Era um dia especial. Naquela festa, em uma espécie de ritual, todos esperavam ansiosamente pela comida. No meio da fartura, todos pareciam felizes e conversavam sobre os mais diversificados assuntos.

Autor: Bruno Lopes
Subitamente, tudo mudou, como se um eclipse tivesse apagado o sol, trazendo consigo uma mortalha de trevas que consumiu aquela sala de jantar.
Todos ficaram avoraçados! A irmã que estava há muito tempo engasgada com um pedaço de carne dura de seu irmão, vomitou tudo que queria sobre ele. O irmão observando ao seu redor, viu os olhos famintos de todos os visitantes, que começaram a dar risadas e se deliciar com aquela situação. Com um apetite voraz, atacou sua irmã de uma maneira nada sutil. Logo os dois entraram em uma discussão canibalistica no meio da sala.
A mãe, sarcedote matriarcal, através de um ato moralista, deu continuidade ao festival de matança. Preocupada em satisfazer os anseios atrozes de seus convidados, foi distribuindo pedacinhos dos seus filhos para todos ali presente.
A prima não satisfeita, começou a apimentar a situação e se deliciou, ao ver que tudo se transformou em um banho de sangue.
Os avós acharam tudo aquilo um horror, mas sem questionar entre garfadas começaram a se alimentar.
O pai que acabara de sair de um regime, comeu, comeu e comeu… até tombar e morrer de indigestão!
E assim o banquete se encerrou em função de uma consciência autofágica daqueles que se preocupam com o que as pessoas pensam ao seu respeito.
Bon appétit!