Numa vasta biblioteca, diante de centenas de obras, uma dúvida paira no ar: qual livro devo escolher?
A vida é curta e o tempo é precioso. Não devemos escolher os livros pela sua bela capa, título ou pelo assunto ser moda naquele momento. Devemos escolhê-lo pela sua originalidade e por terem algo realmente importante a ser dito.
Em todas as áreas do saber, os grandes mestres, em sua maioria, foram pessoas que passaram por enormes dificuldades; entre elas, a pobreza, a fome, poucos alunos e discípulos, muitas vezes foram duramente criticados ou ignorados pelos seus contemporâneos, para em seguida serem aclamados pela posteridade. Enquanto isso, tantos outros ganhavam dinheiro e fama, caindo anos depois no mais puro esquecimento.
Leia com afinco os antigos, os verdadeiros e autênticos antigos: os que os modernos dizem sobre eles não significa muito – Artur Schopenhauer

Uma obra como Dom Quixote dela mancha de Miguel de Cervantes , que influênciou de forma significativa o mundo ocidental, é um grande exemplo de um clássico da literatura universal.
Quando penso num clássico, metaforicamente, me vem a frase do filósofo Jürgen Habermas: “Uma flecha que atira no coração do presente“. Uma obra se torna atemporal não por nos dá respostas, mas porque ela se faz pertinente ao nosso tempo por fazer indagações que ainda nos dizem respeito.
Não há nada mais atual e revigorante do que uma boa leitura das obras imortalizadas. Em algum grau, ela deve fazer parte da formação intelectual de qualquer indivíduo, principalmente daqueles que pretendem se aprofundar cada vez mais no mundo das idéias.
Sem dúvida, ler os clássicos é fundamental na vida. Não imagino alguém que chega no derradeiro sopro sem ter ao menos lido, ou escutado algo sobre…Dom Quixote.
Sinceramente, não é bem o meu tipo de clássico. Sei reconhecer sua importância, entretanto, não me comovi. Achei um livro chato, tem lá seus momentos cômicos, e claro, momentos em que se pode tirar alguma conclusão filosófica ou alguma análise do ser humano, que é o que me interessa, mas pra mim não passou disso.
Li uma definição de “clássico” muito boa e que infelizmente não me lembro o autor, e dizia:
“Clássico é o livro que nunca termina o que tem pra dizer”.
Essa questão de modernizar o clássico é ao meu ver inútil, você vai modernizar e acrescentar o que? Só vai mudar a capa, a arte… O conteúdo é o mesmo. Como o autor disse acima, aquele conteúdo pode ser lido de diversas formas, mas vai ser sempre o mesmo.
Bem, estou me estendendo e me repetindo…
Até a próxima.
Obrigada pelo comentário, Petrônio. Seja muito bem vindo ao Sagaz.
Gostei muito da frase que você citou, Petrônio. Sugiro aos leitores do blog a obra de Ítalo Calvino: Porque ler os clássicos.
Abraço!
Petrônio,
Dom Quixote é um livro interessante pela essência humana capturada através do personagem. Não podemos ver Dom Quixote apenas como um cavaleiro triste e pela imagem criada para ridicularizar os velhos romances de cavalaria, sabe-se que o personagem tem um toque especial do seu imortal criador. Se pararmos para analisar, é um livro extremamente profundo e intrigante. Não cabendo a mim expor uma opinião a respeito dele, nesse comentário.
Mas como você disse, cada leitor vai buscando aqueles clássicos que mais tiver relação com seu gosto pessoal e pelo tipo de informação e conhecimento que cada um busca como forma de entendimento de mundo.
A respeito de sua afirmação, um clássico é antemporal, não existindo a necessidade de ser modernizado.
Juliana,
O Petrônio já conhecia o Sagaz, mas não custa dar as boas vindas para ele e também a você que voltou a escrever por aqui a pouco tempo.
Até mais!
Inã, o que eu quis dizer com a afirmação sobre a modernização dos clássicos, é exatamente uma crítica.
Algumas pessoas defendem, principalmente a repaginação da forma com que o livro foi escrito. Usando de suas palavras: “Dar nova roupagem”.
Bem, eu nem preciso dizer que se algum livro foi escrito daquela forma, é daquela forma que ele deve ficar. Qualquer alteração em seu conteúdo, muda tudo, e a obra não é mais a mesma.
Abraços.
Petrônio,
Nesse aspecto eu concordo com você.
A integridade da obra deve permanecer intacta.
Abraços!