Por longos anos eu freqüentei aquele lugar. Naquele templo que julgava sagrado, no qual o tempo não conseguia apagar.

Um dia, entre lamentações, eu acordei do meu longo torpor. Enquanto o sarcedote pregava, eu tentava curar minhas chagas. Porém, elas nunca sequer existiram. O medo, pai da moralidade, doutrinava e ordenava que eu sempre voltasse para aquele local.
Logo percebi que tudo não passava de um mal entendido, tudo era uma loucura coletiva, o tudo não existia…
Quando minha consciência me mordeu, percebi minha estupidez. No ápice do culto ao absurdo, todos alimentavam suas imaginações com ilusões e todos felizes cantavam um nome em vão… a filosofia, a ciências e a religião são interpretações desse nome!
Levanto-me e subo no altar! Entre choros e bravatas eu profano aquele lugar:
– Somos tolos! É isso que somos… mas que piada! Não percebem que estamos na morada do nada. Esse é um não-lugar. Eis o que devemos louvar!? Do nada nascemos e para ele voltaremos…
Entre uma tempestade de vaias, protestos e agressões, fui embora e nunca mais voltei.
Desde então descobri que dentro da nossa insignificância, existimos por tudo que sonhamos, e buscamos, porém, sem fazer idéia, somos.