Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘futebol’

Acordares

Hoje acordei 1/2 que azedo, 1/2 que estragado para o mundo.

Não tô com saco pra nada!

Praia, futebol, música, culinária, arte, tv, internet, amor, sexo… nada!

Cada coisa se apresenta mais chata que a outra.

Nunca aconteceu com você?

Esses dias em que a gente acorda e parece que a alma, na madrugada, saiu e foi dar uma voltinha por aí deixando a gente vazio… oco por dentro.

Aqueles dias em que a gente está sem ritmo, sem saber onde colocar as mãos, sem querer conversa com quem quer que seja, sem querer saber do mundo… da própria cara.

Pois é, acordei assim!

Mas acho que até a tarde minha alma volta do seu passeio solitário.

Ou, no máximo, na próxima madrugada!

Cansada e frustrada com o que vivenciou por aí no dia de hoje, ela volta pra casa.

Com o rabo no meio das pernas.

Acabrunhada.

E amanhã, como todos os dias, devo amanhecer mais doce.

Mais conivente com a chatice do mundo.

E com a minha!

Read Full Post »

Um dia de glória

O goleiro havia se machucado em uma dividida com o adversário. Quando começou a mancar, os jogadores perguntaram – Eai dá pra continuar?

– Nem dá, chama outro cara. O time de ambos os lados estavam contados. A única pessoa que estava próximo da quadra era um garoto franzino, baixinho, todo descabelado; com os joelhos todo sujo de poeira e com luvas enormes para o seu tamanho.

– Chama ele disse André, fixo do time de azul.
– Para mano, o moleque não deve nem ter pelo no saco, disse Beto o capitão do time.

O time de vermelho começou a colocar pressão. – Eai, vão jogar com um a menos ou vão colocar o pimpolho?

O capitão do time de azul apontou para o garoto. O garoto olha para os lados e pergunta se era com ele que estavam falando.

– É com você mesmo, não tem mais ninguém aqui, disse André. O goleiro que ainda estava mancando ao sentar do lado do garoto disse – Vai lá baixinho, entra logo disse o goleiro.

– Qual o seu nome?  Pergunta Beto. – Robernilson, diz o garoto olhando pra baixo. – Ei Robernilson é pra ir sem medo, é pra dar o sangue nessa porra. – Be-e-leza, vou tentar, disse o garoto gaguejando.

Alguém do time adversário comenta: – Chuta alto que ele não tem nem tamanho pra agarrar no gol.

E assim a partida recomeçou. Os dois times voltaram mais aguerridos. O time de azul no qual Robernilson defendia estava com uma marcação forte devido ao receio do seu novo goleiro. Por culpa disso esqueceu-se de atacar.

André, bloqueava todos os chutes que chegavam na direção do gol de Robernilson. A partida foi o tempo todo pressão e os chutes que passavam pelo defensor não chegavam até o gol. Teve um chute que tirou tinta da trave. Próximo do fim da partida, uma bola espirrou e por sorte sobrou para Beto que chutou de uma maneira tão desengonçada que a bola foi girando lentamente até entrar no canto esquerdo do goleiro adversário.

– Gooool. Pelo menos vamos ganhar um jogo na vida, gritou o capitão.

Robernilson vibrava como se tivesse ganhado o campeonato. Mas no último lance, Beto passou de herói pra vilão e desceu um pontapé na canela do adversário, fazendo um pênalti infantil.

O capitão revoltado consigo mesmo fala pra Robernilson: – Pode deixar que eu defendo, da essa luva e sai logo do gol. O time adversário não aceitou. Logo, começou um bate boca entre os dois times. Depois de muita discussão o time de azul conformado, deixou a responsabilidade para Robernilson.

André sacudiu o garoto e gritou: – Vai baixinho, pega esse pênalti. Robernilson respirou fundo e se concentrou. O time adversário escolheu “Fininho”, um rapaz gordo e forte que tinha quase dois metros de altura. O capitão do time de vermelho gritou. – Vai desce a paulada nesse pimpolho, se ele ficar na frente da bola não vai sobrar nenhum caquinho.

Todos do bairro sabiam da fama do chute do “Fininho”. Até mesmo Robernilson tinha presenciado seus gols. As maiorias dos goleiros não arriscavam nem colocar a mão na bola. A lenda cresceu tanto que muitos diziam que o chute do Fininho só era defendido por um goleiro profissional.

Fininho pegou distância… Todos olhavam apreensivos. Agora era a luta de Davi contra Golias.

Beto protesta e diz: – O mano, chuta devagar, olha o seu tamanho.

“Fininho” fez de conta que não era com ele e chutou de bico, com toda sua força. Robernilson fechou os olhos e pulou com tudo na direção da bola. O tiro acertou direto no seu estomago e após a bola ricochetear foi parar bem longe no mato. O time de azul começou a pular de alegria.

Robernilson caiu com as mãos na barriga e com a cara olhando para o céu, os seus olhos ficaram cheios de lágrimas. Em seguida o garoto começou a perder o ar e acabou desmaiando com um sorriso estampado no rosto.

Quando acordou no hospital, a primeira coisa que fez foi levantar a camisa e mostrar o seu troféu roxo para sua mãe. Era o seu dia de glória

Read Full Post »

Do outro lado da rua

Eu estava empolgado! Por culpa do trabalho, fazia tempo que não saia de casa para aproveitar o meu final de semana. Pelo menos, nesse sábado eu estava de folga!

