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Posts Tagged ‘machismo’

Essa me contaram, quase que não acreditei.

Wanderlise era um brancão bonitão, homofóbico e racista.

Seu maior amigo era Lindinauro, um mulatão bonitão, homofóbico e racista.

Ambos haviam estudado juntos, tinham famílias: pais, avós, irmãos, irmãos e muitos amigos.

Durante o dia eram pessoas comuns:

Wanderlise trabalhava numa empresa, Lindinauro em outra; à tarde se encontravam para tomar umas cervejas e falar dos assuntos que mais gostavam: gays e negros; às vezes incluíam na conversa os índios, os orientais e as putas.

Faziam piadas, riam; afinal, eram grandes amigos, machos pra caralho e eram ousados… muito ousados.

À noite, depois da cervejinha, saíam pra dar um rolé pela cidade no carro de Wanderlise.

Aí era hora de tomar atitudes, mostrar ao mundo os verdadeiros homens que eram; era hora de cumprir com a obrigação e por que não fazer do compromisso noturno um pouco de diversão.

Viam um gay, paravam o carro, desciam; tome porrada.

Um negro; tome porrada.

Às vezes um índio ou um oriental; tome porrada.

Puta; tome porrada.

Até um sem-teto; tome porrada.

E riam, faziam piadas…, e tome porrada.

Mais tarde, outra cervejinha, o balanço das porradas da noite, a sensação de dever cumprido e a conclusão que haviam melhorado um pouco o mundo.

Entravam novamente no carro e saíam.

Aí é que entra a história que eu quase não acreditei.

Não iam pra casa imediatamente.

Paravam num motelzinho fora da cidade e lá passavam algumas horas.

O maior segredo do mundo: Wanderlise e Lindinauro se amavam.

Wanderlise babava pelo ‘enorme mulatão’ de Lindinauro, e Lindinauro lambia os beiços pelo ‘enorme brancão’ de Wanderlise.

E assim passavam os dias:

Durante o dia, trabalho; à noite, horror; de madrugada, amor.

E dizem que foram felizes para sempre.

Foi o que me contaram.

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Eu queria tanto, Kualina Lésia, que você se libertasse da sua condição de mulher!

Mas, porra, como é difícil!

O mundo inteiro tá querendo matar o patriarcado/machismo e você, vítima numerada na testa, o defende com o fio das suas garras.

Não sei mais o que fazer!

Acho que vou decretar: você, Kualina – minha companheira – está livre!

Você é uma mulher livre, não de mim que nunca fui seu dono, mas da sua subserviência aos padrões masculinos.

(…)

Não, eu não bebi!

Nem estou doido!

Nem deixei de te amar!

E, por favor, não precisa se matar!

Tudo bem, volte pra sua cela!

Deixa de trabalhar!

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Ultimamente, tenho presenciado diversos casos de violência contra as mulheres. Em comum, todos são atitudes deploráveis de extremo machismo realizado por seus agressores sob diversas formas.

Certa vez, sentado no banco de trás do ônibus, eu ouvi uma mulher conversando no celular, pedindo para que seu namorado não impedisse sua entrada em casa. Entre choros e lamentos, ela pediu perdão e implorou para o “bonitão” não atear fogo em seus pertences. Enfim, não conheço nada da vida do casal, mas acredito que nada justificaria tal ato.

Outro caso, ocorreu na universidade. Enquanto estava sentado, na mesa vizinha três rapazes conversavam exaltadamente. Um deles em um tom de seriedade disse que encontrou uma menina tão feia, que pensou em dar uma porrada em sua cara para ver se “consertava” a criatura. Todos aprovaram. E eu fiz questão de me retirar rapidamente daquele local.

No mesmo dia, enquanto acompanhava as notícias de um jornal, acabei encontrando dois casos graves: Um deles a mulher foi morta por seu marido através de golpes de marteladas e a outra foi morta a tiros na porta de casa por um namorado ciúmento que não suportou o fim do relacionamento. Esses tipos de casos são rotina em muitos lugares do país.

“O sistema patriarcal é de dominação. O homem sente-se dono da mulher, a vê como uma propriedade e acha que tem o direito de agredi-la, matá-la, puni-la severamente. Ele é criado para achar que é superior à mulher”, analisa a psicóloga Regina Navarro. “O crime passional faz parte de uma mentalidade patriarcal. Embora existam mulheres que matam, a diferença é absurda em comparação com homens que matam suas mulheres”, completa.

E tudo isso não para por aí. Outros casos tem acontecido, envolvendo algum anônimo ou pessoa mais próxima. Devido a esse forte modela patriarcal, muitas vezes, a violência contra as mulheres tem sido legítimada. O pior é que muitas pessoas, não estão nem sequer dispostas ao diálogo, fechando os olhos para toda essa situação.

Segundo Amelinha Teles, feminista e ativista, a violência de gênero é aquela que se dá porque existe uma desigualdade histórica entre homens e mulheres, uma desigualdade nas relações de poder que atinge todas as áreas econômicas, políticas, sociais e religiosas”.

Por mais que isso prossiga, algo sempre deve e pode ser feito. A luta contra o machismo pode ocorrer através da concientização da população, cobrança de salários igualitários para homens e mulhes que cumprem a mesma função, além do incentivo às denúncias. Quanto a essas denúncias, elas devem proporcionar segurança e integridade para vítima, caso contrário, a punição contra o agressor será ineficaz e pode colocar a vida da pessoa agredida em risco.

