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Posts Tagged ‘cultura’

Partindo do princípio do que se convencionou chamar virada lingüística e, de igual modo, de uma crítica ao positivismo, Michel Foucault (França – Poitiers, 15 de outubro de 1926 — Paris, 25 de junho de 1984) lança as bases de sua teorização, que se concentra em torno de uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso, além de ser um pensador da relação entre poder e governo. A partir de 1946 vai estudar na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty.

“Foucault preferia ser chamado de ‘arqueólogo’, dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura – arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses, 1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber)”.

Numa perspectiva de virada cultural, para o pensador, o papel da ciência começa a ser questionado quanto a sua superioridade em relação ao conhecimento do “nativo”, e nisto observa-se também a crítica de que a ciência não é necessariamente conhecimento objetivo, antes ela se insere, faz parte, de uma cultura, isto é, ela é um produto cultural e, também, está contextualizada em dado grupo e determinada época. Não se trata então, de acordo com tal perspectiva, de pensar a ciência como aquela produtora do conhecimento que será aplicado na sociedade, porém a questão agora é pensá-la em relação com o conhecimento produzido na sociedade, em outros termos, no senso comum.

Para ele, a linguagem é autônoma e, por isso, a sociologia deve se preocupar com ela. Nisto ele afirma que a constituição de um indivíduo acontece a partir do discurso, ou seja, se trata de uma constituição discursiva. Tratarei desse ponto mais adiante. O argumento central dessa perspectiva que podemos chamar de hermenêutica, é a concepção que tem da cultura e, também, onde reside a crítica ao positivismo ao afirmar que todo conhecimento passa pela cultura, não sendo, portanto – o conhecimento científico – objetivo, como postulava o credo positivista. O conhecimento então é também interpretação, quer dizer, a ciência interpreta a cultura para explicá-la. Outro aspecto importante é a concepção estética e, nesse ponto, ele recupera Nietzche: “a ciência é uma espécie de cultura, ela deve se concentrar na valorização do ser humano”. E nisto consiste esta concepção estética, que critica a ciência, posto ver a ciência esmagando os seres humanos.

O problema da hermenêutica, rejeitada por Marx, reside em definir como papel da ciência a defesa da cultura, das especificidades, o que denota claramente uma visão de pluralidade. Para essa visão, na medida em que se buscam universalidades, está assim destruindo culturas.

Retomando a questão da virada lingüística nas Ciências Sociais, o que passa a ser objeto de estudo é a própria linguagem, em lugar da cultura. Nesse momento, um grande e importante pensador dessa concepção de virada lingüística, é  Wittgnstein (Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, Viena, 26 de Abril de 1889 — Cambridge, 29 de Abril de 1951 – filósofo austríaco, naturalizado britânico, um dos principais autores da virada lingüística na filosofia do séc. XX). Para ele, a linguagem é algo constitutivo do mundo. Ele compara a linguagem à cidades, onde da mesma forma que o mundo está dividido em cidades, assim também o mundo está dividido em linguagens diversas, onde não há uma mais objetiva que a outra. Este conceito se tornou fundamental nas Ciências Sociais, posto que a sociologia, a partir de então, se torna uma análise da linguagem. Têm-se aqui uma análise textual e semi-ótica – ligada aos símbolos e imagens. Observa-se neste ponto uma mudança quanto ao objeto da sociologia – em relação aos clássicos da sociologia: Marx, Durkeim e Weber.

Para Foucault, a constituição do sujeito acontece a partir do discurso, sendo uma constituição discursiva. Segundo ele, a linguagem é um retrato da realidade, e cada realidade tem uma linguagem diferente. No tocante a isto, ele apresenta a questão dos sistemas de poder, que para ele é exatamente desta forma que está dividida a sociedade na contemporaneidade/modernidade, acrescendo que não se entende o desenvolvimento do conhecimento moderno como instrumento de emancipação, pelo contrário, é de sujeição. Tais sistemas de poder são os aparelhos do Estado e suas instituições, onde se localiza o centro de poder para Foucault, haja vista estarmos numa sociedade da linguagem, o poder se desloca do Estado – como o via Hobbes – para as suas instituições na sociedade civil. E o exercício do poder é constituído de uma materialidade que penetra a estrutura dos corpos e, nestes mecanismos corporais e em seus atos, se encontra o biopoder, como uma autônoma política do corpo, em cuja base estão os processos de disciplinamento corporal.

