Ao acordar naquela manhã de sonhos perturbadores, Gregor Samsa viu-se transformado…

É assim que começa um dos maiores romances do século XX, A metamorfose. Nesse cenário os personagens do escritor Kafka vivenciam um mundo de pesadelos no qual não podem acordar, pois tudo aquilo é o real.
Franz Kafka nasceu em Praga em 1883. Apesar de ser ter permanecido completamente desconhecido durante a vida, foi considerado um dos maiores escritores do séc. XX. Escrito originalmente na Alemanha em 1915 A metamorfose é considerado sua obra-prima.
A narrativa desse romance pode ser avaliada sobre diversas perspectivas simbólicas como a fantasia, a burocratização, alienação e agora, através das pinceladas de Peter Kuper.

Utilizando-se de uma fusão do expressionismo alemão com os quadrinhos norte-americanos Peter Kuper, fez uma sombria, porém fiel adaptação desse clássico universal.
A admiração de Peter Kuper por entomologia (parte da zoologia que cuida de insetos) começou com os seus cinco anos, porém foi superado pelo seu interesse pelos quadrinhos. Mas graças a Kafka, agora ele não é mais obrigado a escolher entre suas duas paixões.
Uma brilhante adaptação ilustrada do famoso conto de Franz Kafka. É uma leitura extremante prazerosa, no qual todos serão capazes de reconhecer o drama existencial e o inigualável senso de humor do texto original (Susan Bernstein, professora de literatura de estudos germânicos).
Logo nas primeiras páginas, Peter Kuper dedica sua obra a todos os Gregor Samsa do mundo. E isso porque, através de uma rotina sufocante imposta pela modernidade, qualquer um pode se ver ao acordar, se não no corpo de um inseto, ao menos diante de um mundo absurdo.

gosto do clássico, mas rejeito um pouco esta ligação exagerada que fazem do livro ao Kafka. tal autor tem um vasto acervo de produções fantástico. contos, sonhos, delírios, surrealismos e aquele estilo próprio do Kafka de tratar os personagens.
sobre adaptações pro HQ, sou meio contra – reduz o número de leitores da obra original, por conta da prolixidade; reduz o potencial imaginativo do leitor, por conta das ilustrações cortando adjetivos e advérbios e, por fim, reduz a autoria, toda adaptação coletiviza a essência de algo de origem mais individual, por conta da apropriação do enredo da obra kafkaniana e sua transposição em elementos gráficos.
abraço!
Realmente há um certo exagero quanto a ligação de Kafka com suas obras e isso ocorre em parte por causa do livro Cartas ao Pai, no qual foi públicado pelo seu amigo após sua morte sem o seu consentimento. Nesse livro o autor se mostra como um cara tímido, frustrado e com diversos problemas com sua família, em especial, a briga com seu pai. Esses aspectos propiciaram um certo tipo de tendenciamento quanto as obras de Kafka.
Observando através da sua perspectiva, eu também sou contra, mas eu jamais indicaria o HQ em vez da obra em si. Dessa forma a adaptação de Peter Kuper acaba sendo interessante pois serve como algo a mais além da obra, complemento de certa forma a mesma.
Abraços!
particularmente acho que desenhar um inseto no sentido literal retira boa parte da poesia. poderia ter desenhado um judeu como inseto. seria mais justo com a condição profética de kafka.
Augusto,
Quem não conhece o Kafka pode pensar que você está vínculando os judeus aos insetos ou coisa do tipo.
Quanto a questão da ilustração, no caso dos quadrinhos, fica mais interessante o inseto em si. Porém ao ler a obra eu não consigo imaginar Gregor Samsa como um inseto, pois eu levava mais para uma questão do absurdismo (Camus) e do estranhamento do homem e do trabalho (Karl Marx).
No mais, quero deixar claro que o romance de Kafka é muito mais complexo e detalhado que os quadrinhos, apesar de ter um grande intesse por ambos.
Obrigado pelo comentário.
Muito bom os dois. Mas o original é melhor. Gregor se sente, assim como Joseph K. n’O Processo, em uma situação irreversível.