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Archive for the ‘Educação’ Category

A metáfora criada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu busca explicar como a escola, ao não levar em conta o capital cultural de alunos vindos de diferentes meios sociais, ajuda a manter a desigualdade através de um discurso da livre-iniciativa que resulta na manutenção do status quo.

Em função, disso para Bordieu, o discurso de igualdade que a escola prega não funciona na prática. O mito do gênio é negado. Nota-se que o autor não fala de excessões e sim de regras normativas que se perpetuam ao longo do tempo.

Vários autores passaram a mostrar que nem sempre as desigualdades sociais se reproduzem completamente na sala de aula. Mas, contudo, as conclusões de Bourdieu não foram contestadas.

Segue abaixo o vídeo que apresenta uma síntese relacionado ao conceito de capital cultural:

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Por Adriano Senkevics

No texto anterior, critiquei a postura do PSDB diante da educação do Brasil e, principalmente, do estado de São Paulo. Não entrei no mérito, entretanto, de citar os principais profissionais que “trabalharam” pela educação no nosso estado. Neste texto, vou discutir a atuação do Paulo Renato Souza, atual secretário da educação e ex-ministro da educação do governo FHC, e da Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária da educação de São Paulo do governo Serra.

O mérito descabido

Paulo Renato Souza

Infelizmente, as políticas educacionais do estado de São Paulo tem se concentrado na aplicação de medidas puramente meritocráticas que foram postas em práticas já faz uns anos e, até agora, não apontaram nenhum resultado palpável, a não ser a indignação dos professores. Em entrevistas concedidas à revista Veja, que os endossa com todas as letras, Maria Helena e Paulo Renato defendem, explicitamente, a adoção de tais medidas.

Referindo-se aos professores, Maria Helena diz: “Eles querem aumento de salário, sim, mas dissociado do desempenho”. Além dela, existe um esforço da mídia (e os colunistas Cláudio de Moura Castro e principalmente Gustavo Ioschpe estão aí para provar) em separar remuneração e desempenho. Para eles, a motivação do professor ao receber um salário – dignamente maior, diga-se de passagem – pouco se relaciona com o seu desempenho em sala de aula, ou seja, dissocia-se uma remuneração maior de uma oferta e qualidade de ensino também maiores.

Não podemos ser tolos de achar que só isso basta, já que há muitas outras questões envolvidas. Mas não é segredo para ninguém que a remuneração do professor é baixa. Segundo a Folha de S. Paulo, em 2007 um professor da rede pública de São Paulo recebia em torno de R$ 8,05 por hora-aula. Para 30 horas semanais, sua remuneração era, somada ao piso, de R$ 966. Para efeito de comparação, no Acre, a hora-aula valia R$ 13,16 e as mesmas horas de trabalho rendiam R$ 1.580, uma diferença de 39%, que aumenta para 60% se considerarmos os custos de vida maiores da capital econômica do Brasil.

Maria Helena Guimarães de Castro

Na entrevista citada, Maria Helena deixa claro que aumentar o salário, sem que haja uma competição entre os professores, é inútil. Na política do nosso estado, tanto os professores quanto as escolas, recebem mais dinheiro se obtiverem bons resultados nos testes padronizados. Por mais que isso pareça uma política positiva no sentido de incentivar os profissionais da educação – seja o educador, seja a gestão –, no fundo revela-se o descaso com escolas e professores que encontram maiores dificuldades.

Essa afirmação tem fundamento, basta vermos a heterogeneidade das escolas públicas. Os professores do estado não lecionam sob as mesmas condições, tampouco as escolas estão sob as mesmas condições. A infra-estrutura, o corpo docente, a clientela etc, são diferentes entre os distintos ambientes de trabalho. Como, então, esperar que se faça justiça aplicando um teste que vai avaliar os resultados dessas diferentes realidades, de modo a classificá-las e premiá-las?

Para citar um caso recente de um mérito (mais que) descabido, temos uma política que o Paulo Renato quis implementar: premiar com R$ 50 os alunos que frequentarem os reforços aos quais foram convocados. A revista Nova Escola criticou a tal política. Na reportagem, eles mostram a ineficiência de políticas semelhantes aplicadas em outros países e, principalmente, criticam os valores que estariam sendo transmitidos. Em poucas palavras, é a mercantilização de qualquer interesse de se estudar. Pela pressão contrária, Paulo Renato recuou.