Pela manhã, nem acordei direito e sem tomar café, fui direto pra rua sem nem sequer se despedir dos meus pais.

Seguindo pela Avenida do Cursino, fui direto para o viaduto dos imigrantes. Hoje era dia de futebol!

Acabei chegando muito adiantado. O pessoal foi chegando aos poucos e a partida demorou pra começar.

Era o famoso dois gols ou dez minutos, a quadra estava lotada!
Durante as partidas era mais briga do que futebol. Depois que meu time perdeu várias vezes, eu parei de jogar e fiquei conversando com Magno, meu grande amigo da escola, que eu não encontrava fazia meses.

Enquanto conversava com ele, fui ficando grogue… Aos poucos acabei entrando em um estranho sono, no qual não tinha aquela consciência que sabemos que estamos dormindo.

Quando acordei, acabei levando um susto. Pra mim só tinha se passados alguns minutos, no entanto já estava de noite e a galera do futebol foi embora! Os únicos que estavam por lá era a turma do skate.

Perguntei para um conhecido meu, o Graveto, se ele tinha horas. Ele disse que não, mas já devia ser quase meia noite…

Fiquei confuso e tentei procurar uma resposta para o meu súbito apagão. A única resposta que veio em minha mente foi a de ter saído de casa tendo comido apenas um pedaço do pão… No mínimo foi a fome!

Preocupado tirei meu tênis e shorts de futsal, coloquei minha calça e apertei os passos rumo Avenida do Cursino.

Era uma noite estranha, sem lua e a Cursino parecia um deserto de concreto. Nesse momento, o lugar só tinha comércios de autopeças fechados.

Seguindo caminho,  estava próximo a um enorme ferro-velho. Em algum lugar ali, cachorros latiam disparadamente e do outro lado da calçada caminhava uma figura com um blusão e capuz, provavelmente se protegendo do frio que chegara junto com a madrugada.

Subitamente um opala preto passou por mim como um raio e parou do lado daquele sujeito.

Logo eles abaixaram o vidro fumê e em seguida eu escutei uma voz familiar negando alguma coisa… Algo como: não fui eu!

Pensei: Vai dar merda é melhor começar a correr! No instante seguinte, um clarão iluminou a avenida e eu comecei a ouvir diversas rajadas.

Senti um frio percorrer não só a espinha como também minha alma. Tentei correr, mas minhas pernas não respondiam… Olhei para um lado e para o outro e avistei um muro próximo:  Pulo ou não pulo? E se eles perceberem eu correndo? Nem adianta, fiquei petrificado de medo!

O carro saiu cantando pneu em minha direção… Rezei para não me matarem! Pensei nos meus pais e nos meus amigos! Por sorte o carro passou do meu lado e continuou em disparada pela avenida… Acho que não quiseram me apagar ou não me viram…

Do outro lado, na escuridão, o homem estava ajoelhado, com as mãos no seu próprio estomago; postado, olhando em minha direção… Em seguida ele caiu de cara no asfalto.

Horrorizado, virei o rosto e segui em direção de casa. Nunca demorou tanto para chegar!

Quando abri a porta, cheguei aliviado. Porém, quando fui para a sala dei de cara com minha mãe, jogada no sofá toda preocupada. Desesperada,  ela me disse que meu pai estava preocupado e tinha saído a minha procura.

Despedaçado, finalmente soube quem era a pessoa do outro lado da rua!


Read Full Post »

Venham, venham… venham ver o maior espetáculo de todos os tempos! Chamem seus pais, amigos, chefe e o cachorro. Aproximem-se, o show da vida vai começar…

o maior espetáculo de todos os tempos

Pegue o controle remoto, ligue a televisão! Ainda está nos comerciais, momento para sentar, relaxar e acreditar na publicidade. Será que existe algum produto que me traga a imortalidade? Será que eu vou ter uma família feliz como a do comercial de manteiga? Será que vou ter o carro do ano? Quando eu conseguir, será que ele vai continuar sendo o carro do ano?

Começou o jornal, hora de ver os crimes locais, mas antes o futebol… Olhem! Meu Deus! Não é possível! Outro avião desaparecido… é uma pena que só tinham ricos. Mas os pobres também são lembrados, o acidente com o pau-de-arara foi meio minuto noticiado!

Vamos chegando meu povo, depois de um dia de trabalho cansativo, é hora da política do pão e circo…

Ler um livro? Estudar? Para que? Fique mais tempo na frente da tela! Ela é mais dinâmica e tem ótimos filmes de ação.

Chegou à parte boa! É hora da novela, poder, luxúria, até parece à comedia da vida real…

Voltamos novamente para os comerciais, pois as empresas têm que lucrar. Esse é o lema do capitalismo. Vamos fazer uma emissora rica e feliz!

A vida passa, a emoção fica e tem coisas que não mudam. Mas não importa se caiu uma bomba em Hiroshima , outra em Nagasaki, não importa se as guerras na África e no Oriente Médio não tem fim e muito menos quando um brasileiro está morrendo de fome. Não precisa questionar, basta assistir e aceitar. Faça chuva, guerra ou sol… o show tem que continuar!

Até amanhã, nessa mesma hora e nesse mesmo canal…

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: