Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘alma’

Amor x Ódio

Aposto no ódio, cuspo no amor.
amor e odio
O amor, tá na cara, é doente; o ódio, saudável e promissor.
É questão de lógica: o gigante x o anão.
O amor se esquiva; sobrevive aos trancos&barrancos nos folhetins novelescos.
O ódio é real, está nas ruas; na voz que grita o assalto, na voz de quem pede a esmola, nos olhos de quem exige amor.
O amor se isola e se imola nas conversas dos que já odeiam e pensam amar.
O ódio é correto, cheio de moral.
Não se esconde de nada, ao contrário está sempre disposto a mostrar sua cara, a dar o melhor de si.
O amor se desuniversaliza.
O ódio atravessa as fronteiras, das terras e dos corações.
O amor é lerdo, negocia-se por muito tempo o seu preço.
O ódio é lépido, é de graça, não necessita negociação.
Aposto tudo o que tenho no ódio, até o meu pseudoamor, as minhas esperanças.
o amor não tem futuro.
O ódio é o nosso objetivo.
E não demora o enterro do último ser que amou.
E eu quero estar preparado, com o meu ódio em dia.
Pronto para enfrentar os tempos que virão.
Que não serão bonitos de ver, de viver… conviver.
E muito menos de sentir…
O futuro chumbo negro da alma.

E do coração

Anúncios

Read Full Post »

A respeito de navios

Meu canto, amada,
passeia pela cidade sem alma
e descansa no porto.

A fome, embrutecida mulher,
discursa calma na periferia do porto
e espalha com pressa
sua doce mentira.

O trigo não alimenta
ele abastece de ouro
o estômago dos navios
e derrama o suor salgado do homem
no oceano de sal.

Ao longe, amada,
os guindastes transportam
o sofrimento humano
em pesadas cargas.

Os navios, criaturas pré-históricas,
chegam e partem
trazendo e levando em cada saco
em cada container
um pedaço de alma
um pedaço de corpo
um pedaço de vida.

E ninguém se importa.
Ninguém percebe o sofrimento duro
que os navios transportam.

Os homens procuram comida
(uns nos bares, outros nos lixos)
e comem suas feridas estampadas no bife
e no pão amanhecido.

Estou apreensivo, amada,
amargurado e pensativo
sentado no cais infinito.

Não penso em navios
nem em trigo
nem em feridas.

Penso na alma dos homens
suas vidas tristes
seus olhos sem ritmo
seus corpos anfíbios.

Penso neles, amada,
e no espelho das águas,
à beira do cais,
sou um deles
a vigiar navios.

Ah, amada,
como sou patético
a contar navios e navios
de sofrimento humano
como quem conta estrelas.

E o que importa isso?
Nada os detêm.
Nada os interceptam.

Longe, agora pequeninos,
eles avançam nas águas
carregados de dores
e sem qualquer importância
caem um a um
no abismo azul e profundo
do horizonte sem fim.

Read Full Post »

Quando nasci, no momento da dor, do rompimento do meu elo com a minha mãe, no momento do tapa, do choro… eu me perguntei:

Autor: Adriano Cardoso

Nascer é somente isto?

E lá na frente, quando sozinho me vi na escola, sem o apoio da minha mãe, do meu pai, os colegas infernizando… eu me perguntei:

Sentir-se sozinho é somente isto?

E depois, na formatura da universidade, no meio da festa, da euforia, eu me olhei no espelho, e segurando o diploma bonito… eu me perguntei:

Sentir-se realizado é somente isto?

E quando arrumei um emprego, o salário dos sonhos, poder, futuro garantido, olhando da janela para o topo da cidade sem fim… eu me perguntei:

Ser alguém na vida é somente isto?

E, um dia, diante do mar, o verde, o ir e vir, a espuma branca no fundo dos meus olhos, sentindo a alma vibrar… eu me perguntei:

A beleza é somente isto?

E quando o meu amor me deixou, eu, por meses, desesperado, pensei que fosse morrer, mas quando não morri, sentindo meu coração que sofria… eu me perguntei:

O amor é somente isto?

E quando no desemprego, na queda do topo do mundo, eu me vi no chão da cidade dura, com os meus pés no chão, olhando minhas roupas rotas… eu me perguntei:

O fracasso é somente isto?

Doente, sem meios de curar a dor, a dor lancinante que comia o meu corpo, dilacerava minha alma, quando me vi numa cama… eu me perguntei:

A dor é somente isto?

E um dia, os olhos fechando, a vida se esvaindo aos poucos, um som rouco na garganta, sentindo o coração que parava… eu me perguntei:

A morte é somente isto?

A vida é somente isto?

E eu sou somente isto?

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: