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Archive for julho \10\UTC 2009

Engrenagem do caos

Era de manhã, caia uma fina garoa. A Avenida do Cursino em São Paulo se encontrava completamente deserta, até então, antes do acidente, tudo era silêncio e paz.

O motoqueiro estava sem capacete e morreu na hora. Sua moto uma falcon, cor vermelho sangue, tinha voado metros de distância, ficando completamente estraçalhada. O motorista do carro, causador do ocorrido, negou socorro e saiu cantando pneu feito um louco.

mais_nada

Subitamente, pessoas começaram a aparecer como se brotassem do chão. Mulheres, crianças, homens, aparentavam velar o corpo ensangüentado. O rapaz tinha seus vinte poucos anos e uma vida toda pela frente.

Nesse instante aquele corpo sem vida, servia de vitrine de um produto exposto para satisfazer a curiosidade mórbida de todos ali presente.

Entre comentários e lamentações as pessoas observavam a fragilidade da vida em toda sua plenitude.

Um dia feliz e no outro a boca fica cheia de formiga, lamenta um senhor.

A todo instante alguém procurava um culpado… Todos estavam alvoroçados, o tédio por um momento deixou de existir, a existência voltou a ser superestimada.

Que ele sirva de exemplo, pensou alguém na multidão. Um brinde a vida! Curiosamente, muitos ficavam satisfeitos com aquela situação.

O drama, o mundo de vidro prestes a quebrar e a frágil consciência da humanidade, geravam questionamentos…

Minutos depois do ocorrido, na Avenida Edson Ramalho em João Pessoa, a engrenagem do caos volta a funcionar, a vítima, outro rapaz que tinha seus vinte poucos anos e a trágica velha historia que ele nunca vai poder contar.

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Devaneio Noturno

Perdi-me durante um tempo enquanto voltava pra casa. As casas não me pareciam familiares, eu estava no meio de uma rua deserta, meus medos então surgiram, vieram como uma torrente. Uma estranha sensação de impotência servia como um manto que me cobria por inteiro.

na-madrugada

Meus pés quase paralisaram diante da possibilidade de encontrar um estranho por ali, as casas pareciam me vigiar, o chão era cada vez mais escuro… Mesmo carregado de pavor, segui.

Fechei os olhos por um instante, quis imaginar-me em outra cena, na verdade, não queria enfrentar o desconhecido. A noite sempre me causou medo, é nela que se comete os piores atos, onde o absurdo se instala e não nos deixa saída.

Aquele momento parecia não ter um tempo preciso pra acabar; de súbito, segurei uma pedra a fim de me defender de algo que me fosse hostil. Eu não sabia que toda a hostilidade era apenas uma mera construção de minha mente, após ouvir tantos casos que acontecem à noite com um homem perdido. Até me imaginei em alguma nota de jornal do dia seguinte, onde este relatava sobre o assassinato de um homem ainda não identificado.

Minha vida, então, terminaria em uma nota de imprensa. Eu seria apenas um número que, por ventura, foi sorteado no acaso das tragédias diárias.

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Mesmo assim

Mesma causa,
Mesma rotina,
Mesma corrupção,
Mesma repetição,
Mesma idéia!

Mesma luta,
Mesma guerra,
Mesma morte,
Mesma ignorância,
Mesma mesmice de sempre!

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