Depois da minha morte, que uma coisa fique registrada.
Eu sofri em vida.
Sofri os horrores de sentir.
Sentir ao extremo cada momento da minha vida.
E não ter como, não saber como explicitar os meus sentimentos para o mundo.
E tudo ardia.
Uma grande fogueira queimava o meu coração.
E consumia minha alma em segundos.
E eu não conseguia.
Não conseguia colocar pra fora, vomitar mesmo, aquele momento cruel, duro, torturante… sensível.
Eu tentava.
Um lápis, um papel em branco… uma crônica, um poema apático e sem alma.
E vasculhava os vocabulários.
À procura de palavras que pudessem demonstrar o meu sofrer doído.
Nada!
Nenhum dicionário continha as palavras certas para mostrar o meu sentimento para com o mundo.
Um pedreiro sem prumo.
um mecânico sem ferramentas.
Um cirurgião sem bisturi.
Um jogador de futebol sem pernas.
Um político sem a língua.
Um poeta sem os versos.
Um homem sem som.
Um homem amorfo.
Um coração de vulcão.
Uma alma de furacão.
Uma sensibilidade passional.
Apenas um homem…
Que não conseguiu expelir no mundo a sua efervescência lírica.
A sua paixão desenfreada.
O seu sofrimento pleno.
A sua dor de existir.
…
Vertendo falta de palavras expressivas para o que degluti agora!
É assim que me sinto, agora!
Grandes dilemas…
Muito bom!
Identificação imediata.
Lirismo pujante.
apenas um homem. divino.
e tudo arde. agora.
o sofrimento é uma coisa interessante.
vejo ele como a argamassa, a pedra fundamental pra produção, não apenas textual, mas uma produção artística de qualidade.
por mais amargo que seja a solidão e o sofrimento, nenhum poeta, acredito eu, abriria mão desses dois sentimentos.
e mesmo que houvesse palavras no dicionário que pudessem demonstrar seu sofrer doído, sinto muito, você não seria compreendido. faz parte do ‘ser poeta’ não ser compreendido.
você tem muito talento.
vou escrever seu texto no meu caderninho agora, com as devidas referências. lá vai ficar registrado mesmo depois de sua morte.
🙂