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Na guerra ou na paz

– Ah, Ariadine Maurícia, dizem que casal é assim mesmo!

– Brigam para fazer as pazes na cama.

– Trepei tanto em tempo de guerra que fiquei broxa em tempo de paz.

– Daqui a pouco, Ariadine, mesmo em tempo de paz, te meto a mão na cara e te jogo na cama!


– E nunca mais deixo de te dar porrada… porque tesão por você é o que não falta, seja na guerra ou na paz!


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Se por um lado a tecnologia abre novas perspectivas para matar com mais precisão por outro não consegue superar os desafios de lidar com insurreições populares e menos ainda quanto à morte de civis.

Para se ter idéia do tamanho do estrago, somente na primeira guerra mundial 9 milhões de pessoas foram mortas. Já na segunda guerra o saldo chega a  60 milhões de pessoas.

Conforme o tempo vai passando o homem vai ficando cada vez mais apto a destruir, monitorar e dominar novos territórios; como demonstra os dados sobre a evolução armamentista que se segue abaixo:

1870 – Motor de explosão

1880 – Encouraçado

1884 – Metralhado automática

1905 – Transmissão sem fio

1914 – Granadas e minas

1915 – Lança chamas e gases tóxicos

1916 – Tanques

1917 – Primeiros bombardeios/metralhadoras leves

1930 – Drone (avião teleguiado)

1935 – Radar

1939 – Produtos neurotóxicos, minas anti personal

1942 – Mísseis V2, lança foguete portátil e bombas incendiarias

1943 – Bombas atômicas, mísseis teleguiados

1945 – Bomba Atômica americana

1949 – Bomba A soviética

1952 – Bomba H americana e soviética

1954 – Submarino americano e propulsão nuclear

1959 – Satélites de observação

1968 – Bomba A francesa

1983/1993 – Programa de armamento Iniciativa de defesa estratégica (guerra nas estrelas)

1990 – Mísseis de precisão/Mísseis antimíssil

2000 a 2010 – Guerras cibernéticas, Robôs assassinos, Equipamentos eletrônicos de combate de bombardeios furtivos

Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil

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Dostoiévski foi considerado por muitos como o maior escritor de todos os tempos. O autor teve uma vida complicada, repleta de perdas e rupturas. Sua biografia chega a ser espantosa, quase que surreal.

Fiodor Dostoiévski nasceu em 1831 em um hospital para indigentes em Moscou. Após a morte de sua mãe, vítima da tuberculose, ingressa na Escola de Engenharia Militar em São Petersburgo. No ano seguinte o seu pai é assassinado pelos servos de sua propriedade rural. Dostoiévski teve diversas perdas, entre elas: sua primeira mulher, o seu irmão e o seu filho de três anos.

Só e sem recursos, abandona a carreira militar e resolve ser escritor. O seu primeiro livro foi Gente pobre, considerado o primeiro romance social da Rússia. A partir desse época, Dostoiévski começa a ter violentos ataques de epilepsia

Em função desse seu envolvimento político, o autor foi condenado à morte após ser acusado de conspirar contra o Czar. No último momento antes de ser fuzilado, o Czar volta atrás e modifica a pena. Dostoiévski é condenado a quatro anos de trabalhos forçados em uma prisão da Sibéria. Essa terrível experiência foi retratada em seu livro, Recordação da Casa dos mortos.

Entre outros problemas estava o seu vício com os jogos de azar. Por culpa desse inconveniente, Dostoiévski acabou adquirindo uma enorme dívida e teve que fugir da Rússia por alguns anos. Esse epísodio rendeu um livro chamado Um jogador.

Outro destaque é Crime e Castigo. Esse romance narra a história de Raskólnikov, um jovem estudante de direito que comete o assassinato de uma velha agiota e se vê perseguido pela incapacidade de continuar sua vida após o delito. Esse livro é recomendado para quem quer iniciar uma primeira leitura do autor russo.

Mas sua grande obra-prima foi Irmãos Karamazov. Esse romance é único, alcançando as profundezas e os mistérios da alma humana. Nele encontramos estórias ligadas ao assassinato, guerra, miséria, suicido, loucura, religião e ateísmo. Todos esses elementos são encontrados em algum momento em livros como: Humilhados e ofendidos, O idiota, Memórias do subsolo, Demônios entre outros…

O escritor influenciou todo o pensamento ocidental, além de grandes pensadores como Nieztche, Camus, Sartre, Freud e escritores de todo o mundo.

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Pena de morte, já?

Muitas vezes quando assisto aos noticiários, eu fico horrorizado com as cenas de extrema crueldade relacionadas a assaltos, seqüestros, estupros e assassinatos.