O conflito com os professores

Manifestação de professores no vão do Museu de Arte de São Paulo

Sendo da natureza do modelo meritocrático (clique aqui para ler minha série de textos sobre) a responsabilização dos ‘vencedores’ e ‘vencidos’, o governo de São Paulo, em parte, lava as mãos colocando a culpa pelo fracasso escolar nos professores. Até o ex-secretário da educação do governo Alckmin, Gabriel Chalita, que não é nenhum progressista, criticou essa conduta.

Apontar as razões não significa necessariamente apontar os culpados. Não vai se alcançar o êxito do sistema de ensino se se apenas continuar premiando os melhores professores e esperar uma mobilização dos docentes por um ensino melhor. Além da remuneração de base, a escola conta com outras dificuldades. Os investimentos em educação, de um modo geral, são muito baixos.

Segundo o UOL Educação, em uma pesquisa de 2008 que levantou qual o investimento anual por aluno, de 33 países o Brasil ficou em último lugar. Aqui, investe-se apenas R$ 2.439 por aluno, por ano. Outros países do continente americano, como Chile e México, investem entre R$ 3.514 e R$ 6.586. Na Europa, temos Portugal com R$ 10.246, demais países variando entre R$ 15.735 e R$ 20.736. Os Estados Unidos, liderando a lista, investem anualmente R$ 21.956 por aluno.

Faculdade de Educação da USP

Não vou ser falso, entretanto, de jogar a culpa no governo do estado de São Paulo por isso, já que é um dado nacional, que pouco foi trabalhado pelo FHC e pelo Lula. Mas, se o nosso estado estivesse antenado às razões maiores da condição atual da educação, por que desloca tantos esforços na crítica ao professor? Por que desvalidam tudo que o sindicato dos professores reivindica, taxando-os de corporativistas e atrasados?

Coerente com essa lógica torpe, Paulo Renato afirma que as faculdades de educação se preocupam em demasia com questões teóricas, em vez da prática do ensino. A maior resistência, segundo ele, vem das maiores universidades, como a USP e a Unicamp. Maria Helena, por sua vez, defende que, num mundo ideal, “fecharia todas as faculdades de pedagogia, até mesmo as mais conceituadas, como a USP e Unicamp, e recomeçaria tudo do zero”.

Para eles, o que interessa são as questões puramente pragmáticas. Mas, é engraçado porque, como estudante e futuro licenciado pela USP (duplamente citada acima), sei que o currículo da licenciatura na faculdade de educação é baseado em uma disciplina introdutória, duas disciplinas de metodologia do ensino, uma de didática, uma de política e organização e uma de psicologia da educação. Onde está, então, o foco nas questões unicamente teóricas e ideológicas? Mesmo assim, não seria importante para um licenciado e um pedagogo aprender as questões pedagógicas, sociológicas, filosóficas e psicológicas da educação? Será que a prática do ensino não se desenvolve principalmente na experiência do ensinar?

Conclusão

Paulo Renato e José Serra: o que pode sair da eleição?

Com esse texto, pretendi mostrar o conflito de interesses que o governo do estado de São Paulo possui com os professores e educadores. É necessário ponderar todas as políticas propostas por eles. Por mais que pareçam positivas, práticas e interessantes em uma primeira leitura, as próprias propostas escondem problemas muito maiores: atestam a negligência do governo com as questões mais centrais e os problemas mais enraizados do ensino de São Paulo.

Geraldo Alckmin já foi eleito e, com ele, alguém da turma do PSDB deve voltar. No entanto, temo pela eleição de José Serra, que pretende aplicar em âmbito nacional o que vem sendo aplicado em 16 anos de PSDB no governo de São Paulo. Foram 16 onerosos anos para a educação do nosso estado.

 

Fonte

Blog Letras Despidas – http://letrasdespidas.wordpress.com/

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Por Adriano Senkevics

Caros leitores, em quatro anos de blog sempre mantive um posição apartidária. Não só no Letras Despidas, mas em tudo que eu discuto no dia-a-dia, nunca levanto a bandeira de um partido. Entretanto, tendo em vista os prejuízos que o governo do PSDB tem causado na educação do Estado de São Paulo, em 16 anos de governo (e mais 4 estão garantidos com a eleição de Geraldo Alckmin), somados aos prejuízos dos 8 anos de FHC, escrevo esse post argumento por que não devemos votar no José Serra para presidente.

Para isso, fiz uma pesquisa consultando o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), as páginas amarelas da Revista VEJA, o sindicato de professores de São Paulo (Apeoesp), os jornais Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo, a revista Nova Escola e o Centro de Mídia Independente. Os resultados serão expostos em dois textos.

Balanço do governo do PSBD no Brasil

Fernando Henrique Cardoso (1994-2002)

Em 8 anos de FHC, nenhuma universidade foi construída. Sequer houve reajuste das bolsas de pós-graduação e de Iniciação Científica. O Plano Nacional de Pós-Graduação foi abandonado. O investimento em Ciência e Tecnologia (C&T) não passou de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa de bancada (auxílio de custos à pesquisa) e o auxílio-tese (ajuda de custo na confecção da dissertação/tese) foram extintos. A contratação de docentes ficou congelada.

Em contrapartida, nos 8 anos de governo Lula, houve 3 reajustes de bolsas de pós-graduação e Iniciação Científica. Foi implantada a bolsa de Iniciação Científica Júnior, voltada a alunos do ensino médio. Criou-se 14 universidades, além da expansão de outros campi. O Plano Nacional de Pós-Graduação foi retomado, estando na sua segunda edição. Novos concursos para contratação de docentes foram abertos. O investimento em C&T subiu para valores próximos a 2% do PIB. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) retomou a taxa-bancada e as mulheres foram beneficiadas com prorrogação de bolsas em caso de gravidez (“licença-maternidade”).

Balanço do governo do PSDB no Estado de São Paulo

José Serra (2007-2010)

Em São Paulo, tivemos uma legião de negligentes (tema do próximo artigo). A começar pelo governador José Serra, que em seu primeiro dia de mandato assinou o decreto 51.461 que feria gravemente a autonomia administrativa das universidades paulistas e das FATEC’s. Também é sintomático constatar que o salário dos docentes da USP, Unicamp e Unesp ficaram menores que as universidades federais, sendo que aquelas estão entre as universidades mais importantes da nação.

O salário dos professores da rede estadual também aponta para o descaso: no estado mais rico da federação, os professores ganham menos que os do Acre, Roraima, Rio de Janeiro, Tocantins e Mato Grosso, sendo que deveria haver pelo menos uma equiparação. Não é de se surpreender que a Apeoesp entre em conflitos constantes com Serra, que trata a reivindicação de um sindicato que representa 130 mil professores como mero interesse corporativista. Na realidade, Serra culpa a Apeoesp pela baixa qualidade de ensino.

O governo do Estado de São Paulo se negou a implantar a lei federal 11.161/05 que torna obrigatório o ensino de Língua Espanhol, essencial para um país localizado num continente rodeado de países latino-hispânicos. Assim como se negou a aplicar a lei federal 11.738/08, que destinava um terço da jornada de trabalho do professor para atividades extraclasses, incluindo a formação continuada.

16 anos em São Paulo, o que esperar?

Em 2009, segundo o Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais de Execução Orçamentária), o governo de São Paulo gastou apenas metade da verba destinada a programas de formação continuada de professores, como a Rede do Saber. Estava previsto em 90 milhões de reais e foram aplicados apenas 44 milhões.

São Paulo também não possui um Plano Estadual de Educação. E a política salarial dos professores se traduz em uma política de bônus e abonos. Em tese, as escolas e os professores que apresentarem o melhor rendimento escolar ganham um aumento de salário. Essa política, à primeira vista positiva, revela o descaso que o governo tem com as escolas de pior desempenho. O professor fica totalmente responsabilizado, como se as condições de ensino em todas as escolas fossem iguais.

Maria Helena, ex-secretária da educação no governo Serra

O governo também preparou um material de reforço de baixíssima qualidade. As apostilas continham erros crassos, como a América do Sul com dois “Paraguais”, ou Cristóvão Colombo chegando às Américas em 1942. Além disso, em 2009 a Secretaria da Educação de São Paulo teve redução de investimentos em 361 milhões. Por que, se o que a educação mais precisa hoje é de mais investimentos? Até que ponto esse descaso educacional vai nos levar?

Em São Paulo, tampouco é possível fazermos uma análise comparativa com o governo de outros partidos, pois só temos visto o PSDB à frente do nosso governo. Repito o que disse em outro post: nós, paulistanos, adoramos criticar o Maranhão pela família Sarney e a Bahia pelos ACM. Vamos cair na real: os coronéis de São Paulo são o PSDB, de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Fonte

Blog Letras Despidas – http://letrasdespidas.wordpress.com/

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