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Posts Tagged ‘feminismo’

Uma entediada dona de casa provinciana presa a um casamento burguês começa a fantasiar uma vida fora da sua monótana existência.

O início da Primeira Guerra Mundial modificou drasticamente o curso da história do cinema. Os Estados Unidos assume a posição definitiva (até os dias atuais) de maior fornecedor de filmes enquanto a Europa enfrenta uma grave crise cinematográfica.

A-SORRIDENTE-MADAME-BEUDET

É no desenrolar desse processo histórico que surge o estilo conhecido como impressionismo francês. A partir de então entre os inúmeros filmes surge a obra de Germaine Dulac: A sorridente Madame Beudet (La Souriante Madame Beudet).

Essa foi a obra impressionista de maior prestígio do cineasta, sendo um dos primeiros a abordar a questão da exploração do universo feminino. A trama retrata a entediante vida de Beudet, uma dona de casa presa a um sufocante e melancólico casamento.

A Sorridente Madame Beudet é composto por seqüências de sonhos em que a dona de casa fantasia uma vida fora da sua melancólica existência. Os seus devaneios são a única coisa capaz de colocar um sorriso em seu rosto. Porém, para sua tristeza, o seu marido aparece constantemente para assombrar os seus sonhos. A solução que Madame Beudet encontra é assassinar o seu marido.

Dulac não só aborda a luta feminina contra a opressão patriarcal como também utiliza os efeitos cinematográficos para dar uma visão subjetivista da personagem.

Enquanto os filmes expressionistas exploram o estado da alma relacionado principalmente com o cenário, o cinema impressionista caracteriza pela vontade de exprimir os sentimentos, através de um jogo de câmera móvel explorando ângulos trabalhados e subjetivados. O cinema deixa de ser mera fonte de entretenimento e passa a ser fonte de inspiração.

Dessa forma, Dulac faz o uso de uma variada gama de procedimentos como dissoluções, lentes distorcidas, duplas exposições e câmera lenta.

No mais, fica o convite para aqueles que querem aprofundar e admirar ainda mais a sétima arte, através dessa grande obra de tom intimista e experimental dos gloriosos tempos de cinéfila francesa.

França: 54 min,Mudo, P&B

Direção: Germaine Dulac

Roteiro: Denys Amiel, André Obey

Fotografia: Maurice Foster, Paul Parguel

Elenco: Alexandre Arquillière,Germaine Dermoz, Jean d`yd, Madeleine Guitty

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Enquanto na Suécia as donas de casa são pessoas raras de se encontrar, no Brasil a situação é completamente oposta.

Em muitos países desenvolvidos, quando a mulher se declara dona de casa, acaba sendo motivo de vergonha e também um problema econômico para a sociedade.

As mães que permanecem no lar são cada vez mais valorizadas pelo governo. A Suécia e a Noruega pagam para que os pais fiquem em casa. O que reforça ainda mais o preconceito. Porém, mesmo nos países ricos, muitas mulheres têm que dedicar uma parte do seu tempo para lidar com os pesados afazeres domésticos.

Já no Brasil, muitas mulheres são praticamente escravas de sua própria condição. Muitas delas vivem uma dupla jornada. Dentro de casa, elas perdem um enorme tempo com seus afazeres domésticos sem, no entanto, ganhar nada em troca.

“Poucas tarefas se parecem mais com a tortura de Sísifo do que os trabalhos de casa da mulher, com a sua infinita repetição.” Simone de Beauvoir

Muitos acreditam que a escravidão moderna não existe. Porém, toda essa forma de dominação se tornou mais sofisticada, passando não só por violência física como também adquire outras formas expressas em agressões verbais, simbólicas e psicológicas.

Para Shahinian (Relatora Especial das Nações Unidas) a escravidão atual é ainda mais grave, pois no passado as pessoas eram consideradas propriedades de custo elevado e agora são tidas como peças descartáveis. Esse problema, na maioria dos casos, está relacionado com as condições sociais e econômicas da mulher.

No Haiti, por exemplo, as crianças pobres são entregues as famílias ricas (rest avec) tornando-se muitas vezes escravas domésticas.

È fundamental normatizar o trabalho doméstico, criar leis de defesa e amparo em favor dos abusos contra as mulheres.

Diante desses dois mundos opostos, o ideal é que a mulher tenha o direito de decidir entre o trabalho, o lar e a divisão justa de todos os afazeres que proporcionem uma vida mais plena e satisfatória.

Referências

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2010/07/22/o-estigma-de-ser-uma-dona-de-casa.jhtm

http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2925

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