Tudo se agrava nos moldes modernos no qual qualquer indivíduo pode sofrer as piores conseqüências por simplesmente estar no lugar errado e na hora errada. Diante dessa “banalização da vida”, muitas pessoas propõem que a única solução seria a pena de morte.

Em função disso, uma parte da população é a favor de uma punição muito próxima do código de Hamurabi(olho por olho dente por dente), em especial contra crimes hediondos.

Ao longo da história, o mundo presenciou diversas formas de executamento como: a injeção letal, fuzilamento, estrangulamento, câmara de gás, eletrocussão (a famosa cadeira elétrica), crucificação, fogueira, entre outras…

Em alguns poucos países democráticos, a pena de morte continua sendo aplicada, como é o caso do Estados Unidos e o Japão. Na Europa, ela foi proibida. No Irã, China e no resto do Oriente Médio, ela é aplicada com muita freqüência.No Brasil ela só pode ser aplicada em situações de guerra.

Em nosso país, a pena de morte foi utilizada até a metade do séc XIX. No entanto ela foi abolida após o polêmico episódio do executamento de Manuel Mota Coqueiro. Embora se possa duvidar de sua inocência, segundo muitos historiadores da época, o caso não recebeu um julgamento justo e nem foram feitas investigações detalhadas sobre o evento.

Nos dias atuais, será que o nosso sistema judiciário está realmente preparado para lidar com uma questão tão delicada como a sentença final de uma vida? Será que essa forma de fazer justiça não privilegiaria uma elite econômica, diferenciando-se daquela que seria aplicada para a parcela mais pobre da população? É importante enfatizar que uma vez aplicada, a decisão nunca mais poderá ser desfeita.

Como se a vida pudesse ter um preço, os defensores do assassinato institucionalizado, “informam” que matar um suposto autor de “crime hediondo” é mais barato que mantê-lo, por exemplo, aprisionado por toda a vida. Falso. As custas de processos, cárcere protegido especial (para evitar linchamentos), apelações, vigias, sacerdotes, maquinário e carrascos custam mais do que um aprisionamento perpétuo de um cidadão. Tudo isso em função de que o detento poderia trabalhar e produzir algo útil para sociedade, dentro da própria prisão[1].

Uma outra acusação é acerca do dos criminosos que cientificamente são impossíveis de serem recuperados. Lembrando que esses representam uma minoria e que grande parcela dos acusados seriam os marginalizados pelo câncer social, ou seja, os excluídos que vivem a margem da sua própria condição humana.

Outro aspecto interessante é a respeito de que a pena de morte poderia diminuir o índice de criminalidade. O que pode ser verdade em alguns poucos casos, na maioria essa regra não se aplicaria. A questão é que esses supostas criminosos, após o seu ato podem tentar ocultar ainda mais a prova, colocando a vida de outras pessoas em maior risco. Sem contar que a violência nesses paises não diminui e que eles acabam assumindo apenas novas formas, sendo transferidas para outros setores da sociedade.

Utilizando o termo de Hannah Arentd, a banalização do mal, que apesar de ser mais voltado para os regimes totalitários, poderia muito bem ser utilizado para retratar nossa realidade. No caso os grandes defensores desse tipo de pena capital, em geral, não se dão conta do grau de comprometimento com o que propôs. Dessa forma os grandes líderes, não se sentiriam responsáveis, mantendo-se distante dos acontecimentos, restando ao seus subalternos cumprirem essa tarefa e eles nesse caso, cercados por toda uma burocracia e ideologia do Estado, sem ao menos ter um mínimo de reflexão a cerca do que estão fazendo. Situações como essa foram presentes no Brasil, no tempo da Ditadura quando os carrascos torturavam presos políticos, estando ciente apenas de que estavam cumprindo ordens dos seus superiores a serviço da pátria.

“Mas então, O que é que merece alguém que comete um crime hediondo?” Ou “O que é que você faria se algum ente querido seu fosse sordidamente seviciado e assassinado?” Quanto ao que um homem transtornado por desejos pessoais de vingança faria é um assunto. Outro assunto é o que o Estado lúcido e ponderado, na figura de seus magistrados deve fazer. [2]

Dessa maneira, grandes nomes da literatura universal, repudiavam a pena de morte em todos os aspectos, entre tantos autores podemos encontrar as seguintes citações:

“O que é a pena capital senão o mais premeditado dos assassinatos, ao qual não pode comparar-se nenhum ato criminoso, por mais calculado que seja? Pois, para que houvesse uma equivalência, a pena de morte teria de castigar um delinqüente que tivesse avisado sua vítima da data na qual lhe infligiria uma morte horrível, e que a partir desse momento a mantivesse sob sua guarda durante meses. Tal monstro não é encontrável na vida real”. Albert Camus .

“Quando vi a cabeça separar-se do tronco do condenado, caindo com sinistro ruído no cesto, compreendi, e não apenas com a razão, mas com todo o meu ser, que nenhuma teoria pode justificar tal ato”. Leon Tolstoi .

“E, todavia a dor principal, a mais forte, pode não estar nos ferimentos e sim, veja, em você saber, com certeza que dentro de uma hora, depois dentro de minutos, depois dentro de meio minuto, depois agora, nesse instante – a alma irá voar do corpo, que você não vai mais ser uma pessoa, e que isso já é certeza”. E arremata: “A morte por sentença é desproporcionalmente mais terrível que a morte cometida por bandidos. Aquele que os bandidos matam, que é esfaqueado à noite, em um bosque, ou de um jeito qualquer, ainda espera que se salvará sem falta, até o último instante… essa última esperança, com a qual é dez vezes mais fácil morrer, é abolida com certeza. Aqui existe a sentença, e no fato de que com certeza não se vai fugir a ela reside todo o terrível suplício, e mais forte que esse suplício não existe nada no mundo”. Dostoievski.

Conseqüentemente, por envolver tantos assuntos delicados, quando se fala sobre pena de morte, muitas vezes, existe um grande apelo para a emotividade, o que complica todo andamento de uma discussão.

Sobretudo, o criminoso não deve ficar impune, porém a questão principal não é punir menos e nem melhor. A questão é que o sistema prisional, deve reabilitar o indivíduo para integrá-lo totalmente na sociedade da melhor forma possível.

Fonte [1] e [2]: http://www.culturabrasil.org/direitoshumanos1.htm

Muitas vezes quando assisto aos noticiários, eu fico horrorizado com as cenas de extrema crueldade relacionadas a assaltos, seqüestros, estupros e assassinatos.
Tudo se agrava nos moldes modernos no qual qualquer indivíduo pode sofrer as piores conseqüências por simplesmente estar no lugar errado e na hora errada. Diante dessa “banalização da vida”, muitas pessoas propõem que a única solução seria a pena de morte.

Em função disso, uma parte da população é a favor de uma punição muito próxima do código de Hamurabi(olho por olho dente por dente), em especial contra crimes hediondos.
Ao longo da história, o mundo presenciou diversas formas de executamento como: a injeção letal, fuzilamento, estrangulamento, câmara de gás, eletrocussão (a famosa cadeira elétrica), crucificação, fogueira, entre outras…
Em alguns poucos países democráticos, a pena de morte continua sendo aplicada, como é o caso do Estados Unidos e o Japão. Na Europa, ela foi proibida. No Irã, China e no resto do Oriente Médio, ela é aplicada com muita freqüência.No Brasil ela só poderia ser aplicada em situações de guerra.

No Brasil a pena de morte foi utilizada até a metade do séc XIX. No entanto ela foi abolida após o polêmico episódio do executamento de Manuel Mota Coqueiro. Embora se possa duvidar de sua inocência, segundo muitos historiadores da época, o caso não recebeu um julgamento justo e nem foram feitas investigações detalhadas sobre o evento.

Nos dias atuais, será que o nosso sistema judiciário está realmente preparado para lidar com uma questão tão delicada como a sentença final de uma vida? Será que essa forma de fazer justiça não privilegiaria uma elite econômica, diferenciando-se daquela que seria aplicada para a parcela mais pobre da população? É importante enfatizar que uma vez aplicada, a decisão nunca mais poderá ser desfeita.

Como se a vida pudesse ter um preço, os defensores do assassinato institucionalizado, “informam” que matar um suposto autor de “crime hediondo” é mais barato que mantê-lo, por exemplo, aprisionado por toda a vida. Falso. As custas de processos, cárcere protegido especial (para evitar linchamentos), apelações, vigias, sacerdotes, maquinário e carrascos custam três vezes mais que um aprisionamento perpétuo do cidadão a ser assassinado.[1]
Uma outra acusação é acercado dos criminosos que cientificamente são impossíveis de serem recuperados. Lembrando que esses representam uma minoria e que grande parcela dos acusados seriam os marginalizados pelo câncer social, ou seja, os excluídos que vivem a margem da sua própria condição humana.

Outro aspecto interessante é a respeito de que a pena de morte poderia diminuir o índice de criminalidade. O que pode ser verdade em alguns poucos casos, na maioria essa regra não se aplicaria. A questão é que esses supostas criminosos, após o seu ato podem tentar ocultar ainda mais a prova, colocando a vida de outras pessoas em maior risco. Sem contar que a violência nesses paises não diminui e que eles acabam assumindo apenas novas formas, sendo transferidas para outros setores da sociedade.

Utilizando o termo de Hannah Arentd, a banalização do mal, que apesar de ser mais voltado para os regimes totalitários, poderia muito bem ser utilizado para retratar nossa realidade. No caso os grandes defensores desse tipo de pena capital, em geral, não se dão conta do grau de comprometimento com o que propôs. Dessa forma os grandes líderes, não se sentiriam responsáveis, mantendo-se distante dos acontecimentos, restando ao seus subalternos cumprirem essa tarefa e eles nesse caso, cercados por toda uma burocracia e ideologia do Estado, sem ao menos ter um mínimo de reflexão a cerca do que estão fazendo. Situações como essa foram presentes no Brasil, no tempo da Ditadura quando os carrascos torturavam presos políticos, estando ciente apenas de que estavam cumprindo ordens dos seus superiores e com os deveres da pátria.

“Mas então, O que é que merece alguém que comete um crime hediondo?” Ou “O que é que você faria se algum ente querido seu fosse sordidamente seviciado e assassinado?” Quanto ao que um homem transtornado por desejos pessoais de vingança faria é um assunto. Outro assunto é o que o Estado lúcido e ponderado, na figura de seus magistrados deve fazer. [2]

Dessa maneira, grandes nomes da literatura universal, repudiavam a pena de morte em todos os aspectos, entre tantos autores podemos encontrar as seguintes citações:

“O que é a pena capital senão o mais premeditado dos assassinatos, ao qual não pode comparar-se nenhum ato criminoso, por mais calculado que seja? Pois, para que houvesse uma equivalência, a pena de morte teria de castigar um delinqüente que tivesse avisado sua vítima da data na qual lhe infligiria uma morte horrível, e que a partir desse momento a mantivesse sob sua guarda durante meses. Tal monstro não é encontrável na vida real”. Albert Camus .

“Quando vi a cabeça separar-se do tronco do condenado, caindo com sinistro ruído no cesto, compreendi, e não apenas com a razão, mas com todo o meu ser, que nenhuma teoria pode justificar tal ato”. Leon Tolstoi .

“E, todavia a dor principal, a mais forte, pode não estar nos ferimentos e sim, veja, em você saber, com certeza que dentro de uma hora, depois dentro de minutos, depois dentro de meio minuto, depois agora, nesse instante – a alma irá voar do corpo, que você não vai mais ser uma pessoa, e que isso já é certeza”. E arremata: “A morte por sentença é desproporcionalmente mais terrível que a morte cometida por bandidos. Aquele que os bandidos matam, que é esfaqueado à noite, em um bosque, ou de um jeito qualquer, ainda espera que se salvará sem falta, até o último instante… essa última esperança, com a qual é dez vezes mais fácil morrer, é abolida com certeza. Aqui existe a sentença, e no fato de que com certeza não se vai fugir a ela reside todo o terrível suplício, e mais forte que esse suplício não existe nada no mundo”. Dostoievski

Conseqüentemente, por envolver tantos assuntos delicados, quando se fala sobre pena de morte, muitas vezes, existe um grande apelo para a emotividade, o que complica todo andamento de uma discussão.

Sobretudo, a questão não é punir menos e nem melhor. A questão é que o sistema prisional deve reabilitar o indivíduo para integrá-lo totalmente na sociedade.


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O Haiti é um lugar insuportável para se viver. De um país próspero, passou a ser o mais pobre da América latina. Sua situação está cada vez pior. O Haiti não sofre apenas problemas sociais, mas também históricos.

Será que esse terremoto não foi agravado em função de outros fatores, como é o caso da erosão causada pelo plantation ao longo da colonização do país?

Entre diversos aspectos, o Haiti é um país que depende da industria têxtil como forma de subsistência. Grande parte de toda a produção acaba indo para os Estados Unidos.

Um outro fator que agrava a situação é a falta de informação. No Brasil, a mídia tem uma capacidade fantástica de desistorizar toda a realidade. O que aconteceu no Haiti foi uma luta entre negros dominados por uma minoria branca. Conseqüentemente é um país que o sangue está dentro da terra em termos de revolução. Porém o único livro completo sobre o Haiti que podemos usar como referência, chama-se Jacobinos Negros.

Outro problema ocorre em função da ocupação dos paramilitares da América central, que atuam como verdadeiros assassinos. Essa forma de governo paralelo barbariza o país.