Referência: Le Mounde Diplomatic

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Enquanto na Suécia as donas de casa são pessoas raras de se encontrar, no Brasil a situação é completamente oposta.

Em muitos países desenvolvidos, quando a mulher se declara dona de casa, acaba sendo motivo de vergonha e também um problema econômico para a sociedade.

As mães que permanecem no lar são cada vez mais valorizadas pelo governo. A Suécia e a Noruega pagam para que os pais fiquem em casa. O que reforça ainda mais o preconceito. Porém, mesmo nos países ricos, muitas mulheres têm que dedicar uma parte do seu tempo para lidar com os pesados afazeres domésticos.

Já no Brasil, muitas mulheres são praticamente escravas de sua própria condição. Muitas delas vivem uma dupla jornada. Dentro de casa, elas perdem um enorme tempo com seus afazeres domésticos sem, no entanto, ganhar nada em troca.

“Poucas tarefas se parecem mais com a tortura de Sísifo do que os trabalhos de casa da mulher, com a sua infinita repetição.” Simone de Beauvoir

Muitos acreditam que a escravidão moderna não existe. Porém, toda essa forma de dominação se tornou mais sofisticada, passando não só por violência física como também adquire outras formas expressas em agressões verbais, simbólicas e psicológicas.

Para Shahinian (Relatora Especial das Nações Unidas) a escravidão atual é ainda mais grave, pois no passado as pessoas eram consideradas propriedades de custo elevado e agora são tidas como peças descartáveis. Esse problema, na maioria dos casos, está relacionado com as condições sociais e econômicas da mulher.

No Haiti, por exemplo, as crianças pobres são entregues as famílias ricas (rest avec) tornando-se muitas vezes escravas domésticas.

È fundamental normatizar o trabalho doméstico, criar leis de defesa e amparo em favor dos abusos contra as mulheres.

Diante desses dois mundos opostos, o ideal é que a mulher tenha o direito de decidir entre o trabalho, o lar e a divisão justa de todos os afazeres que proporcionem uma vida mais plena e satisfatória.

Referências

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2010/07/22/o-estigma-de-ser-uma-dona-de-casa.jhtm

http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2925

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Chamam-te “Zé Ninguém!” “Homem Comum” e, ao que dizem, começou a tua era, a “Era do Homem Comum”. Mas não és tu que o dizes, Zé Ninguém, são  eles,  os presidentes das grandes nações, os importantes dirigentes  do proletariado, os filhos da burguesia arrependidos, os homens de Estado e os filósofos. Dão-te o futuro, mas não te perguntam pelo passado.

Tu és herdeiro de um passado terrível. A tua herança queima-te as mãos, e sou eu que to digo.  A verdade é que todo o médico, sapateiro, mecânico ou educador que queira trabalhar e ganhar o seu pão deve conhecer as suas limitações. Há algumas décadas, tu, Zé Ninguém, começaste a penetrar no governo da Terra. O futuro da raça humana depende, à partir de agora, da maneira como pensas e ages. Porém, nem os teus mestres nem os teus senhores te dizem como realmente pensas e és, ninguém ousa dirigir-te a única critica que te podia tornar apto a ser inabalável senhor dos teus destinos.

És “livre” apenas num sentido: livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse, acima da autocrítica.

Deixas que os homens no poder o assumam em teu nome. Mas tu mesmo nada dizes. Conferes aos homens que detêm o poder, quando não o conferes a importantes mal intencionados, mais poder ainda para te representarem. E só demasiado tarde reconheces que te enganaram uma vez mais, já que…

(Trechos  retirados do livro: Escuta, Zé Ninguém! de Wilhelm Reich)

Wilhelm Reich

Você que fala sobre emancipação humana e quando chega em casa dá porrada na sua esposa, escuta, Zé Ninguém!

Você que acha que o dinheiro está acima de tudo e de todos, escuta, Zé Ninguém!

Você que torce para autoritários, ditadores e tiranos, escuta, Zé Ninguém!

Você que é racista, homofóbico, xenófobo, escuta, Zé Ninguém!

Você que vai para a igreja e dá esmolas para os miseráveis com o intuito de ir para o paraíso, escuta, Zé Ninguém!

Você que acha que seu time de futebol é a coisa mais importante do mundo, escuta, Zé Ninguém!

Você que assina a revista Veja e acredita em tudo que ela diz, escuta, Zé Ninguém!

Você que tem inveja de tudo e de todos, escuta, Zé Ninguém!

Você que vota no José Serra achando que só assim vai melhorar o país,  escuta, Zé Ninguém!

Você que é politicamente correto, não fala palavrão e não comete nenhuma transgressão, escuta, Zé Ninguém!

Você que deixa tudo pra amanhã e não vive o hoje, escuta, Zé Ninguém!

Você que acha que é tudo natural e que nada no mundo nunca vai mudar, escuta, Zé Ninguém!

Você que veste a camisa da empresa, só pensa em trabalhar e não quer sair de férias, escuta, Zé Ninguém!

Você que fala das massas como se tivesse em cima de um pedestal, longe de toda lama, escuta, Zé Ninguém!

Você que se acha um herói revolucionário e pensa que vai salvar o mundo, escuta, Zé Ninguém!

Você que também escreve sobre essas coisas e é um babaca que nem eu, mas mesmo assim, se acha muito importante, escuta, Zé Ninguém!

(Inspirado na obra: Escuta, Zé Ninguém! de Wilhelm Reich)

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