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Posts Tagged ‘real’

Amor x Ódio

Aposto no ódio, cuspo no amor.
amor e odio
O amor, tá na cara, é doente; o ódio, saudável e promissor.
É questão de lógica: o gigante x o anão.
O amor se esquiva; sobrevive aos trancos&barrancos nos folhetins novelescos.
O ódio é real, está nas ruas; na voz que grita o assalto, na voz de quem pede a esmola, nos olhos de quem exige amor.
O amor se isola e se imola nas conversas dos que já odeiam e pensam amar.
O ódio é correto, cheio de moral.
Não se esconde de nada, ao contrário está sempre disposto a mostrar sua cara, a dar o melhor de si.
O amor se desuniversaliza.
O ódio atravessa as fronteiras, das terras e dos corações.
O amor é lerdo, negocia-se por muito tempo o seu preço.
O ódio é lépido, é de graça, não necessita negociação.
Aposto tudo o que tenho no ódio, até o meu pseudoamor, as minhas esperanças.
o amor não tem futuro.
O ódio é o nosso objetivo.
E não demora o enterro do último ser que amou.
E eu quero estar preparado, com o meu ódio em dia.
Pronto para enfrentar os tempos que virão.
Que não serão bonitos de ver, de viver… conviver.
E muito menos de sentir…
O futuro chumbo negro da alma.

E do coração

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Na famosa passagem de Platão (República) conhecida como Mito da Caverna de Platão, o filósofo coloca sua visão da condição humana e principalmente do conhecimento humano em relação a realidade como um todo.

o-mito-da-caverna-de-platão

Imagine, uma enorme caverna, ligada ao mundo exterior por uma passagem longa o bastante para impedir que qualquer luz do dia penetre na própria caverna. Olhando para a parede do fundo com as costas voltadas para a entrada está uma fila de prisioneiros. Não só os seus membros estão acorrentados como também têm seus pescoços presos, de uma maneira que não conseguem mover suas cabeças, e portanto não conseguem olhar um para o outro, e não podem ver nenhuma parte de si mesmos. Tudo que podem ver é a parede à sua frente. Têm estado nessa situação por toda existência.

Na caverna, atrás deles, há uma grande fogueira. Por causa da luz e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.

Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, e suas experiências seria incompreensível para aquelas pessoas cuja a linguagem só teria sombras e ecos como referências.

Tudo que podem ver é a parede a sua frente. (Platão)

O modo de começar a ver essa alegoria é ver a nós, como aprisionados em nossos próprios corpos, tendo como companhia outros prisioneiros igual a nós., e todos nós, somos incapazes de discenir os seres reais um do outro, ou ao menos nosso próprio ser real. Nossa experiência direta não é a própria realidade, mas do que está em nossas mentes.

Essa alegoria foi retomada por muitos teóricos do cinema desde 1920. A caverna platônica é as vezes comparada com a camera escura, descrita como uma peça cuja a único abertura é um buraco mínusculo em uma das suas paredes.

sala-escura-de-cinemaSobre a parede oposta desenha-se a reprodução exata, mas invertida daquilo que se poderia ver do lado de fora. A caverna de Platão também foi comparada com uma sala de cinema: os espectadores sendo os prisioneiros acorrentados e as imagens na tela, as sombras projetadas sobre os muros da gruta.

O Mito da Caverna também foi muito utilizado por filósofos como Karl Marx quando vai analisar a ideologia. É nessa tradição que diversos autores começaram  teorizar os “dispostivos” do cinema a partir da déca de 70.

Fonte: História da Filosofia – Bryan Magee

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