De acordo com Foucault, o poder está no discurso, e este se torna um aparelho de autodisciplina do sujeito – esta tem relação com sua concepção de subjetivação. Desta forma, ele quer mostrar que todo conhecimento é relativo e depende do sistema de poder, isto é, dos códigos lingüísticos, haja vista que todo conhecimento passa pela linguagem e é linguagem. Então, para ele, o mundo moderno desenvolveu um aparelho de poder específico que incitou, por exemplo, as pessoas a falarem e pensarem sobre sexo, o que provoca o discurso numa esfera de autodisciplina, onde o indivíduo é absorvido nesse mecanismo de dominação. Como para ele a linguagem é uma instituição, e toda instituição é um sistema de poder, o falar sobre sexo, por exemplo, não é um ato emancipatório, pois a característica central é o discurso e este está imbuído de poder.

No que se refere à temática do sexo, Foucault dirá que através dela pode-se bem perceber o biopoder. Sendo este – o biopoder -, um poder sistêmico porque desenvolvimento de um poder político, tendo o Estado como condicionador do comportamento e conduta do sujeito, exercendo um tipo de poder que ele chama de poder pastoral (bem no sentido religioso cristão que enxerga as pessoas como rebanho), é ele, em última instância, que fornece e cria o desejo nas pessoas. Daí ele não enxergar como prática emancipatória o falar sobre sexo. (Apenas fazendo um adendo, é sempre importante contextualizar o autor em sua época para enxergar suas contribuições e seus limites). É importante lembrar que Foucault, em meados da década de 1970, se aborrece com a proposta de Cauguilhem de tornar a sexualidade um tema de investigação filosófica. Quanto a este episódio, ele responde com uma pergunta que dá bem o tom de antipatia à ideia de Cauguilhem: “por que a sexualidade é objeto de uma preocupação moral?”. Tal indagação “desarma a ‘naturalidade’ da questão, já deixa de ser óbvio que o sexo é um problema moral: está claro que alguém, alguma instituição, um poder necessita que o sexo seja supervisionado pela moral”.

Ao mesmo tempo que Foucault coloca como sendo central para as Ciências Sociais a linguagem por esta ser autônoma, ele também diz que a linguagem instituída, no exemplo do falar sobre sexo, não se trata de prática emancipatória, visto que a instituição linguagem é perpassada pelo poder que, para ele, pressupõe dominação. Seria isto uma contradição no pensamento foucaultiano? A meu ver, se bem entendi o que o autor quis dizer quanto a esta questão, há o que chamaria de paradoxo. Na medida em que a linguagem se torna institucionalizada nos aparatos do Estado, ela perde seu caráter autônomo e passa a estar imbuída pelo discurso que este ente – separado da sociedade civil – define como padrão e/ou correto, condicionando assim as situações de fala – para usar termo habermasiano. Nisto, se não me equivoco, não me parece ser uma contradição no pensamento de Foucault, antes ele está apontando para um sutil problema, a saber, o da linguagem se tornar discurso de dominação que, como vimos, sendo a constituição de um indivíduo realizada através do discurso, daí ele afirmar, no exemplo do falar sobre sexo, não se tratar de prática emancipatória. Essa a minha hipótese, e apenas hipótese. Eis aqui uma boa questão, em Foucault, para pensarmos.

Dado o explicitado aqui, podemos observar e inferir que, para Foucault, a ciência é um tipo de instrumento de dominação, o que permitirá ele entender, como papel do sociólogo, ficar ao lado do conhecimento “desqualificado” para requalificá-lo, aquele que está no mundo, isto é, no interior da sociedade. Sintomática sua proposta quanto a isso, pois tendo em vista a hipótese que lancei acima – o conhecimento, o discurso, no limite, a linguagem própria ao campo científico estar ligada aos aparatos do Estado -, Foucault afirmar que, em muitos casos, a fala não se realizar como prática emancipatória. Também nos é perceptível a total mudança, para Foucault, do objeto das Ciências Sociais, como não sendo mais as relações sociais em seu aspecto material, tendo o trabalho como categoria central de análise. Categoria esta cara aos clássicos da Sociologia (Marx, Durkheim e Weber).