Mas enquanto a participação do exército brasileiro no comando das tropas da MINUSTAH? Oque os militares estão aprendendo naquele país? A manter a ordem através da força em cima de negros, pobres e favelados? Será que isso não poderá ser utilizado contra nós, futuramente no Brasil?

Na verdade o Brasil ficaria bem se fizesse uma ajuda humanitária que não fosse militar. O povo haitiano não engole esse tipo de ocupação. As tropas da MINUSTAH mostram claramente sua incapacidade de colocar em prática seu mandato e de participar das resoluções dos problemas estruturais que enfrenta a sociedade haitiana.

A verdadeira ajuda no Haiti, ocorre por debaixo dos panos. No caso da pastoral, era um trabalho muito simples diante da tragédia. A ajuda de Zilda Arns era apenas um desencargo de consciência.

Infelizmente, existem poucos setores exercendo ajuda humanitária. Muitas empresas estão aproveitando a situação para discutir a criação de uma zona franca. A ONU como sempre é um teatro, tirando é claro o conselho de segurança, mas quanto ao resto, ela só cumpre tabela e o Haiti na maior parte do tempo só recebe esmola.

No caso do Haiti uma das poucas soluções ocorreria através de uma profunda desistorização seguido de uma nova historização do país. A partir de então novos apontamentos poderão solucionar o problema através de medidas plausíveis a ser utilizado contra todos os flagelos sociais e históricos que assolam esse país.

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Em nome da guerra

Desde os primórdios dos tempos, o homem busca sua autopreservação. Com a notável capacidade de se adaptar a tudo, sobrevivemos a todos os tipos de catástrofes e calamidades.

Ao mesmo tempo, o homem através de seu espírito destruidor, trouxe a guerra em todos os lugares habitáveis do planeta.

No decorrer da história, povos violentíssimos surgiram, como é o caso dos Assírios, Espartanos, Hunos, Romanos e outros…

Uma guerra, muitas vezes, começa por um motivo banal, no qual muitas vezes beira ao absurdo. Suponhamos que toda essa bagunça poderia começar por causa de um fazendeiro que estava com fome e acabou roubando a ovelha do seu vizinho e logo após as duas famílias viram inimigas. Nas gerações seguintes, as famílias rivais, acabam criando ideologias, religiões e comportamentos distintos. Cria-se então um conflito que se permeia por séculos. Muito derramento de sangue começa apartir de então.

Consequentemente, quando algum estudioso for pesquisar o motivo real daquela discórdia, vai supor que foi tudo, menos uma bendita ovelha.

Mas será que todo esse aspecto violento é inerente ao ser humano? Até que ponto o nosso instinto assassino e gosto pelo sangue são naturais? A culpa é somente daqueles que estão no poder? O homem é o lobo do homem ? Tudo indica que o buraco da trincheira é bem mais embaixo…

Mas enquanto a dúvida permanece, o homem vai se armando e indo para o campo de batalha. No começo a luta era com clavas e pedras. Logo após usávamos espadas, escudos e lanças. Depois os castelos foram substituídos por arranha-céus que hora ou outra sofrem o ataque devastador de uma poderosa bomba.

Com o tempo, o homem vai se aperfeiçoando no seu esporte favorito. Seu nome é guerra e o líder clama por gloria, conquista, dinheiro e poder. E com o seu “progresso” ninguém pode. Com o seu fim, a guerra deixa os seus herdeiros, presenteando-os desgraçadamente com a fome e a miséria.

Perante tudo isso, lembrei de uma frase do antropólogo Levi Strauss: O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele.

E assim caminha a humanidade que busca insistentemente o seu fim denifitivo.

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Poeta, cronista e ensaísta, o professor Affonso Romano Sant’ Anna é um dos escritores que faz parte do meu repertorio de leituras.

Mineiro, doutor em letras pela UFMG; Affonso Romano é, para muitos críticos, o sucessor de Carlos Drummond (Considero tamanha comparação um exagero). Entre seus principais livros estão: política e paixão, ‘Que país é esse?’, o homem que conheceu o amor, a raiz quadrada do absurdo e ‘De que ri a Monalisa?’. No poema, Cartas aos Mortos (in: do lado esquerdo do meu peito), surge como uma das minhas preferidas. O poema fala sobre a imutável condição do mundo, a ilusão do progresso e a velha estupidez que sempre assolou a humanidade. Inexplicavelmente, o inevitável sentimento de impotência paira sobre minha alma ao ler esse excelente poema, acompanhe:

Amigos, nada mudou
em essência.
Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.
Em cada olimpíada há récordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.
Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração , insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.

Esse poema foi retirado do capítulo Aprendizagem da morte, no qual ele trata essa questão com humor, ironia e como algo circunstancial.

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