É José, perguntam pra você: e agora? Agora, você responde: sozinho como nunca. Sozinho, meu caro? Cadê a festa, as mulheres, dinheiro…?
Nada! Encontrei-me com algo que nunca abandona o ser humano, minha tão já conhecida solidão. Sinto-me às vezes como os bêbados das tavernas que encontramos nos romances de Dostoievski, não sou nada além do que aqueles homens vis e tristes. Todas aquelas mulheres me amaram até onde duraram meus últimos centavos; as festas? Ora, As festas! Tudo ilusão, meu caro. Elas apenas mascaravam nossa profunda melancolia, ríamos como tolos, mas não enganávamos a nós mesmos.
Sou um homem que talvez tenha encontrado nas sombras do que restou de mim, a única forma de sobreviver às minhas hostilidades, apenas sendo ridículo. Sim, ridículo! Afinal, é o que somos: todos ridículos. Já dizia o grande Pessoa que mais ridículo é aquele que pensa não sê-lo.
O vazio de nossa existência é algo cruel. Contudo, não pense que sou um homem do qual só se deve ter pena. Não! Devemos ter pena de todos nós. Todos nós, sem exceção.
perfeita narração de um sentimento que acomete a todos, pelo menos uma vez na vida.
Grande narrativa, com um tom niilista de um sentimento refinado e pertubador.