Fonte (biográfica):

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio2.pdf

http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/bio1.pdf

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Progresso é o meu nome

Um grande mal da humanidade eu diria, acontece em nome do dito progresso. Exemplos não faltam.Como o caso a invasão dos portugueses ao Brasil e outros lugares do globo na época colonial,os Estados Unidos querendo ser a polícia do mundo, entre outras inúmeras atrocidades que aconteceram durante os milênios que o mundo vivenciou.
engrenagem
Em nome do progresso culturas foram destruídas e em seu lugar surgiram culturas “alienígenas” para os nativos, vindo de algum pais estrangeiro.Florestas foram arrasadas, águas poluídas, edifícios construídos e a raça humana procriou como se fosse uma praga por todo o globo.

Como conseqüência: gerando cada vez mais guerras, mortes, desilusão, a lista é infinita.Onde a capital, existe a desculpa do progresso.

O bem, o mal, a evolução, a ordem e o progresso, muitas vezes tem o significado oposto daquilo que esperamos e desejamos, tais conceitos precisam ser revistos principalmente por quem está no poder, para que o coletivo dessa forma seja realmente privilegiado.

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Etnocentrismo é a valorização exagerada de um determinado grupo social em relação aos valores de outro. Trata-se de uma estratégia de afirmação cultural que implica também em dominação cultural, direta ou indiretamente (resultante de um determinado preconceito).
Desembarque Portugal

Na dominação direta, a cultura dominante é imposta explicitamente, como no caso da catequização dos índios no Brasil, da colonização britânica na Índia, do nazismo na Alemanha. Propaganda enganosa, ditaduras, repressões e rituais públicos são recorrentes.

Na dominação indireta, a cultura dominante é sugerida implicitamente, como no caso da recorrente volta aos clássicos Gregos, da descoberta do pacifismo indiano e da globalização do American Way of Life. A propaganda também é central. Aparecendo em diferentes  produtos culturais: livros, jornais, revistas, filmes, programas de televisão, produtos de consumo, etc. Isso explica o mal que mídia nos causa nos tempos atuais, pois os meios de comunicação estão cada vez mais dinâmico e nos trazem as informações de uma forma quase instantânea.

USA quer ser a policia do mundo

Não existe na verdade um povo superior ou inferior, mas sim com determinadas diferenças, um grupo poderia ter um menor desenvolvimento tecnológico como os habitantes que viviam antes da chegada dos europeus (nas Américas, África, Oceania), mas por outro lado eram totalmente adaptados a viver naquele ambiente, além de não ter problemas que esses grupos que se julgam superiores possuem.

Dessa forma incluem-se aqui as pessoas que observam as outras culturas em função da sua própria cultura, tomando-a como padrão para valorizar e hierarquizar as restantes. Assim resulta em uma incompreensão em relação aos aspectos das outras culturas, incluindo sua raça como se fosse superior

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A televisão está presente na vida da maior parte da população brasileira, com a entrada do novo milênio 97 % da população com mais de dez anos assiste programas televisivos, sendo que paradoxalmente é a população de baixa renda que passa maior parte do tempo na frente da televisão.

A mídia manipula e censura

Não é por acaso que a maior emissora do pais (Rede Globo) surgiu em menos de um ano após o golpe de 1965, vendendo como sua principal mercadoria o entretenimento.

Desde então o numero de telespectadores vem crescendo em todo o pais e a mídia no qual é controlada pelo estado, conseqüentemente se aliou a grandes empresas e passou a anunciar seus produtos através de propagandas, criando dessa forma padrões de consumo e de pensamento.

Os meios de comunicação mostram cenas constantes de violência e programas de uma cultura totalmente questionáveis, coincidência ou não a violência vem crescendo cada vez mais.

Na metrópole de São Paulo a violência cresceu mais de 47 % na segunda metade da década de 90 segundo o IBGE, nos últimos dez anos o consumo de drogas cresce cada vez mais, assim como o nível de desemprego e miséria da população.

Toda essa desesperança e marasmo, acaba por incentivar comportamentos místicos na população, por isso não é difícil entender o surgimento de tantos grupos religiosos na ultima década, como por exemplo os chamados pastores eletrônicos, as pessoas tem lido cada vez mais livros de auto ajuda e muitos se voltam para assuntos relacionados a astrologia, magia e tarô.

Sabendo disso a elite utiliza os meios de comunicação como uma forma de ferramenta eficaz para o controle da população, tornando a mesma pouco questionadora, garantindo assim que não exista nenhuma ameaça ou cobrança, preservando o status de quem está governando ou lucrando com toda essa situação.

Com certeza uma reforma e democratização dos meios de comunicação contribuiria para uma possível reversão desse quadro.

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