

Transbordar em palavras

Rebentar no papel

A mim se entregar

Convidando-me a com vocês

Lançando-nos por estradas

Caminhos, becos, ruas

Onde o mundo não acaba

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Roda, roda, roda

Fácil dá uma volta

Difícil é à volta

Respira o ambiente

Tateia as sensações

Pára não sabe onde

Chega a qualquer lugar

Que pouco importa

O atraso provável

No curso daquilo

Que não faz sentido

Não penetra sem auxílio

Pena que o auxílio

Sendo ele inerente

De fato não está

Perceptível aos olhos

E como haveria de estar?

Quando tudo gira

Tudo some, se consome

Onde está a evolução?

No tocante a isto

Não há adequação

Paixão, ação, refração

Ah tendenciosidade fugaz

Essa de julgar

Uma empiria descompassada

Ah especiezinha essa

Contudo não deixa de ser

Terrivelmente fascinante

Embora teatralmente deprimente

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Em alguma época meu coração se deliciava com a possibilidade de transformar o mundo num lugar melhor.
inferno-de-dante
Parece-me que as injustiças sociais são maiores aos olhos dos adolescentes engajados na luta do bem contra o mal.
Mais velhos parece-me que enxergamos a sociedade com outros olhos.
Talvez com os olhos dos que acreditam que a sociedade – principalmente a brasileira – não tem jeito mesmo.
É má, preconceituosa, racista, egoísta, hipócrita, cínica… filha-da-puta.
Adolescente, então, escrevi um poema de protesto sob a minha ótica de adolescente.
E arrisquei-me, sem conhecer nada de português, a criar palavras que pudessem explicar a minha revolta.
E fiz!
Aí vai o poema Poederno.
Que, naquela época, era a minha paixão.
Desfomeação, poederno, desfomeação
desfomeação antes que seja tarde, desfomeação!

Estamos na rua com nosso poederno
nosso espaço-crise
nossa subsistência
nossa passeética
falsamente entalhado em nossos sorrisos patéticos
porque andamos cronometricamente controlados na rua
feito máquinas
feito marionetes.

Andemos esquizofrenicamente atabalhoados
neuroticamente arrasados
democraticamente ludibriados
esfomeadamente modernizados.

Nossa dieta mental são mil jornais
mil revistas
pressionadamente mentirosos
esteticamente sistematizados nas normas da direção.
Nossos sonhos são previsões estatísticas
graficamente inventadas
matematicamente fabricadas
por computadores humanamente controlados.

Andamos pensando em nos matar
se nós nos matamos
o povo
esta sociedade falida de idéias próprias
aprende a morrer por um ideal secularmente sonhado
e nunca realizado:
a liberdade.

Andamos desgraçadamente esquecidos na rua
esta rua de várias cores
de várias línguas
vários credos
vários sonhos
esta rua nazistamente venerada
socialistamente ideológica
marxistamente utópica
capitalistamente arrasada
por padrões desavergonhadamente falsos
e ultrapassados
que estão graficamente demonstrados e derrotados
na luta do organizar.

Andamos com inflatite nos bolsos desavantajados
andamos com sequestrites políticas
assassinites patológicas
desorganizite governamental
andamos numa rua que é uma dúzia de ovos recém-botados.
Estamos com um caos estampado em nossos passos cansados
pela nossa perturbação massal.
Estamos emocionalmente perdidos nesta entidade destroçada
pelo pensamento tecnológico.

Andamos rastejando nesta rua salarialmente falsa
estruturalmente abalada
deficientemente retratada.
Estamos assistindo à masturbação geral-mental-covarde
de um monte de mentes impotentes
para tirar do corpo desta grande mulher o fogo ardente
que queima aceleradamente
o órgão vital desta vida imensa.

Andamos controlados por pressão remota
andamos russamente abalados
americanamente desacreditados
arabicadamente petrolados
subdesenvolvidamente acorrentados
mundialmente abandonados.

Nossos dólares acabaram-se:
não dão para o ônibus e o bife.
Estamos voltando a pé pra casa:
desgraçadamente esfomeados
revolucionariamente desejosos.

Nossas mulheres sentadas na cama
desgostosamente mal vestidas
fisicamente amareladas
balançam nossos filhos magros e adoentados
esquecidamente adormecidos
friamente desagasalhados
culturalmente semi-analfabetizados
e nos esperam
para mais uma discussão conjugalmente econômica.

Não temos dólares
nem petróleo
nem petrodólares.
Temos vida
somos gente.
Temos fome
frio
sede
anseios.
Temos vontade de viver como homem como mulher.
Temos o universo predestinadamente dividido
e doado
mas eternamente castigado pela força
de falsos deuses
falsos homens.

Andamos pensando em nos matar:
assim os deuses modernos aprendem a compreender
nosso poederno
nossa liberdética
nossa dialética
nossa fome
nosso frio
nossa sede
nossos anseios
pateticamente ludibriados
abandonados
arrasados e jogados nos cofres de aço
de um monte de fanfarrões
ignorantemente cultos
desajustadamente estúpidos
que são os deuses homens que comandam nossas ruas.

Desfomeação, poederno, desfomeação
desfomeação antes que seja tarde, desfomeação!
E pronto!
Quando eu fiz este poema parecia que eu já havia feito a minha parte, cumprido com a minha obrigação social.
Arroubos juvenis!
O buraco é muito mais embaixo.
O inferno na sociedade
E de gente bem intencionada o inferno está cheio.
Principalmente de poetas revolucionários.
De revolucionários poetas.
E de adolescentes sonhadores.

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O poço

Voltemos um pouco a nós!
Não fiquemos esquecidos no poço.
No fundo poço do medo, no fundo poço do ódio,
no fundo poço do asco, no fundo poço da morte.

No poço! No poço! No poço!
Do fundo do calabouço, no poço vil das palavras,
no seco poço dos olhos, no negro poço da alma,
no estéril poço do corpo.

No poço! No fundo! No fundo do poço!
No poço dos sacrilégios, no amargo poço do tédio,
no estreito poço do ego.

No poço! No poço! No poço!
No sujo poço dos vermes, no poço das tentativas
surdas, cegas, fugidias de sermos sulcos de terra,
não sulcos de sangue e pedra,
não urros de estranha fera,
caída, suada, ferida no fundo sujo do poço
do fundo do calabouço de nossa suposta vida,
de nosso perdido vulto, de nosso calado grito.

No fundo!, no vago fundo do poço,
do mudo fundo do poço, no cego fundo do poço,
do poço sempre terrível
que espalha, retrata e pinta
o rosto inerte, opaco daquilo que somos agora,
daquilo que fomos outrora,
sentados no frio do poço,
do fundo do calabouço de nossa própria armadilha,
de nossa mesma agonia de sermos, todos os dias,
um medo, um ódio, um asco,
o olho vivo do poço, o escuro do calabouço
do nosso poço que é poço,
do fundo poço do poço do poço – poço do poço!,
essência de nossas bocas desenho de nossas línguas,
orgulho de nossas vísceras
que é tudo lama do poço:
paredes, águas e o limo.
Que é tudo frio do poço: o sangue, o suor e a linfa.
Que é tudo morto no poço: o grito!… o silêncio!… a vida!

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O silêncio latido

Cadê meu travesseiro?
A noite chegou
o amor me aperta.

casal-dormindo

O amor aperta

Sossega, amor!
Não quero brincar de sofrer.

Amor durão
travesso
velho!
Amor eterno!

O silêncio do amor é doído.

Na rua,
o cachorro late sua velha canção.

Eu penso
silenciosamente penso
no latido que ouço!…

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O sonho

Parou no vermelho
esperou o verde
penetrou no negro
dormiu no espaço
sonhou que era lua
acordou refletido
na poça de sangue
no meio da rua.

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